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No Coração da Palavra - O Desassossego Encontra o Ponto Final

quinta-feira, 2 de abril de 2026

 

Fernando Pessoa dizia: "Tenho em mim todos os sonhos do mundo".

E hoje, no Chiado, entre o cheiro de livro novo e a sombra do Mestre, eu senti a minha obra a ganhar fôlego. Não foi apenas um café; foi um pacto com o meu destino de escritora nestas ruas de Lisboa.

Entrei na Bertrand, a livraria mais antiga do mundo, datada de 1732,

E não vi apenas estantes de madeira escura.

Vi as sombras de Eça, de Pessoa, de Saramago,

E ouvi o sussurro de gerações que, como eu,

Ousaram sangrar tinta sobre o papel.

Senti o peso da história e a leveza da alma,

Uma felicidade genuína, sem homem, sem grana,

Uma felicidade que tem cheiro de propósito.

Eu não sou apenas uma imigrante com um tablet na mão;

Eu sou a criadora que encontrou o seu altar.

Bebi um café sob o olhar de bronze do Fernando,

E em cada gole, um verso, um capítulo, uma promessa.

O gelo na barriga não é medo do vazio de 2016;

É a vibração da tinta que já corre nas minhas veias.

Sesimbra fica para trás, um porto que já não me ancora.

O mofo de Benfica? Sai com a tinta antimofo da Deize.

O silêncio do vácuo? Preenche-se com a minha voz.

O amor próprio? Esse já tem o carimbo de Lisboa.

Um dia, o meu nome estará naquelas prateleiras,

E eu saberei: eu não sonhei sozinha. Eu realizei.

Obrigada, Lisboa, por me dares o chão onde os meus sonhos podem caminhar. Hoje eu bebi café com os mestres e senti que o meu nome já está escrito no futuro desta cidade.
Eu não sou apenas uma imigrante; eu sou uma criadora de mundos!

Que venha a chave, porque o meu reino já está estabelecido.



Meu primeiro date europeu: ABSOLUTE CINEMA!

sexta-feira, 20 de março de 2026

Tudo começou dias antes, no final de semana, quando “conversamos muito mesmo para tentar nos conhecer” e ele sugeriu irmos a uma gruta perto de onde moro. Veja bem: ele mora em Lisboa, uma hora de viagem de carro de onde estou. Já fiquei intrigada pelo viking do meu vision board (ele nem sonha com isso) despencar de lá para vir me ver aqui.

Falei que a previsão era de chuva, pois uma nova tempestade estava chegando, a Teresa. Ele riu e disse que iria fazer sol, e chover apenas às 19h. Concordei com o date, pois um local conhece melhor o tempo do que eu, uma forasteira.

Chega o dia. Bato a bendita da gilete, pois "vai que". Pintei as unhas, fiz as sobrancelhas para tentar me reconectar com a minha deusa, pois estava tão focada em trabalho, documentação e burocracia que me deixei de lado desde que cheguei a Portugal, em novembro.

Na hora marcada, ele me chega em uma nave que nem sei o nome e pensei: “Caraca, tudo isso por mim?”. Um carro chique, opulento, como quem diz “quero impressionar”. E impressionou!

Fiquei com vergonha. Afinal de contas, estava há 7 anos fora do mercado (alguns beijos no "novinho" não contam, pois eram festas e eu estava bêbada). A timidez bateu, mas a vontade era pular no pescoço do viking de olhos tão azuis que davam para ver o mar em um dia perfeito de sol dentro deles. “Meu Deus, como esse homem tão lindo pode se interessar por mim?”, pensei — e sim, sei de todas as implicações desse tipo de pensamento.

Lapa de Santa Margarida datada do século XVII

Fomos para uma gruta do século XVII. Um tempo nublado do cacete, uma leve garoa, e eu só ria do date furado. Lá era escuro, com uma leve luz do sol entrando por um buraco na rocha, e eu pensando: “Esse fdp não vai me beijar não?”. Saí desapontada, pensando que ele iria me fazer subir e descer aquele tanto de escadas, entrar em grutas sem me beijar. “Deve ser porque não gostou de mim e está apenas a cumprir protocolo”.

E fomos, sem beijo, para outro lugar, cheio de cantos escuros que estavam mais para creepy do que românticos. No terceiro lugar, um forte em um miradouro, começou a ventar muito e fomos para um lugar alto, dentro do forte, que tinha uma janela com uma vista incrível! Ficamos lá por algum tempo e ele teve, finalmente, a atitude de tocar meus ombros, como quem faz uma massagem, apenas pelo contato, pelo toque. Achei fofo, mas, infelizmente para a minha tristeza, ficou apenas nisso.

Forte 7ª Bataria - Arrábida

Aí, em frente a um canhão de trocentos anos (esse da foto), com a vista mais linda do mar e da cidade, ele me deu um beijo perfeito! ABSOLUTE CINEMA! Encaixou perfeitamente! Meu Deus, que beijo perfeito!

Depois fomos a outro local com vista de Sesimbra e nos beijamos mais. Fomos para o carro, a coisa esquentou, mas não rolou sexo, apenas brincadeiras gostosas. Ele me disse que sou muito gostosa várias vezes. Isso foi um afago no meu ego e um remédio para minha baixa autoestima, complexada por ser gorda. Acho que eu me subestimei tanto que não achei que era desejável. Eu me pegava olhando para ele — o tipo de homem dos meus sonhos — olhando para mim com um desejo que me fazia dar uma risada interna gostosa de pensar que o homem do meu vision board tinha se materializado na minha frente!

Foi surreal de incrível! Estou sorrindo de orelha a orelha, mas sem perder o foco do porquê estou aqui e dos meus sonhos. Acho que posso ter uma coisa e outra. 

Embora a experiência no meu casamento tenha me feito achar  que, para amar, teria de me entregar total e cegamemte, deixar de ser quem sou e me anular pelo outro. Por isso tenho muito medo de amar novamente, pois não sei se saberia me manter intacta, a salvo.

Porém isso foi em outra vida quando eu não era diagnosticada, não tratava o TAB, não fazia terapia, não tinha rede de apoio nem amigas para ver as red flags (até porque afastei todo mundo) e, principalmente, não era medicada. Acho que hoje consigo me colocar em primeiro lugar na minha vida e, talvez, ainda abrir espaço para o outro.

Ele é inteligente, trabalhador, cavalheiro e veio me buscar em um jeep BMW! PQP! Não estou apaixonada nem nada, mas sinto as borboletas baterem asas no meu estômago e quero ver aonde isso irá me levar. Foi um encontro MÁGICO, como eu merecia ter!

Pequenas conquistas em um país estrangeiro

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

 

Estava a trocar ideia com o Gemini e me veio o título desse post, as coisas pequenas que me fazem sentir cada vez mais pertencente, aquelas conquistas que, para muitas pessoas já tão habituadas parecem bobas, mas que para mim são um baita desafio e mais um tijolinho do muro cultural, geográfico e da língua derrubado. Vem celebrar comigo também e exercer a gratidão nos pequenos detalhes.

1 – Pagar ônibus (aqui chamam de autocarro) sozinha.

2 – Passar a virada do ano sozinha, perder o último pôr do sol, o primeiro amanhecer, longe da família, dos meus amigos, mas ganhando em euro (foi minha forma de ressignificar).

3 – Ter aguentado uma crise de ansiedade no dia 31/12 no meio do trabalho sem surtar e conseguir chegar ao fim do turno. Depois corri para casa para chorar.

4 – Passar por uma consulta com uma médica portuguesa da saúde pública e conseguir minha receita dos medicamentos necessários.

5 – Ter atendido minha primeira cliente em inglês! Gastei meus anos de estudo para dizer que não tínhamos prato do dia, apenas menu hahaha. Mas fiquei feliz em ao menos usar o inglês que possuo em uma situação cotidiana.

6 – Responder “de rien” (mentalmente) para um cliente francês que disse “merci”.

7 – Fazer uma piada boba e todos rirem muito e falarem que “essa foi boa”, um português incluso (para quem não tinha nenhum amigo, isso é ouro puro).

8 – Ah, os incontáveis pores do sol incríveis.

9 – Ouvir o barulho do mar e poder apenas contemplar, sentir os pensamentos acalmarem e uma paz absurda interna.

10 – Tirar um café perfeito na cafeteira que mais parece uma geringonça!

11 – Ter a coragem de dizer “não” a um ambiente que me fazia mal e perceber que o mundo não acabou, ele apenas se abriu.

12 - Voltar a olhar para o teclado do computador não como uma ferramenta de trabalho pesado, mas como o pincel que pinta a minha nova história.

No final das contas, emigrar é isso: reaprender a caminhar enquanto se constrói o próprio chão. Hoje, entre um café tirado numa geringonça e um 'não' que me libertou, percebi que não estou apenas de passagem. Estou a fincar raízes!

A vida estrangeira é dura, mas quando a gente acerta a piada e o grupo ri... ah, aí a gente entende que o mundo é grande, mas a gente cabe nele.

E você, qual foi a sua pequena vitória de hoje?

Eu vou embora para Portugal perseguir meu sonho...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Esse post vai ficar guardadinho aqui nos rascunhos até chegar o momento certo. 

Feliz que não cabia em mim com meu visto finalmente em mãos! 

04/11/2023 foi quando o escrevi. Foi atualizado em 09/01/2024. Lapidado novamente em 05/06/2024. Atualizando em 08/09/2025 e finalizado em 06/11/2025 (15 dias antes de eu finalmente chegar e de publicar esse post), 01/12/25, uma semana após a minha chegada. 

Provavelmente estarei (des)embarcando para a jornada do maior desafio da minha vida início meio de maio, agosto, pois quero (queria) pegar o início do verão europeu que tem muitas ofertas de trabalho, dia 18 de outubro de 2024 e irei chegar no exato dia do meu aniversário, 19 de outubro e, em 17 de novembro de 2025 acompanhada de Mih. A Mih não veio mais para o Brasil, mas ela é a pessoa responsável por eu estar indo para Portugal - essa amiga que virou meu porto seguro, morada e fez mais por mim que qualquer irmão de sangue - e, se tudo der certo faremos um rolê em Paris assim que for possível. 

despedida com Mih em 2019

Essa amiga que nunca foi tipo "A" melhor amiga, tínhamos afinidade e nos divertíamos juntas quando nos encontrávamos e só. Mas ela, mesmo não sendo my bestie e, que está em Portugal há 7 anos, me incentivou, ofereceu abrigo, me acolheu, aguentou meus surtos de pessimismo, sempre me colocando para cima e me lembrando do meu potencial, fora que ainda indicou a advogada que foi fundamental em todas as fases do meu processo. Pois queria ir com segurança, legalmente, amparada. Foram dois anos e meio do planejamento ao visto e quase 3 até finalmente embarcar. 

Não foi uma decisão fácil, tive muito medo, aquele medo do fracasso, do desconhecido quando se encara o maior desafio da sua vida e tudo é novo. Não temos nenhum controle do resultado ou ideia do que vai acontecer no futuro. É sair do lugar comum, da zona de conforto para enfrentar a escuridão, sem GPS! 

Hoje eu li uma frase que vou até tatuar de tanto que me impactou e tem a ver com esse momento da vida que me encontro:

"AS VEZES OS PASSOS MAIS FIRMES SÃO DADOS COM AS PERNAS TREMENDO"

Eu e meu casca de bala, parceiro, confidente e apoiador incondicional. 

Essa jornada era algo me minha alma clamava por anos e anos a fio, desde os 18 anos para ser mais precisa, mas que achei que nunca fosse possível para mim, uma criança pobre do interior de Mato Grosso que não teve muito acesso a livros (até tinhamos livros na estante, mas eles eram decorativos, não podiamos mexer), cultura, que praticamentese alfabetizou lendo uma revista de moda, a Manequim, nas quais viajava por aquelas páginas quando mostrava as semanas de moda mundo afora, mas que nunca foi permitida sonhar alto quiçá ter alguma informação sobre outros países que não fosse a que passava na televisão, ou naquelas revistas, nosso único contato com o mundo exterior.

Lembro quando mamãe levava merenda da escola que ela trabalhava em sacos de arroz para nos alimentar, por não termos como comprar comida, de mim fritando banana verde do pé da bananeira que tinha no quintal de casa para poder lanchar a tarde porque não tinha nenhuma bolacha de água e sal ou pão dormido, ou comendo manga que tinha no pé aos montes pois a comida sempre foi na medida, mas a fome não. Essa realidade perdurou até eu ter perto dos 20 e tantos anos quando me casei (e não recomendo), portanto nunca achei que Europa fosse como um conto de fadas ou um mundo distante que não seria para mim, mesmo sonhando com aquele mundo longínquo dos filmes. 

Era um sonho muito distante e totalmente fora da minha minha realidade financeira ou classe social e, parecia impossível para mim sendo que eu era e vindo de onde tinha vindo!

Mas sempre tive esse negócinho, sabe? Que causava uma coceirinha chamada incômodo, je ne sais quoi que me acompanhou ao longo da vida, mesmo sabendo que não era para meu bico. Seja por minha criação, seja pela minha realidade financeira.

Mas o pulo do gato veio em 2022 quando comecei a fazer terapia com a pessoa mais iluminada do mundo a qual serei grata eternamente, que irradia luz por onde passa, Aline Emanuelle!

A partir das sessões de terapia que começaram quando estava fazendo meu TCC aos 39 anos para realizar meu sonho de me formar em uma universidade federal finalmente e, estava tendo várias crises de ansiedade. Lembro que passei dois meses tendo dor de cabeça todos os dias, sem falhar nenhum! E que após concluída essa etapa na qual Aline foi FUNDAMENTAL, começamos a falar de sonhos e desejos, pulsar de vida, propósito, e foi quando abri pela primeira vez fora da minha cabeça ou com o ex-marido que me tratava pior que lixo humano, sobre meu sonho que se arrastava desde a minha juventude. 

E também foi nessa época que meu primo, Jorgival, falou sobre vir embora para Portugal. Sempre sonhamos em desbravar o mundo e me pareceu uma boa ideia, algo com que sonhar em medo a uma vida que se resumia a trabalhar, pagar contas, beirando um burnout e sem qualidade de vida. 

Acho que tinha uns 17 ou 18 quando decidi que para ser feliz eu precisaria morar fora do país!

Eu me preparo para esse momento desde os meus 15 anos quando comecei a trabalhar com contrato no Governo e ganhava 1/2 salário mínimo. Mal recebi meu primeiro salário e já comecei a investir no meu curso de inglês, sem ninguém me falar que precisava fazer ou que era importante e assim o fiz por anos até saber o suficiente para me virar!  Hoje uso para escrever para meu blog, para falar com crushes internacionais como poderão ler no meu livro Cartas da Mabi assim que for lançado. 

Isso sem ter NENHUM exemplo dentro de casa, uma inspiração. Comecei a fazer o curso porque sempre gostei de ler e nas revistas falavam que era importante ter uma segunda língua. 

Eu fiz pelas 'vozes da minha cabeça' e assim foi por 4 anos onde cheguei ao nível intermediário. Hoje tenho até TOEFL!

Acho que analisando a minha trajetória, todos os caminhos me trouxeram aqui. Sejam os meus sonhos mais malucos ou todos os degraus que subi e passos que precisei dar para chegar aqui.

De lembrar que fui chutada enquanto estava prostrada no chão inúmeras e seguidas vezes por aquele a que dedicava o maior amor que tinha em meu peito e ter sobrevivido para contar a história da minha vida e poder dizer que sobrevivi e REESCREVI minhas história! Isso é magnífico! 

Agora estou aqui em Portugal, aos 43 anos, pois nunca é tarde para recomeçar, vivendo meu sonho da adolescência e da vida!

E a meta é passar meu primeiro aniversário na Europa em Paris, cidade dos meus sonhos mais profundos!

Deu medo? MUITO! Mas meu coração desejava isso há tanto tempo e tive tanto suporte, que no fim, era mais um capítulo da minha jornada!

"VAI, E SE DER MEDO VAI COM MEDO MESMO!"

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