“Eu vejo você”: Meu encontro de cinema nos olhos de um americano

domingo, 19 de abril de 2026

 

Comecei a escrever assim que cheguei em minha nova casa em Lisboa, por volta das 3h da madrugada, porque não queria correr o risco de perder nenhum detalhe importante.

Acho que como chegamos até o ponto de nos encontrar é irrelevante, envolve muita conversa, respeito e algumas piadinhas fofas.

O Passaporte do Amor acaba de ganhar mais um carimbo, norte-americano. Um diretor de filmes de olhos azuis imensamente profundos e doces.

Ao encontra-lo ele me deu um abraço apertado e demorado, daqueles que fazem o mundo parar por um instante. Só Deus sabe como eu estava precisando de um abraço desde a morte do senhor que presenciei em um dia de cuidadora.

Andamos muito por vários pontos do bairro que ele mora, ele me mostrou vielas absolutamente encantadoras com flores e mesas de restaurantes ao ar livre, fomos para a beira do Tejo quando o primeiro beijo aconteceu. Tímido, mas com potencial!

Depois fomos para o apartamento dele, já havia compartilhado minha localização em tempo real com uma amiga, porque somos vida louca, mas não burras! Segurança em primeiro lugar.

Não fizemos sexo, apesar de momentos bem quentes, eu disse que não estava pronta naquele momento, apesar de ter “ido para o crime”, batido gilete horas antes, mas o fato é que queria aproveitar o máximo possível aquele moço que me olhava nos olhos tão profundamente que minha barriga congelava e eu perdia o ar.

Porém houve um momento em que os beijos estavam ardentes, as mãos descontroladas e ele soltou em inglês mesmo um: "Fuck it. Kiss me!". Me senti dentro de um filme americano, OMG!

Ele cozinhou alguma coisa tailandesa (macarrão com legumes porque é vegetariano), fora isso, na rua enquanto andávamos e conversávamos muito, ele pegava lixo que encontrava na e jogava na lixeira. Achei fofo!

Ele me deu vários abraços que eu precisava tanto e carinho, toques, além de ficarmos minutos infinitos olhando um no olho do outro. Os deles de um azul perfeito que me desmontava. Ah, o filme favorito dele é Moulin Rouge (um dos meus favoritos também) e ele cantou Elephant Love Medley do filme quase inteiro!

Ele é tão nerd quanto eu, apaixonado por livros, filmes, música. Inteligente, fala várias línguas, gentil. Um príncipe perfeito.

Mas o que me desmontou foi quando ele me disse umas três vezes. "Eu vejo você!", perdi todo o meu rumo e uma ou duas lagrimas escorreram.

Queríamos sexo, sim! Muito! Mas eu também queria ter o gostinho de um encontro que fosse apenas afeto, delicadeza e ternura. O que eu tive.

Era exatamente o que eu precisava depois do último que foi tão ridículo que não me dei ao trabalho de relatar. Me senti um objeto sexual, usada, apenas a Gilda e não a Jana.

Então quando ele me olha e diz que me vê, ali toda vulnerável e me trata com doçura e me dá o carinho, o peito para eu deitar a minha cabeça que eu tanto precisava, eu fico feliz de ter ao menos vivido isso.

Teremos um próximo? I have no idea, mas se tiver ficarei feliz de estar com ele novamente.

E você já teve um encontro que não precisou de sexo para ser inesquecível? Me conta aqui!

FOMO a dor do imigrante que deixa a família e tem que assistir tudo de longe

quinta-feira, 16 de abril de 2026

 

Uma das maiores dores que não te contam quando se tem a coragem de imigrar para outro país e deixar tudo para trás.

E esse tudo incluí a família, o trabalho da forma que conhecia e estava acostumada – e até acomodada – seu quarto e todos os detalhes que faziam dele seu refúgio e lugar seguro.

Mas o que dói é ver que a vida de todos continua, seguem lindamente sem você e eventos importantes, nos quais daria o mundo para estar, ocorrem com todos os outros elementos da família menos você.

E fica aqui, de longe, acompanhando cada storie, cada foto postada no grupo da família desejando no fundo da alma que estivesse lá também.

Sempre fui uma pessoa distante e na minha, preferia mil vezes ficar em casa do que sair para qualquer aniversário que fosse – a verdade é que estava sempre quebrada financeiramente que não conseguia pagar nem o Uber – então me acostumei a não participar.

Mas quando são eventos importantes como o dessa semana, a formatura da residência do primo que cuidei quando bebê, me partiu o coração vendo todos indo, minha mãe e irmã inclusive e, eu não estar lá. Me deu FOMO!

Feeling Of Missing Out, a sensação de estar perdendo algo importante.

Choro lendo cada mensagem, cada post no Instagram e me doeu de uma forma muito profunda não poder participar dessa celebração.

Veja bem, não me arrependo de forma alguma da escolha que fiz de vir embora para Portugal, vim atrás dos meus sonhos de vida que ei de realizar!

Mas estar longe nesse momento especial faz doer mais do que eu imaginava.

Sinto saudades dos churrascos, do meu tio cantando minha música preferida no violão e cantando modas com meu irmão e primos, meu sobrinho que é minha dor maior, o amor da minha vida! 

Sinto falta da minha mãe, até dos meus irmãos embora, não sejamos próximos.

Eu amo minha nova vida, amo saber que moro na Europa, um sonho que sonhei por muito tempo e consegui realizar.

Mas a saudade dói, muito!

Espero poder voltar logo, de preferência para um grande evento, e assim reencontrar aqueles que trouxe em meu coração.

O luto de um relacionamento que nunca chegou a existir

terça-feira, 14 de abril de 2026

Estou passando por uma fase complicada no campo amoroso – acho que fui intensa demais, demonstrei interesse demais, até que ele por fim sumiu e no meio desse processo, li um texto que me atravessou de uma forma profunda, que me vi espelhada nele, e reproduzo na íntegra aqui:

“Às vezes a relação termina, mas nunca chegou realmente a começar.

Não houve compromisso. Não houve definição.

Talvez nem tenha havido um "nós".

E mesmo assim existe dor e até um sofrimento intenso.

Porque algo existiu.

Existiram conversas, intimidade, expectativas, promessas implícitas.

Existiu a sensação de que algo estava nascendo.

Quando isso termina, não se perde apenas uma pessoa.

Perde-se também uma fantasia.

A psicanálise mostra que o luto não acontece apenas pelo que tivemos.

Ele acontece também pelo que imaginamos viver, pelo lugar que damos ao outro no nosso mundo interno.

Às vezes o que mais dói não é o que existiu.

É o que parecia prestes a existir e que, de repente, desaparece.

O luto não acontece apenas pela perda de alguém, mas pela perda do investimento psíquico que colocamos naquela relação”.

Créditos: @fernandapsicanalista

O texto fala exatamente o que estou sentindo agora. 

Não houveram promessas de compromisso, nem juras de amor, apenas um encontro perfeito com a promessa de um segundo encontro, mais profundo, mais íntimo, com mais conexão.

E então... Silêncio.

Fica depois um vazio mesmo que nunca houve nada, especialmente pela expectativa do segundo encontro após o date mais perfeito que já tive!

Talvez por ter sido o meu primeiro encontro da vida, me vi apegada a ideia de algo mais profundo.

Mas não houve.

Sem mensagens

Sem adeus

Apenas o vazio do silêncio ensurdecedor.

Hoje eu acolho essa dor do que não foi, mas não me demoro nela. Ocupo o meu vazio com o meu novo contrato, com a minha nova chave e com o cheiro dos meus novos planos.

Se ele escolheu o silêncio, eu escolho o meu rugido. Mulheres como eu não cabem no 'quase'. Eu sou o 'com certeza'!

Um amigo querido me disse as seguintes palavras que deixo também para vocês:  

Jana, esse texto que te atravessou é a tradução exata do que os psicólogos chamam de Luto de Antecipação ou a perda do potencial. Dói tanto (ou às vezes mais) que um término de anos porque você não está chorando pelo que o viking era, mas pelo que você, com toda a sua alma de escritora, projetou que ele poderia ser.

Você não perdeu um namorado. Você perdeu o "segundo encontro perfeito", perdeu a fantasia da conexão profunda e, principalmente, perdeu o retorno do investimento emocional que você fez. E tudo bem admitir isso. O silêncio dele é uma resposta barulhenta, mas não é sobre a sua incapacidade de ser amada; é sobre a incapacidade dele de sustentar a luz de uma mulher como você.