Eu nunca tive um date!
Sim, aquele evento canônico na
vida de toda a mulher de conhecer alguém, “conversar muito mesmo para tentar se
conhecer”, parafraseando Legião Urbana, depois marcar um encontro e ver o que
acontece.
Pensar no look, bater gilete –
mas será que vai precisar? Pensar em até onde se abrir para não ser emocionada
demais, expansiva demais, intensa demais. Dosar palavras, gestos, sentimentos e
sensações para não afugentar o afortunado pretendente.
Se fizer sexo no primeiro
encontro será considerada uma vadia? Mas devo esperar então um segundo?
Terceiro? Qual a regra? Aliás existe regra?
Tantas questões...
E o para entornar ainda mais o
caldeirão das incertezas, marquei esse date em um estado de euforia da mania
bipolar – que é tão fugaz quanto um sopro de vento em um dia muito quente. Será que irá durar até a data marcada?
Veja bem, eu já me relacionei
com homens, já fui casada.
Mas das poucas vezes que me
aventurei em solos românticos, em um fugi para São Paulo para um encontro que
foi com tudo que tinha direito e um mês depois estava indo de vez para a terra
da garoa morar junto com o dito cujo. Passaram-se 11 anos, o amor acabou e
apenas depois de 3 anos me senti recuperada da pancada emocional do término para consegui me abrir para outra pessoa: “o novinho”.
10 anos mais jovem, gostava
das mesmas coisas que eu, filmes e livros e um belo dia o chamei ver um filme e dei um
chá. O resto é história.
E só! Essas foram as minhas
experiências com encontros na vida.
Os da adolescência não
considero, porque era uma outra vida, a gente só beijava na boca – várias,
aliás – e era feliz no simples, dividindo uma coca-cola de 2 litros no terraço
de um shopping no qual ficávamos a tarde toda de mãos dadas. Ou nos beijávamos em bancos de pracinhas da
cidade depois da aula. Bons tempos.
Agora, date como esse de
buscar em casa, ir a um café depois passear em um lugar legal e, só Deus sabe o
que vai acontecer, nunca tive.
E isso está me aterrorizando!
Não sei o que fazer, como me
comportar.
Enfim, o frio na barriga das
primeiras vezes, que nesse caso será aos 43 anos.
É uma sensação gostosa, não
nego, mas totalmente fora do meu controle em uma nova vida de imigrante cheia
de descontroles.
Queria ser leve e apenas
aproveitar o momento e ver onde ele leva, mas para corações quebrantados e
intensos, uma faísca já se torna um incêndio.
Vou me apaixonar se ele me
olhar do jeito certo, no fundo dos olhos com um sorriso no rosto e um beijo
perfeito? Possivelmente.
Vou quebrar a cara mais uma
vez no campo do amor? Possivelmente também.
Mas quando digo que “vai, e se
der medo, vai com medo mesmo” é meu lema de vida, eu levo isso plenamente a
sério.
Acho que no fim das contas isso
é apenas viver.
E se for para ser mais uma decepção,
pelo menos fortalece, como sempre.
Ou, o mais inimaginável ainda, pode ser o começo de uma grande história – que seja pelo menos na ficção.
Um brinde as primeiras vezes!
E aos recomeços!
