Do date Absolut Cinema para o gosthing do príncipe viking

quarta-feira, 25 de março de 2026

Pensando nesse título agora me veio à mente que eu tenho uma queda por vikings, pois já tivemos outro viking no meu livro Cartas da Mabi.

Me dei conta também que tenho queda por homens que simplesmente desaparecem da minha vida sem deixar rastro, ou dar sinais que irá fazer isso. O famoso: ghosting!

Ou talvez os sinais estavam lá, mas eu nada versada na linguagem do amor e há 7 anos fora do mercado, fui incapaz de interpretar. Conjecturas de um domingo de manhã sem mensagem recebida.

Veja bem, não que seja obrigação de mandar mensagem de bom dia, boa tarde, o que seja. Mas estávamos na iminência de marcar um encontro rápido apenas para dar um oi.

E sumiu! Vanished!

Mandei mensagem perguntando se ele viria me ver. Disse que não conseguia esquecer o gosto do beijo dele (aqui começo a me questionar sobre a possibilidade de ter sido emocionada demais).

Silêncio.

Desde o meio dia até domingo de manhã não recebi uma linha sequer dele.

Será que morreu? Me pergunto. Porra não tenho nem o sobrenome para procurar nos noticiários. Vacilei!

Hoje, domingo, pela manhã não me aguentei e mandei um "tá tudo bem contigo? Aconteceu alguma coisa?".

Acho que no fundo é meu cérebro querendo encontrar alguma justificativa que não seja rejeição.

Nosso encontro ABSOLUT CINEMA foi tão perfeito, ele pareceu tão na minha. Não consigo entender e, pior, estou pensando o que posso ter feito de errado para afugentar ele (sempre coloco a culpa em mim).

É horrível pensar isso e me sentir assim, mas acho que levei um ghosting mesmo do príncipe viking

Agora confiro o WhatsApp a cada 5 minutos em busca de um reply que justifique essa ausência e o bolo e que, principalmente, que confirme que não se tratava de rejeição - de novo.

Porra, Jana! You did again!

Eu sei que isso não vai me derrubar, muito menos me parar, mas estou com um nozinho na garganta e uma lágrima está teimando em querer escorrer.

Eu tenho um problema sério com rejeição (meu pai tentou me matar, casei com alguém praticamente que nem papai que matou minha alma e me rejeitou, largando só uma casca oca, minha mãe me rejeita, meus irmãos me rejeitam, minha amiga, sinto que está começando a me rejeitar).

Parece que não sou feita para ser amada, ninguém nunca quer ficar. Qual é o meu problema? Porque me sinto um cachorrinho em uma feira de adoção implorando para ser escolhido? Penso "por favor, por favor, me escolhe. Me aceita como sou". Mas nunca ninguém fica. Todos querem, desejam, eles veem e querem Gilda, mas acordam com a Jana.

Não me aguentei. Mandei mais uma mensagem perguntando cadê ele dizendo que já estava ficando preocupada. E realmente pensei na possibilidade de acidente, sei lá.

Só queria ir para casa escrever agora, mas não tenho o note aqui comigo agora. Enfim, estou presa aqui com meus pensamentos porque nem Kafka eu trouxe para a interna de 48h. E digitar no celular já está fazendo doer meus pulsos. Ambos. Só queria paz na mente esquecer esse embuste.

O plot twist: O Benfiquista, o vácuo e a volta por cima

O Cinderelo resolveu dar as caras. Disse que foi assistir ao jogo do Benfica ontem, saiu para jantar (até aqui ele tinha dito que faria), encheu a cara, chegou em casa e dormiu que nem pedra.

Não sei o que pensar, mas o encontro está de pé e ele vai cumprir seu objetivo. Me fazer voltar para o jogo depois de anos andando pelo vale das cinzas, da sombra e da morte. Depois do ato, eu VRAU, comerei a cabeça dele, tal qual uma viuva negra.

Terça-feira o jejum de 7 anos acaba. Não porque o príncipe acordou, mas porque a Rainha decidiu que o campo de jogo agora é em Benfica. Alguém traz o VAR, porque eu vim para ganhar.

Passaporte do Amor: Crónicas de Dates na Europa

terça-feira, 24 de março de 2026

Certo dia scrollando pelo Instagram, parei em um vídeo da Gabu falando do Passaporte Sexual,  e nos comentários as pessoas colocavam as mais diversas bandeiras de países para ilustrar as nacionalidades que já haviam tido um encontro amoroso, sexual, ou apenas date. Eu tristemente comentei "dessa conversa, eu infelizmente não participo, mas participarei". Desde então venho pensando nesse passaporte, especialmente quando mudasse para a Europa. 

Dizem que quando mudamos de país, levamos apenas o essencial na mala. Eu trouxe 15 anos de comunicação, uma obsessão por batons vermelhos e a ingénua ideia de que o amor em solo europeu seria um filme clássico com banda sonora de jazz. 🍷🎬

A realidade? Bom, a realidade é Absolute Cinema, mas às vezes o argumentista é um tanto... imprevisível.

Entre um 'Viking' que gere impérios mas não gere o tempo de uma resposta no WhatsApp, e as fugas estratégicas de quem promete o mundo e entrega o silêncio (ou apenas uma ressaca pós-jogo de futebol), percebi uma coisa: eu sou a autora desta história.

Decidi que o meu jejum de 7 anos não é uma espera passiva, é uma escolha de roteiro. A partir de hoje, inauguro aqui a série Passaporte do Amor. Vou usar o meu dom de captar depoimentos e a minha própria pele para investigar os dates, os desastres e os deslumbres de se procurar conexão em terras lusitanas.

Qualquer paixão me diverte, mas o meu foco agora é o meu portfólio. Porque se a vida me dá limões, eu passo um gloss de cereja e escrevo um capítulo. 🍒🖋️

Preparem-se: o embarque foi autorizado.

Meu primeiro date europeu: ABSOLUTE CINEMA!

sexta-feira, 20 de março de 2026

Tudo começou dias antes, no final de semana, quando “conversamos muito mesmo para tentar nos conhecer” e ele sugeriu irmos a uma gruta perto de onde moro. Veja bem: ele mora em Lisboa, uma hora de viagem de carro de onde estou. Já fiquei intrigada pelo viking do meu vision board (ele nem sonha com isso) despencar de lá para vir me ver aqui.

Falei que a previsão era de chuva, pois uma nova tempestade estava chegando, a Teresa. Ele riu e disse que iria fazer sol, e chover apenas às 19h. Concordei com o date, pois um local conhece melhor o tempo do que eu, uma forasteira.

Chega o dia. Bato a bendita da gilete, pois "vai que". Pintei as unhas, fiz as sobrancelhas para tentar me reconectar com a minha deusa, pois estava tão focada em trabalho, documentação e burocracia que me deixei de lado desde que cheguei a Portugal, em novembro.

Na hora marcada, ele me chega em uma nave que nem sei o nome e pensei: “Caraca, tudo isso por mim?”. Um carro chique, opulento, como quem diz “quero impressionar”. E impressionou!

Fiquei com vergonha. Afinal de contas, estava há 7 anos fora do mercado (alguns beijos no "novinho" não contam, pois eram festas e eu estava bêbada). A timidez bateu, mas a vontade era pular no pescoço do viking de olhos tão azuis que davam para ver o mar em um dia perfeito de sol dentro deles. “Meu Deus, como esse homem tão lindo pode se interessar por mim?”, pensei — e sim, sei de todas as implicações desse tipo de pensamento.

Lapa de Santa Margarida datada do século XVII

Fomos para uma gruta do século XVII. Um tempo nublado do cacete, uma leve garoa, e eu só ria do date furado. Lá era escuro, com uma leve luz do sol entrando por um buraco na rocha, e eu pensando: “Esse fdp não vai me beijar não?”. Saí desapontada, pensando que ele iria me fazer subir e descer aquele tanto de escadas, entrar em grutas sem me beijar. “Deve ser porque não gostou de mim e está apenas a cumprir protocolo”.

E fomos, sem beijo, para outro lugar, cheio de cantos escuros que estavam mais para creepy do que românticos. No terceiro lugar, um forte em um miradouro, começou a ventar muito e fomos para um lugar alto, dentro do forte, que tinha uma janela com uma vista incrível! Ficamos lá por algum tempo e ele teve, finalmente, a atitude de tocar meus ombros, como quem faz uma massagem, apenas pelo contato, pelo toque. Achei fofo, mas, infelizmente para a minha tristeza, ficou apenas nisso.

Forte 7ª Bataria - Arrábida

Aí, em frente a um canhão de trocentos anos (esse da foto), com a vista mais linda do mar e da cidade, ele me deu um beijo perfeito! ABSOLUTE CINEMA! Encaixou perfeitamente! Meu Deus, que beijo perfeito!

Depois fomos a outro local com vista de Sesimbra e nos beijamos mais. Fomos para o carro, a coisa esquentou, mas não rolou sexo, apenas brincadeiras gostosas. Ele me disse que sou muito gostosa várias vezes. Isso foi um afago no meu ego e um remédio para minha baixa autoestima, complexada por ser gorda. Acho que eu me subestimei tanto que não achei que era desejável. Eu me pegava olhando para ele — o tipo de homem dos meus sonhos — olhando para mim com um desejo que me fazia dar uma risada interna gostosa de pensar que o homem do meu vision board tinha se materializado na minha frente!

Foi surreal de incrível! Estou sorrindo de orelha a orelha, mas sem perder o foco do porquê estou aqui e dos meus sonhos. Acho que posso ter uma coisa e outra. 

Embora a experiência no meu casamento tenha me feito achar  que, para amar, teria de me entregar total e cegamemte, deixar de ser quem sou e me anular pelo outro. Por isso tenho muito medo de amar novamente, pois não sei se saberia me manter intacta, a salvo.

Porém isso foi em outra vida quando eu não era diagnosticada, não tratava o TAB, não fazia terapia, não tinha rede de apoio nem amigas para ver as red flags (até porque afastei todo mundo) e, principalmente, não era medicada. Acho que hoje consigo me colocar em primeiro lugar na minha vida e, talvez, ainda abrir espaço para o outro.

Ele é inteligente, trabalhador, cavalheiro e veio me buscar em um jeep BMW! PQP! Não estou apaixonada nem nada, mas sinto as borboletas baterem asas no meu estômago e quero ver aonde isso irá me levar. Foi um encontro MÁGICO, como eu merecia ter!