Cardápio de Homens

domingo, 5 de abril de 2026

Voltei para o Tinder!

Após 6 anos e uma experiência traumática, agora em solo europeu, achei que era a hora de voltar e dar mais uma chance para conhecer pessoas interessantes ou apenas pessoas.

Um pouco inspirada pelas experiências de uma nova amiga que fiz aqui e também porque ainda pretendo preencher o que chamo de “Passaporte do Amor”. Não um amor romântico, não no sentido de relacionamento sério – coisa que estou longe de estar pronta, se é que um dia estarei – mas no sentido de beijar tantas bocas de nacionalidades diferentes que eu conseguir e talvez algo mais.

A ideia é colecionar bandeiras tais quais carimbo de entrada da imigração, que tristemente foram substituídos por uma versão digital, no imaginário passaporte.

Eis que uso o aplicativo para passar o tempo quando estou entediada e no movimento de deslizar para a direita ou para a esquerda me peguei pensando que estava em um grande açougue escolhendo qual carne irei me deleitar apenas pela imagem que parece a mais apetitosa.

E essa sensação me deu um nó no estômago de pensar em pessoas como algo apenas a ser saboreado, experimentado, provado.

Não há profundidade, não há um “conhecer a alma”, não há grandes diálogos. Apenas gostei, coração e se ele também gostar, o match.

E as conversar iniciais? Ah as conversas iniciais são desafiadoras, por vezes tediosas e quando passamos para o WhatsApp muitas vezes sem aviso prévio recebemos uma foto de um membro fálico, as vezes nem tão bonito assim.

Por que eles pensam que gostamos disso?

Next!

A grande questão é que não sei ser morna, sou intensa, fogo, quero profundidade, demonstrações de afeto, ligações às 3h da manhã apenas para dizer que estava com saudades da minha voz e não conseguia parar de pensar em mim.

Preciso sentir intensidade! Caso contrário, perco o interesse.

Por isso me veio a mente o cardápio de homens, não no sentido de serem esculturalmente deliciosos, de terem olhares profundos, pois muitos os têm.

Mas no sentido de scrollar os perfis em busca de algo que talvez eles não queiram dar.

São várias opções, isso é inegável! As nacionalidades? As mais variadas possíveis.

O francês, o irlandês, o italiano, o português, o canadense.

Nomeie uma nacionalidade e devo ter na minha lista imensa de matches que mal passaram de um oi, piroca, e vamos nos ver. E só.

Me dei conta que não estou certa se é realmente isso que quero e procuro, embora eu nem saiba exatamente o que eu mesma busco.

Mas seguirei tentando até, quem sabe, encontrar alguém que não seja apenas um rostinho bonito e um pedaço de carne e me chame para ver a lua na praia.

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