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21.03.2026 – O dia que presenciei a morte e o último suspiro

domingo, 29 de março de 2026

 

São 23h e estou a caminho de casa finalmente.

Esperei por um ônibus, mas estava do lado errado da avenida e quando ele finalmente passou, não quis correr e atravessar a avenida na chuva para apanhá-lo por medo de cair no chão molhado com minhas botas encharcadas.

Precisei recalcular a rota e andar 30 minutos até a estação Setúbal e agora me encontro no comboio indo para Foros de Amora. No caminho achei um lugar aberto as 10h da noite para comprar um cigarro. Hoje eu precisava desesperadamente desse meu companheiro.

Durante o dia também bloqueei Paul, o inominável, e para mim já deu! Não vai me dar o que eu quero, e tampouco vou aceitar a migalha que ele me dá. Ainda tenho um ônibus para pegar, estou toda encharcada da chuva e amanhã acordo as 5h (vou chegar 00h).

Foi estranho ver alguém morrer (estávamos a filha segurando a mão dele, eu e a outra cuidadora cantando um lindo louvor). Foi estranhamente triste e bonito. Tirando a falta de ar estranha que minha IA explicou que era normal quando a vida estava se findando, ele estava em paz. Foi o dia mais bizarro da minha vida aqui e não sei o que sentir.

Em um momento durante o dia eu fiquei sozinha com ele e segurei sua mão, fiz carinho em sua cabeça, disse que ele era amado que tudo ia ficar bem. Que ele poderia ir em paz. Foi o que consegui fazer, ser a companhia no leito de morte de um moribundo para ele sentir que não estava sozinho naquele momento de atravessar para o outro plano.

Espero de coração que a esposa tenha vindo encontrá-lo, porque era isso que ele queria. Reencontrar com o amor da sua vida, com quem foi casado por 50 anos e há 3 já não habitava mais esse plano. Ele disse em certo momento da manhã “estou indo embora”, e foi.

Mas sinto que cada coisa que acontece aqui, me faz amadurecer o que não amadureci em 43 morando no Brasil.

O que vivi hoje em Setúbal não foi "apenas um trabalho"; foi um embate direto com a finitude da vida.

Não sei o que pensar, talvez precise de tempo para processar. Por hora só quero chegar em casa e tomar um banho quente.

Consegui chegar em casa finalmente, mas não consigo desligar nem dormir. São 2h03 e acordo as 5h, nem sei se vale a pena tentar dormir mais hoje. Eu estou entorpecida por tudo que passei hoje, o senhor, presenciar uma morte, a caminhada na chuva. E ainda sim, meu corpo não desliga.

Estou com medo real de ter uma caída vertiginosa para o polo depressivo. Não sei se tomo a trazodona, se não tomo (os outros tomei). Queria um abraço hoje, aliás precisava de um abraço, mais que tudo. Como é solitário ser adulto imigrante que está lutando pelo seu lugar no mundo, ao sol. Só penso em escrever, meu único refúgio.

Do date Absolut Cinema para o gosthing do príncipe viking

quarta-feira, 25 de março de 2026

Pensando nesse título agora me veio à mente que eu tenho uma queda por vikings, pois já tivemos outro viking no meu livro Cartas da Mabi.

Me dei conta também que tenho queda por homens que simplesmente desaparecem da minha vida sem deixar rastro, ou dar sinais que irá fazer isso. O famoso: ghosting!

Ou talvez os sinais estavam lá, mas eu nada versada na linguagem do amor e há 7 anos fora do mercado, fui incapaz de interpretar. Conjecturas de um domingo de manhã sem mensagem recebida.

Veja bem, não que seja obrigação de mandar mensagem de bom dia, boa tarde, o que seja. Mas estávamos na iminência de marcar um encontro rápido apenas para dar um oi.

E sumiu! Vanished!

Mandei mensagem perguntando se ele viria me ver. Disse que não conseguia esquecer o gosto do beijo dele (aqui começo a me questionar sobre a possibilidade de ter sido emocionada demais).

Silêncio.

Desde o meio dia até domingo de manhã não recebi uma linha sequer dele.

Será que morreu? Me pergunto. Porra não tenho nem o sobrenome para procurar nos noticiários. Vacilei!

Hoje, domingo, pela manhã não me aguentei e mandei um "tá tudo bem contigo? Aconteceu alguma coisa?".

Acho que no fundo é meu cérebro querendo encontrar alguma justificativa que não seja rejeição.

Nosso encontro ABSOLUT CINEMA foi tão perfeito, ele pareceu tão na minha. Não consigo entender e, pior, estou pensando o que posso ter feito de errado para afugentar ele (sempre coloco a culpa em mim).

É horrível pensar isso e me sentir assim, mas acho que levei um ghosting mesmo do príncipe viking

Agora confiro o WhatsApp a cada 5 minutos em busca de um reply que justifique essa ausência e o bolo e que, principalmente, que confirme que não se tratava de rejeição - de novo.

Porra, Jana! You did again!

Eu sei que isso não vai me derrubar, muito menos me parar, mas estou com um nozinho na garganta e uma lágrima está teimando em querer escorrer.

Eu tenho um problema sério com rejeição (meu pai tentou me matar, casei com alguém praticamente que nem papai que matou minha alma e me rejeitou, largando só uma casca oca, minha mãe me rejeita, meus irmãos me rejeitam, minha amiga, sinto que está começando a me rejeitar).

Parece que não sou feita para ser amada, ninguém nunca quer ficar. Qual é o meu problema? Porque me sinto um cachorrinho em uma feira de adoção implorando para ser escolhido? Penso "por favor, por favor, me escolhe. Me aceita como sou". Mas nunca ninguém fica. Todos querem, desejam, eles veem e querem Gilda, mas acordam com a Jana.

Não me aguentei. Mandei mais uma mensagem perguntando cadê ele dizendo que já estava ficando preocupada. E realmente pensei na possibilidade de acidente, sei lá.

Só queria ir para casa escrever agora, mas não tenho o note aqui comigo agora. Enfim, estou presa aqui com meus pensamentos porque nem Kafka eu trouxe para a interna de 48h. E digitar no celular já está fazendo doer meus pulsos. Ambos. Só queria paz na mente esquecer esse embuste.

O plot twist: O Benfiquista, o vácuo e a volta por cima

O Cinderelo resolveu dar as caras. Disse que foi assistir ao jogo do Benfica ontem, saiu para jantar (até aqui ele tinha dito que faria), encheu a cara, chegou em casa e dormiu que nem pedra.

Não sei o que pensar, mas o encontro está de pé e ele vai cumprir seu objetivo. Me fazer voltar para o jogo depois de anos andando pelo vale das cinzas, da sombra e da morte. Depois do ato, eu VRAU, comerei a cabeça dele, tal qual uma viuva negra.

Terça-feira o jejum de 7 anos acaba. Não porque o príncipe acordou, mas porque a Rainha decidiu que o campo de jogo agora é em Benfica. Alguém traz o VAR, porque eu vim para ganhar.

Passaporte do Amor: Crónicas de Dates na Europa

terça-feira, 24 de março de 2026

Certo dia scrollando pelo Instagram, parei em um vídeo da Gabu falando do Passaporte Sexual,  e nos comentários as pessoas colocavam as mais diversas bandeiras de países para ilustrar as nacionalidades que já haviam tido um encontro amoroso, sexual, ou apenas date. Eu tristemente comentei "dessa conversa, eu infelizmente não participo, mas participarei". Desde então venho pensando nesse passaporte, especialmente quando mudasse para a Europa. 

Dizem que quando mudamos de país, levamos apenas o essencial na mala. Eu trouxe 15 anos de comunicação, uma obsessão por batons vermelhos e a ingénua ideia de que o amor em solo europeu seria um filme clássico com banda sonora de jazz. 🍷🎬

A realidade? Bom, a realidade é Absolute Cinema, mas às vezes o argumentista é um tanto... imprevisível.

Entre um 'Viking' que gere impérios mas não gere o tempo de uma resposta no WhatsApp, e as fugas estratégicas de quem promete o mundo e entrega o silêncio (ou apenas uma ressaca pós-jogo de futebol), percebi uma coisa: eu sou a autora desta história.

Decidi que o meu jejum de 7 anos não é uma espera passiva, é uma escolha de roteiro. A partir de hoje, inauguro aqui a série Passaporte do Amor. Vou usar o meu dom de captar depoimentos e a minha própria pele para investigar os dates, os desastres e os deslumbres de se procurar conexão em terras lusitanas.

Qualquer paixão me diverte, mas o meu foco agora é o meu portfólio. Porque se a vida me dá limões, eu passo um gloss de cereja e escrevo um capítulo. 🍒🖋️

Preparem-se: o embarque foi autorizado.

Meu primeiro date europeu: ABSOLUTE CINEMA!

sexta-feira, 20 de março de 2026

Tudo começou dias antes, no final de semana, quando “conversamos muito mesmo para tentar nos conhecer” e ele sugeriu irmos a uma gruta perto de onde moro. Veja bem: ele mora em Lisboa, uma hora de viagem de carro de onde estou. Já fiquei intrigada pelo viking do meu vision board (ele nem sonha com isso) despencar de lá para vir me ver aqui.

Falei que a previsão era de chuva, pois uma nova tempestade estava chegando, a Teresa. Ele riu e disse que iria fazer sol, e chover apenas às 19h. Concordei com o date, pois um local conhece melhor o tempo do que eu, uma forasteira.

Chega o dia. Bato a bendita da gilete, pois "vai que". Pintei as unhas, fiz as sobrancelhas para tentar me reconectar com a minha deusa, pois estava tão focada em trabalho, documentação e burocracia que me deixei de lado desde que cheguei a Portugal, em novembro.

Na hora marcada, ele me chega em uma nave que nem sei o nome e pensei: “Caraca, tudo isso por mim?”. Um carro chique, opulento, como quem diz “quero impressionar”. E impressionou!

Fiquei com vergonha. Afinal de contas, estava há 7 anos fora do mercado (alguns beijos no "novinho" não contam, pois eram festas e eu estava bêbada). A timidez bateu, mas a vontade era pular no pescoço do viking de olhos tão azuis que davam para ver o mar em um dia perfeito de sol dentro deles. “Meu Deus, como esse homem tão lindo pode se interessar por mim?”, pensei — e sim, sei de todas as implicações desse tipo de pensamento.

Lapa de Santa Margarida datada do século XVII

Fomos para uma gruta do século XVII. Um tempo nublado do cacete, uma leve garoa, e eu só ria do date furado. Lá era escuro, com uma leve luz do sol entrando por um buraco na rocha, e eu pensando: “Esse fdp não vai me beijar não?”. Saí desapontada, pensando que ele iria me fazer subir e descer aquele tanto de escadas, entrar em grutas sem me beijar. “Deve ser porque não gostou de mim e está apenas a cumprir protocolo”.

E fomos, sem beijo, para outro lugar, cheio de cantos escuros que estavam mais para creepy do que românticos. No terceiro lugar, um forte em um miradouro, começou a ventar muito e fomos para um lugar alto, dentro do forte, que tinha uma janela com uma vista incrível! Ficamos lá por algum tempo e ele teve, finalmente, a atitude de tocar meus ombros, como quem faz uma massagem, apenas pelo contato, pelo toque. Achei fofo, mas, infelizmente para a minha tristeza, ficou apenas nisso.

Forte 7ª Bataria - Arrábida

Aí, em frente a um canhão de trocentos anos (esse da foto), com a vista mais linda do mar e da cidade, ele me deu um beijo perfeito! ABSOLUTE CINEMA! Encaixou perfeitamente! Meu Deus, que beijo perfeito!

Depois fomos a outro local com vista de Sesimbra e nos beijamos mais. Fomos para o carro, a coisa esquentou, mas não rolou sexo, apenas brincadeiras gostosas. Ele me disse que sou muito gostosa várias vezes. Isso foi um afago no meu ego e um remédio para minha baixa autoestima, complexada por ser gorda. Acho que eu me subestimei tanto que não achei que era desejável. Eu me pegava olhando para ele — o tipo de homem dos meus sonhos — olhando para mim com um desejo que me fazia dar uma risada interna gostosa de pensar que o homem do meu vision board tinha se materializado na minha frente!

Foi surreal de incrível! Estou sorrindo de orelha a orelha, mas sem perder o foco do porquê estou aqui e dos meus sonhos. Acho que posso ter uma coisa e outra. 

Embora a experiência no meu casamento tenha me feito achar  que, para amar, teria de me entregar total e cegamemte, deixar de ser quem sou e me anular pelo outro. Por isso tenho muito medo de amar novamente, pois não sei se saberia me manter intacta, a salvo.

Porém isso foi em outra vida quando eu não era diagnosticada, não tratava o TAB, não fazia terapia, não tinha rede de apoio nem amigas para ver as red flags (até porque afastei todo mundo) e, principalmente, não era medicada. Acho que hoje consigo me colocar em primeiro lugar na minha vida e, talvez, ainda abrir espaço para o outro.

Ele é inteligente, trabalhador, cavalheiro e veio me buscar em um jeep BMW! PQP! Não estou apaixonada nem nada, mas sinto as borboletas baterem asas no meu estômago e quero ver aonde isso irá me levar. Foi um encontro MÁGICO, como eu merecia ter!

Meu primeiro date europeu – e da vida!

terça-feira, 17 de março de 2026

foto tirada pelo date

Eu nunca tive um date!

Sim, aquele evento canônico na vida de toda a mulher de conhecer alguém, “conversar muito mesmo para tentar se conhecer”, parafraseando Legião Urbana, depois marcar um encontro e ver o que acontece.

Pensar no look, bater gilete – mas será que vai precisar? Pensar em até onde se abrir para não ser emocionada demais, expansiva demais, intensa demais. Dosar palavras, gestos, sentimentos e sensações para não afugentar o afortunado pretendente.

Se fizer sexo no primeiro encontro será considerada uma vadia? Mas devo esperar então um segundo? Terceiro? Qual a regra? Aliás existe regra?

Tantas questões...

E o para entornar ainda mais o caldeirão das incertezas, marquei esse date em um estado de euforia da mania bipolar – que é tão fugaz quanto um sopro de vento em um dia muito quente. Será que irá durar até a data marcada?

Veja bem, eu já me relacionei com homens, já fui casada.

Mas das poucas vezes que me aventurei em solos românticos, em um fugi para São Paulo para um encontro que foi com tudo que tinha direito e um mês depois estava indo de vez para a terra da garoa morar junto com o dito cujo. Passaram-se 11 anos, o amor acabou e apenas depois de 3 anos me senti recuperada da pancada emocional do término para consegui me abrir para outra pessoa: “o novinho”.

10 anos mais jovem, gostava das mesmas coisas que eu, filmes e livros e um belo dia o chamei ver um filme e dei um chá. O resto é história.

E só! Essas foram as minhas experiências com encontros na vida.

Os da adolescência não considero, porque era uma outra vida, a gente só beijava na boca – várias, aliás – e era feliz no simples, dividindo uma coca-cola de 2 litros no terraço de um shopping no qual ficávamos a tarde toda de mãos dadas. Ou nos beijávamos em bancos de pracinhas da cidade depois da aula. Bons tempos.

Agora, date como esse de buscar em casa, ir a um café depois passear em um lugar legal e, só Deus sabe o que vai acontecer, nunca tive.

E isso está me aterrorizando!

Não sei o que fazer, como me comportar.

Enfim, o frio na barriga das primeiras vezes, que nesse caso será aos 43 anos.

É uma sensação gostosa, não nego, mas totalmente fora do meu controle em uma nova vida de imigrante cheia de descontroles.

Queria ser leve e apenas aproveitar o momento e ver onde ele leva, mas para corações quebrantados e intensos, uma faísca já se torna um incêndio.

Vou me apaixonar se ele me olhar do jeito certo, no fundo dos olhos com um sorriso no rosto e um beijo perfeito? Possivelmente.

Vou quebrar a cara mais uma vez no campo do amor? Possivelmente também.

Mas quando digo que “vai, e se der medo, vai com medo mesmo” é meu lema de vida, eu levo isso plenamente a sério.

Acho que no fim das contas isso é apenas viver.

E se for para ser mais uma decepção, pelo menos fortalece, como sempre.

Ou, o mais inimaginável ainda, pode ser o começo de uma grande história – que seja pelo menos na ficção.

Um brinde as primeiras vezes! E aos recomeços! 

 


Qual o limite da gratidão? Até quando temos de fazer algo pelo outro que nos machuca só porque somos gratos?

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Sabe uma questão que tenho muito latente em mim? 

Até onde vai o limite da gratidão?

Oi, meu nome é Jana.

Tenho 43 anos, sou jornalista, escritora, bipolar diagnosticada, e há anos carrego uma dúvida no peito como quem carrega uma herança emocional:
até onde vai a gratidão?
Qual é o limite entre reconhecer o que alguém fez por você…
e continuar permitindo que essa pessoa te machuque?

Será que gratidão é sinônimo de dívida eterna?
Será que por alguém ter me ajudado um dia, eu preciso seguir aceitando silêncios, descasos, julgamentos, falta de afeto, grosseria e até abandono?

Eu precisei me perguntar isso no momento mais delicado da minha vida: tentando um visto para Portugal, bancando dois empregos, segurando a barra de cuidar da minha mãe sozinha, e implorando ajuda para quem diz me amar.
E o que eu recebi?
Desculpas. Ausência. Frieza.
Mas, ah… “eu sou grata”, né? Então calei. Fiz mais. Aguentei de novo.

Até que cansei.
E escrevi isso aqui.

🧠 A dívida invisível da gratidão

Sabe o que descobri?
A gratidão é linda — quando é livre.
Quando vem com leveza, com afeto, com reconhecimento verdadeiro.

Mas quando vira moeda de troca silenciosa, ela adoece.
Ela nos faz escravos emocionais, especialmente se temos um histórico de abandono, de baixa autoestima ou de crença de que devemos sempre retribuir.
Mesmo que nos custe saúde mental.
Mesmo que nos sufoque.

E não, isso não é ingratidão.
Isso é amor-próprio.

💥 Quando a gratidão vira prisão

Eu cresci ouvindo “você tem que agradecer sua mãe por tudo”.
Mesmo quando ela me fazia mal. Mesmo quando me fazia sentir pequena.
Mesmo quando eu chorava no quarto desejando ser outra pessoa, em outra casa, com outra vida.

Hoje, adulta, entendo que ela deu o que pôde.
Mas isso não me obriga a continuar engolindo o que me faz mal.
Eu posso ser grata pelo que recebi e ainda assim dizer: chega.
Eu não aguento mais.
Eu preciso cuidar de mim agora.

💭 Então… qual o limite?

O limite da gratidão é o limite do respeito.
Quando começa a doer mais do que acolher.
Quando você se sente em dívida, mas o outro nem parece lembrar o que te deve.

Se você está fazendo algo pelo outro e isso está ferindo sua saúde emocional, seu tempo, seu sonho, sua paz, talvez já tenha passado do limite faz tempo.
E a culpa que te prende… não é amor.
É controle.

🌱 Você pode ser grato e ainda assim dizer não

Esse é o lembrete mais difícil que escrevo pra mim mesma — e pra você que está lendo:

Você pode ser profundamente grata a alguém
e ainda assim se afastar dessa pessoa.

Você pode reconhecer o bem que recebeu
e recusar o mal que está vindo agora.

Você pode amar
e ainda assim se escolher.

Gratidão não é algema.
É laço.
E laço, se aperta demais, vira nó na garganta.


Qual o preço de um sonho? Quantas lágrimas preciso derramar até conseguir conquistar os meus?

quarta-feira, 23 de julho de 2025



Qual o preço de um sonho?

Quantas vezes precisei juntar os cacos do que sobrou de mim,
quando a esperança escorregava pelos dedos como areia molhada
e o mundo parecia rir da minha fé teimosa?

Quantas vezes caminhei no escuro,
com os joelhos ralados e o coração em silêncio,
mas ainda assim, indo.
Ainda assim, sentindo.

Às vezes me pergunto:
qual é o preço de um sonho?
Será medido em noites sem dormir,
em lágrimas escondidas no travesseiro,
em portas fechadas na minha cara
ou em todos os "não" que engoli com a garganta seca?

A verdade é que ninguém te conta
que sonhar é um ato de resistência.
Que acreditar, mesmo depois da queda,
é coragem rara —
daquelas que não se aprende, se nasce.
Ou se forja na dor.

Porque eu sangro, sim.
Mas cada cicatriz minha tem nome, data, aprendizado.
Cada tropeço me ensina a olhar mais fundo,
mais dentro,
mais em mim.

E se doeu? Doeu.
Se desisti? Nunca.
Porque há uma voz que ecoa suave — mas firme — dentro de mim:
“Você nasceu para florescer, mesmo no concreto.”

Então me ergo.
De novo.
Quantas vezes for preciso.
Porque meu sonho não é luxo.
É urgência.
É verdade.
É raiz.

E quem tenta calar essa voz
não sabe que ela arde —
mas também me guia.

Eu sigo.
Com medo, com cansaço,
mas com a certeza de que o impossível é só o começo
daquilo que já mora em mim.

When Two Hearts Sync: The Magic of First Love

segunda-feira, 21 de julho de 2025

A poetic reflection on young love — the secret glances, the hand-holding, and the sweetness of discovering romance for the first time.

Young lovers. Dripping in youth and the kind of chemistry that turns the air electric. They giggle in code, share glances that still carry the softness of childhood, freshly shed. There's something sacred about witnessing a first love bloom.

At 18, love is new. Weightless. Untamed. It doesn't yet know the scars of time. It’s the warm brush of hands that meet for the first time — on the way to school, on a lazy afternoon bench. It’s sparkling eyes that say more than a thousand words, with no need for captions.

They hold hands like they’re holding the entire universe — small, safe, enough. Whispering things no one else can understand, laughing like they invented a secret language — the language of love. The kind that’s just beginning to learn how to give, how to open up, how to lose and find oneself in someone else.

Watching two hearts sync like that — in glances, in quiet touches, in laughter — reminds us that love still exists. That despite the bruises of adulthood, the jaded layers we accumulate, the walls we build to stay safe, love continues to be born somewhere. And sometimes, if we’re lucky, reborn in us.

Because we were all them once. Or maybe, we still dream of being again.

First love is like spring blooming inside us. A season that never fully fades — even when we’re deep in winter. It lives on, tucked somewhere in memory, like a gentle echo of when love was simple, whole, and a single smile was enough to believe it would last forever.

And maybe, in some way, it always does.

O Encanto do primeiro amor: quando dois corações falam na mesma frequência

sábado, 19 de julho de 2025

Uma crônica sobre o amor aos 18 anos, os olhares cúmplices, as mãos dadas e a doçura de viver o primeiro romance — leve, intenso e cheio de promessas.


Jovens enamorados. Feromônios da juventude no ar e uma cumplicidade que quase se pode tocar. Trocam risadinhas carregadas de segredos, olhares doces que ainda guardam vestígios da infância recém deixada. Como é bonito — quase sagrado — testemunhar o primeiro amor florescendo.

Aos 18, tudo parece possível. O amor não tem rugas, não tem pressa, não tem peso. É leve como o toque de mãos que se encontram pela primeira vez no caminho da escola ou no banco de uma praça. É novo, fresco e intenso como o brilho nos olhos que diz tudo sem precisar de legenda.

Eles andam de mãos dadas como quem segura o próprio universo. Pequeno, seguro, suficiente. Sussurram coisas que ninguém entende, mas que provocam risadas cúmplices, como se estivessem em outro idioma — o idioma de quem ama. De quem está descobrindo agora o que é se doar, se permitir, se perder e se encontrar no outro.

Ver dois corações se apaixonando assim — em silêncio, em trocas de olhares, em toques de leve — é um lembrete suave de que o amor ainda existe. Que, apesar dos tombos da vida adulta, dos cinismos que acumulamos, dos muros que erguemos, ele continua ali: nascendo em alguém, renascendo na gente.

Porque todo mundo já foi um pouco eles. Ou ainda sonha em ser de novo.

O primeiro amor é uma primavera dentro da gente. Um florescer que a gente carrega na memória, mesmo quando já estamos no inverno. Uma lembrança doce de quando amar era simples, inteiro e bastava um sorriso para acreditar que seria para sempre.

E talvez, de algum jeito, seja mesmo.

Disney, não — galinhas no porta-malas: quando aprendi o peso do dinheiro

segunda-feira, 2 de junho de 2025

Os 15 anos que imaginei que poderia ter versus os 15 anos que eu tive 

Como descobri o peso do dinheiro ainda criança — e aprendi que nem todo sonho cabe no orçamento e que a Disney não era para mim.

A primeira coisa que me vem à mente, minha mais antiga memória com dinheiro é do meu pai com um bolo de dinheiro nas mãos e a gente correr para o mercado gastar porque no dia seguinte ele já não valeria mais a mesma coisa. Estávamos nos anos 80, no plano Collor que congelou e sequestrou a poupança de milhares de pessoas no Brasil. A inflação estava fora de controle e os preços eram reajustados diariamente. Por isso o bolo de dinheiro – que não valia muito e valeria menos no dia seguinte – e a corrida desenfreada para garantir os itens de consumo básico antes que aumentassem de preço.

A segunda lembrança que tenho e foi nesse momento que entendi a diferença de classes sociais e que eu fazia parte da classe pobre. No ensino médio eu passei em um processo seletivo para estudar em uma escola de ponta, federal, gratuita. Acontece que nela, a antiga Escola Técnica Federal, hoje Cefet, diferente da minha escola de bairro que estudei a vida toda e tinha em sua grande maioria pessoas da mesma classe social que eu, na ETF havia jovens de todas as classes sociais, pois era uma escola muito requisitada e de prestígio.

Aos 14 anos fiz amizade com uma menina que não me lembro o nome, mas que claramente vinha de uma família com recursos financeiros. Tinha Tamagoshi assim que lançou, os melhores cadernos, estojos e mochila descolados. A minha? Uma horrível, gigante, azul marinho com vermelha que certamente duraria todo meu ensino médio – spoiler: durou.

Essa minha amiga iria ganhar de presente de 15 anos uma viagem à Disney, e como eu também ia fazer 15 anos naquele ano, ela me convidou a me juntar a ela nessa excursão por meio de uma agência de viagens.

Inocente, fui falar com meus pais meus pais que queria esse presente de 15 anos, se hoje eu rio da situação absurda que coloquei meus pais por não ter noção da nossa realidade financeira, na época eu achei que simplesmente era possível um vendedor de espetinho que mal tirava R$ 30 por dia livres e uma secretária escolar bancar uma viagem dessas.

Meu pai, meio desconexo da realidade que nem eu – tenho quase certeza de que ele é bipolar também – coitado ainda foi na agência para ver o valor de quanto sairia esse presente para sua filha primogênita.

Esse mesmo pai que trocou nosso animal de estimação, uma pastora alemã de 5 anos por um porta-malas cheio de galinhas, que vendeu nossa casa no interior por apenas R$ 3.000,00 e, ainda parcelado, foi a uma agência de viagens perguntar o valor de um pacote para Disney.

Não me lembro se eu fui, tenho umas lembranças de ter entrado em uma agência de viagens gigante em Cuiabá, mas pode ter sido de outro momento. Mas acho que fui com ele.

E então, descobrimos finalmente o valor do pacote: R$ 15.000,00 que vejam bem, poderia ser divido em parcelas de R$ 4.500,00 (não lembro quantas). A memória pode estar um pouco nublada, talvez fosse uma entrada alta e o resto em parcelas menores, mas o que descobri naquele dia: isso nunca seria para mim. Não ao menos naquela realidade financeira e classe social que eu existia. Quinze mil reais em 1996 para uma família de 5 pessoas que sobrevivia com o salário de secretária da minha mãe e dos trocados que sobravam da venda de espetinho pelo meu pai. Totalmente fora da nossa realidade! Um sonho praticamente impossível de ser realizado.

Naquele momento eu tive meu grande primeiro choque de realidade. Não culpei meus pais por não serem capazes de me dar esse presente de aniversário de 15 anos, eu entendi que o que eu sonhava estava muito distante da nossa realidade financeira, que mal poderia pagar um bolinho na nossa casa mesmo, cujas paredes sequer tinham tinta, eram apenas cinzas do reboco de cimento.

Hoje, olho para aquela adolescente com ternura. Não fui à Disney, mas viajei por caminhos que ela nem ousava sonhar. Ainda luto todos os dias para romper os muros invisíveis da classe, da origem, da falta. Mas aprendi a transformar ausência em impulso, e frustração em força. Talvez, só talvez, meu passaporte carimbado ainda venha, não como presente, mas como conquista.

Quando o frio soprou pela primeira vez Cuiabá: o inverno que mora em mim

quarta-feira, 28 de maio de 2025

 


Vinte e oito de maio de dois mil e vinte e cinto. O primeiro vento frio chegou a Cuiabá, essa cidade que me abriga desde os nove anos, mas cujo calor escaldante nunca me conquistou. Talvez porque vivamos ao lado do Portão do Inferno. Literalmente.

O céu está cinza e, para mim, isso é belo.

Lá fora, chove. Mas não é uma chuva com ventos, trovoadas, dessas que derrubam árvores ou fazem a energia cair. É uma chuva vertical, reta, contínua, quase uma prece que cai do céu ao chão. Uma cascata delicada que produz o mais delicioso dos sons: o barulhinho de chuva.

O clima pede coberta, vinho, aconchego e até afago. Mas para mim, ele desperta: energia, produtividade, criatividade.

Engraçado que não me lembro de muitos dias específicos da minha infância, mas desse dia eu me lembro com uma clareza tal, como se tivesse ocorrido ontem.

Eu devia ter uns sete, oito anos.

Estava com um vestido vermelho de crochê e uma pochete azul — sim, porque eu era uma fashionista trendsetter desde sempre! Estávamos na parte da frente da casa: eu, meus irmãos, a babá… e um boi. Ou uma vaca. Ou talvez um bezerro — nunca soube ao certo.

Eu me lembro do sol cálido tentando romper as nuvens com uma luz clara, branca. Nada daquele amarelo costumeiro. Essa luz criava pequenos pontos de calor no quintal em muretas, pedras, meu colo. Eu me sentava nesses feixes, procurando abrigo do frio.

Um vento gélido e cortante que era possível sentir na espinha de tão frio que estava aquele dia.

Lembro das pedras de rio, daquelas roliças, que meus pais colocaram em frente de casa, perto da roseira que ficava em um grande vaso de concreto, porque como a luz estava diferente, elas estavam com um brilho especial, iluminadas, mas sem arder os olhos.

Hoje, o que mais se assemelha àquela luz é a lâmpada fria - branca, quase azulada- mas, naquela época, 35 anos atrás, ela vinha direto da natureza.

Ou talvez de Deus.

Acho que foi ali que nasceu o meu amor pelo frio. Ou se não nasceu, foi quando ele se revelou.

Toda vez que o vento gélido volta a soprar por aqui, minha alma começa a se aquecer.

E a felicidade brota, simples, como o barulho de chuva numa manhã cinza.

Bem-vindo, inverno.

Pode entrar.