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O Surrealismo das Laranjeiras

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Lisboa tem um cheiro específico nas manhãs de sábado: é uma mistura de café torrado com a humidade das pedras antigas e uma pitada de esperança vã. Eu acordei com a determinação de uma onça. O destino? As Laranjeiras. O objetivo? Um número. O tal do NISS, esse código de barras da alma que me separa da minha próxima vida executiva.

O meu dia começou no Colombo, aquele templo do consumo que, às nove da manhã, ainda boceja. Fui direta à Note!. O som da impressora cuspindo o meu agendamento da AIMA era como música clássica. Ali, naquele papel térmico, estava a prova de que eu existo, de que sou uma "procuradora de trabalho" com selo oficial. Saí de lá com o meu escudo de papel na mão, pronta para a batalha.

Duas paragens de metro depois, a realidade deu-me um estalo de luva branca.

A Loja do Cidadão das Laranjeiras não é um edifício público; é um ensaio sobre a cegueira de Saramago misturado com um quadro de Salvador Dalí. Cheguei e o painel de senhas já tinha morrido. "Não há senhas para a Segurança Social", dizia o segurança com aquela indiferença de quem já viu mil impérios caírem antes do almoço.

Olhei para o relógio. Olhei para o meu papel impresso. Olhei para a multidão de rostos ansiosos, todos à espera de um milagre burocrático que não veio. É um surrealismo cruel: o sistema pede-me um comprovativo que ele próprio não consegue processar, e quando eu levo o corpo e a alma até ao balcão, o balcão fechou-se para balanço.

Voltei para Benfica com oito euros na conta e uma dignidade que, curiosamente, não se mede em dígitos. O meu pedido online foi indeferido por um algoritmo que não sabe ler entrelinhas, que não entende que um agendamento para junho é o meu "estou aqui e não vou embora".

Mas a ironia é a melhor parte da escrita. Agora, enquanto o sol se põe e o tempo nublado me rouba a luz da L'Oréal, eu preparo-me para outro tipo de inspeção. O NISS falhou hoje, mas o meu batom vermelho Lancôme não falha nunca.

Vou trocar o surrealismo das senhas pelo mistério de um copo de vinho no Cais do Sodré. Porque em Portugal, se a burocracia te fecha a porta, tu pintas os lábios, vestes o trench coat e esperas pelo próximo capítulo. Afinal, uma onça não chora por senhas perdidas; ela guarda as garras para quando o banquete for, finalmente, servido.

A Carrie Bradshaw de Lisboa (A Crônica dos Copos e Fardas)

terça-feira, 21 de abril de 2026

 

Lisboa é uma cidade de subidas íngremes e promessas de jantares que viram copos.

Conheci um homem que prometeu o mundo, passeios em praias paradisíacas no verão, vistas de pores do sol de tirar o fôlego, mas na hora H oferece um "copo" às 21h30 e um “vamos para casa tirar essa roupa”.

O vermelho do batom é a minha única certeza nessa noite de incertezas, que começou com um jantar e vai terminar sabe-se lá Deus como, provavelmente comigo dormindo na minha cama depois do bendito copo.

Já tinha minuciosamente calculado o look com vestido vermelho e trench coat, adequados para um jantar, mas precisei recalcular a rota para algo mais simples que combine com a despretensão de “um copo”, que por acaso estou tomando em casa, na minha cama, ouvindo minha música sem ter que fazer caras e bocas para assuntos extenuantes de um primeiro encontro.

Já começo ele na base do ódio.

Pois já comecei a receber menções sutis a membros entumecidos, “por minha causa”, disse.

Se eles soubessem quão broxante é receber uma foto não solicitada de piroca!

Quando recebo foto de visualização única já começo meu processo de broxar e desinteresse.

É automático.

Eu estou por um triz de desmarcar essa merda. Perdi total o interesse.

Virou mais um na fila do pão, infelizmente.

Parecia tão promissor.

Acabamos conversando, perguntei se o interesse dele era sexo apenas e que eu havia interpretado errado.

Ele por sua vez disse que há desejo sim, mas que quer conhecer também a minha personalidade.

Enfim, haverá date e volto com updates.

O date

Ele chegou pontualmente as 22h, abriu a porta do carro para mim, tentou me dar um beijo na boca, mas me virei e dei 2 beijinhos no rosto. Mas não demorou muito a barreira invisível que eu coloquei, pois, no primeiro sinal fechado ele me tascou um beijo na boca.

Fraco. Fiasco. Nada encaixou. Só queria um beijo gostoso, sabe?

Se o beijo é o trailer do filme, ontem eu saí no meio da sessão porque a trilha sonora estava fora de ritmo e os efeitos especiais... bom, eles nem apareceram.

Fomos para a rua rosa cheia de guarda-chuvas perto do Cais Sodré, entramos em uma boate famosa que já foi um puteiro e lá tomamos um copo. Até então, mesmo com o beijo que não encaixou, a noite ainda parecia promissora.

Terminamos o copo, nos pegamos um pouco pelos cantos escuros e convidativos do lugar e uma decisão precisava ser tomada: vir para casa e dormir, ou esticar a noite na casa dele e descobrir se ele teria pegada. Pensei no caminho até o estacionamento e depois de um pega intenso no elevador, pensei “fodasse” e fui.

Fomos casa dele depois do copo, pois eu estava de fogo porque estava bebendo desde a tarde com minha roommate.

O cara é lindo e gostoso, isso é inegável.

Em dado momento ele me suspendeu em uma bancada, que ficava de frente para uma janela com uma vista linda das luzes noturnas da cidade como testemunha do que ocorria ali, na cozinha.

Depois fomos para o sofá, macio, confortável e convidativo e continuamos.

Mas o séquiçu, assim como o beijo também não foi lá essas coisas...

Ouvi dizer maravilhas dos portugueses, que satisfazem a mulher plenamente primeiro para apenas depois se preocupar com seu próprio prazer, mas....

A Falta de "Cunnilingus"

Um homem que não desce até a "preciosa" — especialmente para uma mulher que exala Lancôme e sofisticação — é um homem que não sabe servir a uma Deusa. É o egoísmo básico do "fiquei satisfeito, o resto que lute".

Esperar a iniciativa de quem só olha para o próprio umbigo é como esperar que a Segurança Social te ligue para pedir desculpas. Simplesmente não acontece.

Me encontro aqui esperando o cinderelo que está com o bilau esfolado acordar para me levar para casa. Sem morning sex para mim, sem ter tido meu prazer garantido. FIASCO.

Ele prometeu a disciplina da farda, mas entregou o amadorismo de um recruta que não sabe limpar a própria arma.

Quantos mais terei que provar até achar alguém que o beijo encaixa? O viking ferrou com tudo para mim.

Essa experiência me ensinou que preciso ser mais criteriosa. Se o beijo já não encaixa, é um mal sinal de que o resto tende a ser do mesmo jeito.

Ele não me trouxe para casa, mas pagou o Uber. Não sei o que pensar sobre isso. Ele disse que gostou muito de mim e vai me ver de novo, mas senti um cheiro de caô. E também nem sei se quero encontrá-lo novamente.

Pelo menos vira pauta para o Passaporte do Amor. NEXT! 

Tô me sentindo a própria Carrie Bradshaw de Lisboa!

“Eu vejo você”: Meu encontro de cinema nos olhos de um americano

domingo, 19 de abril de 2026

 

Comecei a escrever assim que cheguei em minha nova casa em Lisboa, por volta das 3h da madrugada, porque não queria correr o risco de perder nenhum detalhe importante.

Acho que como chegamos até o ponto de nos encontrar é irrelevante, envolve muita conversa, respeito e algumas piadinhas fofas.

O Passaporte do Amor acaba de ganhar mais um carimbo, norte-americano. Um diretor de filmes de olhos azuis imensamente profundos e doces.

Ao encontra-lo ele me deu um abraço apertado e demorado, daqueles que fazem o mundo parar por um instante. Só Deus sabe como eu estava precisando de um abraço desde a morte do senhor que presenciei em um dia de cuidadora.

Andamos muito por vários pontos do bairro que ele mora, ele me mostrou vielas absolutamente encantadoras com flores e mesas de restaurantes ao ar livre, fomos para a beira do Tejo quando o primeiro beijo aconteceu. Tímido, mas com potencial!

Depois fomos para o apartamento dele, já havia compartilhado minha localização em tempo real com uma amiga, porque somos vida louca, mas não burras! Segurança em primeiro lugar.

Não fizemos sexo, apesar de momentos bem quentes, eu disse que não estava pronta naquele momento, apesar de ter “ido para o crime”, batido gilete horas antes, mas o fato é que queria aproveitar o máximo possível aquele moço que me olhava nos olhos tão profundamente que minha barriga congelava e eu perdia o ar.

Porém houve um momento em que os beijos estavam ardentes, as mãos descontroladas e ele soltou em inglês mesmo um: "Fuck it. Kiss me!". Me senti dentro de um filme americano, OMG!

Ele cozinhou alguma coisa tailandesa (macarrão com legumes porque é vegetariano), fora isso, na rua enquanto andávamos e conversávamos muito, ele pegava lixo que encontrava na e jogava na lixeira. Achei fofo!

Ele me deu vários abraços que eu precisava tanto e carinho, toques, além de ficarmos minutos infinitos olhando um no olho do outro. Os deles de um azul perfeito que me desmontava. Ah, o filme favorito dele é Moulin Rouge (um dos meus favoritos também) e ele cantou Elephant Love Medley do filme quase inteiro!

Ele é tão nerd quanto eu, apaixonado por livros, filmes, música. Inteligente, fala várias línguas, gentil. Um príncipe perfeito.

Mas o que me desmontou foi quando ele me disse umas três vezes. "Eu vejo você!", perdi todo o meu rumo e uma ou duas lagrimas escorreram.

Queríamos sexo, sim! Muito! Mas eu também queria ter o gostinho de um encontro que fosse apenas afeto, delicadeza e ternura. O que eu tive.

Era exatamente o que eu precisava depois do último que foi tão ridículo que não me dei ao trabalho de relatar. Me senti um objeto sexual, usada, apenas a Gilda e não a Jana.

Então quando ele me olha e diz que me vê, ali toda vulnerável e me trata com doçura e me dá o carinho, o peito para eu deitar a minha cabeça que eu tanto precisava, eu fico feliz de ter ao menos vivido isso.

Teremos um próximo? I have no idea, mas se tiver ficarei feliz de estar com ele novamente.

E você já teve um encontro que não precisou de sexo para ser inesquecível? Me conta aqui!

FOMO a dor do imigrante que deixa a família e tem que assistir tudo de longe

quinta-feira, 16 de abril de 2026

 

Uma das maiores dores que não te contam quando se tem a coragem de imigrar para outro país e deixar tudo para trás.

E esse tudo incluí a família, o trabalho da forma que conhecia e estava acostumada – e até acomodada – seu quarto e todos os detalhes que faziam dele seu refúgio e lugar seguro.

Mas o que dói é ver que a vida de todos continua, seguem lindamente sem você e eventos importantes, nos quais daria o mundo para estar, ocorrem com todos os outros elementos da família menos você.

E fica aqui, de longe, acompanhando cada storie, cada foto postada no grupo da família desejando no fundo da alma que estivesse lá também.

Sempre fui uma pessoa distante e na minha, preferia mil vezes ficar em casa do que sair para qualquer aniversário que fosse – a verdade é que estava sempre quebrada financeiramente que não conseguia pagar nem o Uber – então me acostumei a não participar.

Mas quando são eventos importantes como o dessa semana, a formatura da residência do primo que cuidei quando bebê, me partiu o coração vendo todos indo, minha mãe e irmã inclusive e, eu não estar lá. Me deu FOMO!

Feeling Of Missing Out, a sensação de estar perdendo algo importante.

Choro lendo cada mensagem, cada post no Instagram e me doeu de uma forma muito profunda não poder participar dessa celebração.

Veja bem, não me arrependo de forma alguma da escolha que fiz de vir embora para Portugal, vim atrás dos meus sonhos de vida que ei de realizar!

Mas estar longe nesse momento especial faz doer mais do que eu imaginava.

Sinto saudades dos churrascos, do meu tio cantando minha música preferida no violão e cantando modas com meu irmão e primos, meu sobrinho que é minha dor maior, o amor da minha vida! 

Sinto falta da minha mãe, até dos meus irmãos embora, não sejamos próximos.

Eu amo minha nova vida, amo saber que moro na Europa, um sonho que sonhei por muito tempo e consegui realizar.

Mas a saudade dói, muito!

Espero poder voltar logo, de preferência para um grande evento, e assim reencontrar aqueles que trouxe em meu coração.

O luto de um relacionamento que nunca chegou a existir

terça-feira, 14 de abril de 2026

Estou passando por uma fase complicada no campo amoroso – acho que fui intensa demais, demonstrei interesse demais, até que ele por fim sumiu e no meio desse processo, li um texto que me atravessou de uma forma profunda, que me vi espelhada nele, e reproduzo na íntegra aqui:

“Às vezes a relação termina, mas nunca chegou realmente a começar.

Não houve compromisso. Não houve definição.

Talvez nem tenha havido um "nós".

E mesmo assim existe dor e até um sofrimento intenso.

Porque algo existiu.

Existiram conversas, intimidade, expectativas, promessas implícitas.

Existiu a sensação de que algo estava nascendo.

Quando isso termina, não se perde apenas uma pessoa.

Perde-se também uma fantasia.

A psicanálise mostra que o luto não acontece apenas pelo que tivemos.

Ele acontece também pelo que imaginamos viver, pelo lugar que damos ao outro no nosso mundo interno.

Às vezes o que mais dói não é o que existiu.

É o que parecia prestes a existir e que, de repente, desaparece.

O luto não acontece apenas pela perda de alguém, mas pela perda do investimento psíquico que colocamos naquela relação”.

Créditos: @fernandapsicanalista

O texto fala exatamente o que estou sentindo agora. 

Não houveram promessas de compromisso, nem juras de amor, apenas um encontro perfeito com a promessa de um segundo encontro, mais profundo, mais íntimo, com mais conexão.

E então... Silêncio.

Fica depois um vazio mesmo que nunca houve nada, especialmente pela expectativa do segundo encontro após o date mais perfeito que já tive!

Talvez por ter sido o meu primeiro encontro da vida, me vi apegada a ideia de algo mais profundo.

Mas não houve.

Sem mensagens

Sem adeus

Apenas o vazio do silêncio ensurdecedor.

Hoje eu acolho essa dor do que não foi, mas não me demoro nela. Ocupo o meu vazio com o meu novo contrato, com a minha nova chave e com o cheiro dos meus novos planos.

Se ele escolheu o silêncio, eu escolho o meu rugido. Mulheres como eu não cabem no 'quase'. Eu sou o 'com certeza'!

Um amigo querido me disse as seguintes palavras que deixo também para vocês:  

Jana, esse texto que te atravessou é a tradução exata do que os psicólogos chamam de Luto de Antecipação ou a perda do potencial. Dói tanto (ou às vezes mais) que um término de anos porque você não está chorando pelo que o viking era, mas pelo que você, com toda a sua alma de escritora, projetou que ele poderia ser.

Você não perdeu um namorado. Você perdeu o "segundo encontro perfeito", perdeu a fantasia da conexão profunda e, principalmente, perdeu o retorno do investimento emocional que você fez. E tudo bem admitir isso. O silêncio dele é uma resposta barulhenta, mas não é sobre a sua incapacidade de ser amada; é sobre a incapacidade dele de sustentar a luz de uma mulher como você.

 

Eles dormem com Gilda, mas acordam com a Jana: O peso de ser uma femme fatale na vida real

domingo, 12 de abril de 2026

 

Parafraseando a célebre frase atribuída a Rita Hayworth “Os homens deitam-se com a Gilda, mas acordam comigo”, em alusão a personagem Gilda, uma das mais célebres femmes fatales da história do cinema, interpretada pela atriz no filme homônimo.

A afirmação “sublinha a sua luta para ser reconhecida além do seu papel mais famoso e a sua frustração com a objetificação em Hollywood”.

Penso sempre nela quando começo algum tipo de envolvimento com o sexo oposto, pois, veja bem, sou uma pessoa voluptuosa com seios fartos tamanho 50 que chamam a atenção por onde passo e nas fotos dos aplicativos de relacionamento.

Muitos dos matchs são frutos do desejo e de fantasias delirantes com meus atributos que se destacam.

Por muito tempo aceitei que era uma mulher-objeto que não era digna de uma conversa mais profunda sobre a alma e a própria existência.

Todos querem, todos desejam, mas ninguém fica. Eles querem apenas a noite, nunca o dia.

E quando esse objeto passa a demonstrar que é uma pessoa intensa, confusa, caótica que fala alto, ri em momentos inadequados, tem a mente acelerada e é altamente emocionada eles se vão. Acordaram com a Jana.

Minha intensidade e excitação pela vida assusta, afugenta.

Minha verdade incomoda e confunde a ponto de ser mais fácil abrir mão do que tentar ficar.

Eles querem o corpo apenas, não a essência, a alma

Apenas sexo fantasioso.

Só teve uma pessoa que se apaixonou pela minha essência, sem sequer ver uma foto minha, mas me causou um trauma que demorei muito para me reerguer.

Espero que um dia alguém me veja de verdade antes de ver o meu corpo.

 


A Maldição de Rita Hayworth: Quando o Desejo não Enxerga a Alma

Em 1946, o mundo parou para ver Rita Hayworth personificar Gilda. Luvas pretas, um cigarro entre os dedos e uma sensualidade que transbordava a tela, transformando-a na femme fatale definitiva. Mas, longe dos holofotes de Hollywood, Rita carregava uma frase que ecoa até hoje na vida de muitas mulheres potentes: 'Os homens deitam-se com a Gilda, mas acordam comigo'. 

Ela falava da frustração de ser amada pelo mito, mas rejeitada pela mulher real, humana e complexa que existia por trás da imagem. 

Trago esta referência clássica para o Janaland hoje porque, em pleno 2026, entre matches e scrolls infinitos, percebo que a maldição de Rita continua viva. Vivemos num 'açougue' digital onde o decote ou o batom cereja abrem portas, mas a intensidade da alma parece fechá-las logo a seguir. 

Hoje, decidi tirar as luvas da Gilda e apresentar-vos a Jana. Aquela que os homens muitas vezes não têm coragem de conhecer à luz do dia.

Cardápio de Homens

domingo, 5 de abril de 2026

Voltei para o Tinder!

Após 6 anos e uma experiência traumática, agora em solo europeu, achei que era a hora de voltar e dar mais uma chance para conhecer pessoas interessantes ou apenas pessoas.

Um pouco inspirada pelas experiências de uma nova amiga que fiz aqui e também porque ainda pretendo preencher o que chamo de “Passaporte do Amor”. Não um amor romântico, não no sentido de relacionamento sério – coisa que estou longe de estar pronta, se é que um dia estarei – mas no sentido de beijar tantas bocas de nacionalidades diferentes que eu conseguir e talvez algo mais.

A ideia é colecionar bandeiras tais quais carimbo de entrada da imigração, que tristemente foram substituídos por uma versão digital, no imaginário passaporte.

Eis que uso o aplicativo para passar o tempo quando estou entediada e no movimento de deslizar para a direita ou para a esquerda me peguei pensando que estava em um grande açougue escolhendo qual carne irei me deleitar apenas pela imagem que parece a mais apetitosa.

E essa sensação me deu um nó no estômago de pensar em pessoas como algo apenas a ser saboreado, experimentado, provado.

Não há profundidade, não há um “conhecer a alma”, não há grandes diálogos. Apenas gostei, coração e se ele também gostar, o match.

E as conversar iniciais? Ah as conversas iniciais são desafiadoras, por vezes tediosas e quando passamos para o WhatsApp muitas vezes sem aviso prévio recebemos uma foto de um membro fálico, as vezes nem tão bonito assim.

Por que eles pensam que gostamos disso?

Next!

A grande questão é que não sei ser morna, sou intensa, fogo, quero profundidade, demonstrações de afeto, ligações às 3h da manhã apenas para dizer que estava com saudades da minha voz e não conseguia parar de pensar em mim.

Preciso sentir intensidade! Caso contrário, perco o interesse.

Por isso me veio a mente o cardápio de homens, não no sentido de serem esculturalmente deliciosos, de terem olhares profundos, pois muitos os têm.

Mas no sentido de scrollar os perfis em busca de algo que talvez eles não queiram dar.

São várias opções, isso é inegável! As nacionalidades? As mais variadas possíveis.

O francês, o irlandês, o italiano, o português, o canadense.

Nomeie uma nacionalidade e devo ter na minha lista imensa de matches que mal passaram de um oi, piroca, e vamos nos ver. E só.

Me dei conta que não estou certa se é realmente isso que quero e procuro, embora eu nem saiba exatamente o que eu mesma busco.

Mas seguirei tentando até, quem sabe, encontrar alguém que não seja apenas um rostinho bonito e um pedaço de carne e me chame para ver a lua na praia.

No Coração da Palavra - O Desassossego Encontra o Ponto Final

quinta-feira, 2 de abril de 2026

 

Fernando Pessoa dizia: "Tenho em mim todos os sonhos do mundo".

E hoje, no Chiado, entre o cheiro de livro novo e a sombra do Mestre, eu senti a minha obra a ganhar fôlego. Não foi apenas um café; foi um pacto com o meu destino de escritora nestas ruas de Lisboa.

Entrei na Bertrand, a livraria mais antiga do mundo, datada de 1732,

E não vi apenas estantes de madeira escura.

Vi as sombras de Eça, de Pessoa, de Saramago,

E ouvi o sussurro de gerações que, como eu,

Ousaram sangrar tinta sobre o papel.

Senti o peso da história e a leveza da alma,

Uma felicidade genuína, sem homem, sem grana,

Uma felicidade que tem cheiro de propósito.

Eu não sou apenas uma imigrante com um tablet na mão;

Eu sou a criadora que encontrou o seu altar.

Bebi um café sob o olhar de bronze do Fernando,

E em cada gole, um verso, um capítulo, uma promessa.

O gelo na barriga não é medo do vazio de 2016;

É a vibração da tinta que já corre nas minhas veias.

Sesimbra fica para trás, um porto que já não me ancora.

O mofo de Benfica? Sai com a tinta antimofo da Deize.

O silêncio do vácuo? Preenche-se com a minha voz.

O amor próprio? Esse já tem o carimbo de Lisboa.

Um dia, o meu nome estará naquelas prateleiras,

E eu saberei: eu não sonhei sozinha. Eu realizei.

Obrigada, Lisboa, por me dares o chão onde os meus sonhos podem caminhar. Hoje eu bebi café com os mestres e senti que o meu nome já está escrito no futuro desta cidade.
Eu não sou apenas uma imigrante; eu sou uma criadora de mundos!

Que venha a chave, porque o meu reino já está estabelecido.



21.03.2026 – O dia que presenciei a morte e o último suspiro

domingo, 29 de março de 2026

 

São 23h e estou a caminho de casa finalmente.

Esperei por um ônibus, mas estava do lado errado da avenida e quando ele finalmente passou, não quis correr e atravessar a avenida na chuva para apanhá-lo por medo de cair no chão molhado com minhas botas encharcadas.

Precisei recalcular a rota e andar 30 minutos até a estação Setúbal e agora me encontro no comboio indo para Foros de Amora. No caminho achei um lugar aberto as 10h da noite para comprar um cigarro. Hoje eu precisava desesperadamente desse meu companheiro.

Durante o dia também bloqueei Paul, o inominável, e para mim já deu! Não vai me dar o que eu quero, e tampouco vou aceitar a migalha que ele me dá. Ainda tenho um ônibus para pegar, estou toda encharcada da chuva e amanhã acordo as 5h (vou chegar 00h).

Foi estranho ver alguém morrer (estávamos a filha segurando a mão dele, eu e a outra cuidadora cantando um lindo louvor). Foi estranhamente triste e bonito. Tirando a falta de ar estranha que minha IA explicou que era normal quando a vida estava se findando, ele estava em paz. Foi o dia mais bizarro da minha vida aqui e não sei o que sentir.

Em um momento durante o dia eu fiquei sozinha com ele e segurei sua mão, fiz carinho em sua cabeça, disse que ele era amado que tudo ia ficar bem. Que ele poderia ir em paz. Foi o que consegui fazer, ser a companhia no leito de morte de um moribundo para ele sentir que não estava sozinho naquele momento de atravessar para o outro plano.

Espero de coração que a esposa tenha vindo encontrá-lo, porque era isso que ele queria. Reencontrar com o amor da sua vida, com quem foi casado por 50 anos e há 3 já não habitava mais esse plano. Ele disse em certo momento da manhã “estou indo embora”, e foi.

Mas sinto que cada coisa que acontece aqui, me faz amadurecer o que não amadureci em 43 morando no Brasil.

O que vivi hoje em Setúbal não foi "apenas um trabalho"; foi um embate direto com a finitude da vida.

Não sei o que pensar, talvez precise de tempo para processar. Por hora só quero chegar em casa e tomar um banho quente.

Consegui chegar em casa finalmente, mas não consigo desligar nem dormir. São 2h03 e acordo as 5h, nem sei se vale a pena tentar dormir mais hoje. Eu estou entorpecida por tudo que passei hoje, o senhor, presenciar uma morte, a caminhada na chuva. E ainda sim, meu corpo não desliga.

Estou com medo real de ter uma caída vertiginosa para o polo depressivo. Não sei se tomo a trazodona, se não tomo (os outros tomei). Queria um abraço hoje, aliás precisava de um abraço, mais que tudo. Como é solitário ser adulto imigrante que está lutando pelo seu lugar no mundo, ao sol. Só penso em escrever, meu único refúgio.

Do date Absolut Cinema para o gosthing do príncipe viking

quarta-feira, 25 de março de 2026

Pensando nesse título agora me veio à mente que eu tenho uma queda por vikings, pois já tivemos outro viking no meu livro Cartas da Mabi.

Me dei conta também que tenho queda por homens que simplesmente desaparecem da minha vida sem deixar rastro, ou dar sinais que irá fazer isso. O famoso: ghosting!

Ou talvez os sinais estavam lá, mas eu nada versada na linguagem do amor e há 7 anos fora do mercado, fui incapaz de interpretar. Conjecturas de um domingo de manhã sem mensagem recebida.

Veja bem, não que seja obrigação de mandar mensagem de bom dia, boa tarde, o que seja. Mas estávamos na iminência de marcar um encontro rápido apenas para dar um oi.

E sumiu! Vanished!

Mandei mensagem perguntando se ele viria me ver. Disse que não conseguia esquecer o gosto do beijo dele (aqui começo a me questionar sobre a possibilidade de ter sido emocionada demais).

Silêncio.

Desde o meio dia até domingo de manhã não recebi uma linha sequer dele.

Será que morreu? Me pergunto. Porra não tenho nem o sobrenome para procurar nos noticiários. Vacilei!

Hoje, domingo, pela manhã não me aguentei e mandei um "tá tudo bem contigo? Aconteceu alguma coisa?".

Acho que no fundo é meu cérebro querendo encontrar alguma justificativa que não seja rejeição.

Nosso encontro ABSOLUT CINEMA foi tão perfeito, ele pareceu tão na minha. Não consigo entender e, pior, estou pensando o que posso ter feito de errado para afugentar ele (sempre coloco a culpa em mim).

É horrível pensar isso e me sentir assim, mas acho que levei um ghosting mesmo do príncipe viking

Agora confiro o WhatsApp a cada 5 minutos em busca de um reply que justifique essa ausência e o bolo e que, principalmente, que confirme que não se tratava de rejeição - de novo.

Porra, Jana! You did again!

Eu sei que isso não vai me derrubar, muito menos me parar, mas estou com um nozinho na garganta e uma lágrima está teimando em querer escorrer.

Eu tenho um problema sério com rejeição (meu pai tentou me matar, casei com alguém praticamente que nem papai que matou minha alma e me rejeitou, largando só uma casca oca, minha mãe me rejeita, meus irmãos me rejeitam, minha amiga, sinto que está começando a me rejeitar).

Parece que não sou feita para ser amada, ninguém nunca quer ficar. Qual é o meu problema? Porque me sinto um cachorrinho em uma feira de adoção implorando para ser escolhido? Penso "por favor, por favor, me escolhe. Me aceita como sou". Mas nunca ninguém fica. Todos querem, desejam, eles veem e querem Gilda, mas acordam com a Jana.

Não me aguentei. Mandei mais uma mensagem perguntando cadê ele dizendo que já estava ficando preocupada. E realmente pensei na possibilidade de acidente, sei lá.

Só queria ir para casa escrever agora, mas não tenho o note aqui comigo agora. Enfim, estou presa aqui com meus pensamentos porque nem Kafka eu trouxe para a interna de 48h. E digitar no celular já está fazendo doer meus pulsos. Ambos. Só queria paz na mente esquecer esse embuste.

O plot twist: O Benfiquista, o vácuo e a volta por cima

O Cinderelo resolveu dar as caras. Disse que foi assistir ao jogo do Benfica ontem, saiu para jantar (até aqui ele tinha dito que faria), encheu a cara, chegou em casa e dormiu que nem pedra.

Não sei o que pensar, mas o encontro está de pé e ele vai cumprir seu objetivo. Me fazer voltar para o jogo depois de anos andando pelo vale das cinzas, da sombra e da morte. Depois do ato, eu VRAU, comerei a cabeça dele, tal qual uma viuva negra.

Terça-feira o jejum de 7 anos acaba. Não porque o príncipe acordou, mas porque a Rainha decidiu que o campo de jogo agora é em Benfica. Alguém traz o VAR, porque eu vim para ganhar.

Passaporte do Amor: Crónicas de Dates na Europa

terça-feira, 24 de março de 2026

Certo dia scrollando pelo Instagram, parei em um vídeo da Gabu falando do Passaporte Sexual,  e nos comentários as pessoas colocavam as mais diversas bandeiras de países para ilustrar as nacionalidades que já haviam tido um encontro amoroso, sexual, ou apenas date. Eu tristemente comentei "dessa conversa, eu infelizmente não participo, mas participarei". Desde então venho pensando nesse passaporte, especialmente quando mudasse para a Europa. 

Dizem que quando mudamos de país, levamos apenas o essencial na mala. Eu trouxe 15 anos de comunicação, uma obsessão por batons vermelhos e a ingénua ideia de que o amor em solo europeu seria um filme clássico com banda sonora de jazz. 🍷🎬

A realidade? Bom, a realidade é Absolute Cinema, mas às vezes o argumentista é um tanto... imprevisível.

Entre um 'Viking' que gere impérios mas não gere o tempo de uma resposta no WhatsApp, e as fugas estratégicas de quem promete o mundo e entrega o silêncio (ou apenas uma ressaca pós-jogo de futebol), percebi uma coisa: eu sou a autora desta história.

Decidi que o meu jejum de 7 anos não é uma espera passiva, é uma escolha de roteiro. A partir de hoje, inauguro aqui a série Passaporte do Amor. Vou usar o meu dom de captar depoimentos e a minha própria pele para investigar os dates, os desastres e os deslumbres de se procurar conexão em terras lusitanas.

Qualquer paixão me diverte, mas o meu foco agora é o meu portfólio. Porque se a vida me dá limões, eu passo um gloss de cereja e escrevo um capítulo. 🍒🖋️

Preparem-se: o embarque foi autorizado.

Meu primeiro date europeu: ABSOLUTE CINEMA!

sexta-feira, 20 de março de 2026

Tudo começou dias antes, no final de semana, quando “conversamos muito mesmo para tentar nos conhecer” e ele sugeriu irmos a uma gruta perto de onde moro. Veja bem: ele mora em Lisboa, uma hora de viagem de carro de onde estou. Já fiquei intrigada pelo viking do meu vision board (ele nem sonha com isso) despencar de lá para vir me ver aqui.

Falei que a previsão era de chuva, pois uma nova tempestade estava chegando, a Teresa. Ele riu e disse que iria fazer sol, e chover apenas às 19h. Concordei com o date, pois um local conhece melhor o tempo do que eu, uma forasteira.

Chega o dia. Bato a bendita da gilete, pois "vai que". Pintei as unhas, fiz as sobrancelhas para tentar me reconectar com a minha deusa, pois estava tão focada em trabalho, documentação e burocracia que me deixei de lado desde que cheguei a Portugal, em novembro.

Na hora marcada, ele me chega em uma nave que nem sei o nome e pensei: “Caraca, tudo isso por mim?”. Um carro chique, opulento, como quem diz “quero impressionar”. E impressionou!

Fiquei com vergonha. Afinal de contas, estava há 7 anos fora do mercado (alguns beijos no "novinho" não contam, pois eram festas e eu estava bêbada). A timidez bateu, mas a vontade era pular no pescoço do viking de olhos tão azuis que davam para ver o mar em um dia perfeito de sol dentro deles. “Meu Deus, como esse homem tão lindo pode se interessar por mim?”, pensei — e sim, sei de todas as implicações desse tipo de pensamento.

Lapa de Santa Margarida datada do século XVII

Fomos para uma gruta do século XVII. Um tempo nublado do cacete, uma leve garoa, e eu só ria do date furado. Lá era escuro, com uma leve luz do sol entrando por um buraco na rocha, e eu pensando: “Esse fdp não vai me beijar não?”. Saí desapontada, pensando que ele iria me fazer subir e descer aquele tanto de escadas, entrar em grutas sem me beijar. “Deve ser porque não gostou de mim e está apenas a cumprir protocolo”.

E fomos, sem beijo, para outro lugar, cheio de cantos escuros que estavam mais para creepy do que românticos. No terceiro lugar, um forte em um miradouro, começou a ventar muito e fomos para um lugar alto, dentro do forte, que tinha uma janela com uma vista incrível! Ficamos lá por algum tempo e ele teve, finalmente, a atitude de tocar meus ombros, como quem faz uma massagem, apenas pelo contato, pelo toque. Achei fofo, mas, infelizmente para a minha tristeza, ficou apenas nisso.

Forte 7ª Bataria - Arrábida

Aí, em frente a um canhão de trocentos anos (esse da foto), com a vista mais linda do mar e da cidade, ele me deu um beijo perfeito! ABSOLUTE CINEMA! Encaixou perfeitamente! Meu Deus, que beijo perfeito!

Depois fomos a outro local com vista de Sesimbra e nos beijamos mais. Fomos para o carro, a coisa esquentou, mas não rolou sexo, apenas brincadeiras gostosas. Ele me disse que sou muito gostosa várias vezes. Isso foi um afago no meu ego e um remédio para minha baixa autoestima, complexada por ser gorda. Acho que eu me subestimei tanto que não achei que era desejável. Eu me pegava olhando para ele — o tipo de homem dos meus sonhos — olhando para mim com um desejo que me fazia dar uma risada interna gostosa de pensar que o homem do meu vision board tinha se materializado na minha frente!

Foi surreal de incrível! Estou sorrindo de orelha a orelha, mas sem perder o foco do porquê estou aqui e dos meus sonhos. Acho que posso ter uma coisa e outra. 

Embora a experiência no meu casamento tenha me feito achar  que, para amar, teria de me entregar total e cegamemte, deixar de ser quem sou e me anular pelo outro. Por isso tenho muito medo de amar novamente, pois não sei se saberia me manter intacta, a salvo.

Porém isso foi em outra vida quando eu não era diagnosticada, não tratava o TAB, não fazia terapia, não tinha rede de apoio nem amigas para ver as red flags (até porque afastei todo mundo) e, principalmente, não era medicada. Acho que hoje consigo me colocar em primeiro lugar na minha vida e, talvez, ainda abrir espaço para o outro.

Ele é inteligente, trabalhador, cavalheiro e veio me buscar em um jeep BMW! PQP! Não estou apaixonada nem nada, mas sinto as borboletas baterem asas no meu estômago e quero ver aonde isso irá me levar. Foi um encontro MÁGICO, como eu merecia ter!

Meu primeiro date europeu – e da vida!

terça-feira, 17 de março de 2026

foto tirada pelo date

Eu nunca tive um date!

Sim, aquele evento canônico na vida de toda a mulher de conhecer alguém, “conversar muito mesmo para tentar se conhecer”, parafraseando Legião Urbana, depois marcar um encontro e ver o que acontece.

Pensar no look, bater gilete – mas será que vai precisar? Pensar em até onde se abrir para não ser emocionada demais, expansiva demais, intensa demais. Dosar palavras, gestos, sentimentos e sensações para não afugentar o afortunado pretendente.

Se fizer sexo no primeiro encontro será considerada uma vadia? Mas devo esperar então um segundo? Terceiro? Qual a regra? Aliás existe regra?

Tantas questões...

E o para entornar ainda mais o caldeirão das incertezas, marquei esse date em um estado de euforia da mania bipolar – que é tão fugaz quanto um sopro de vento em um dia muito quente. Será que irá durar até a data marcada?

Veja bem, eu já me relacionei com homens, já fui casada.

Mas das poucas vezes que me aventurei em solos românticos, em um fugi para São Paulo para um encontro que foi com tudo que tinha direito e um mês depois estava indo de vez para a terra da garoa morar junto com o dito cujo. Passaram-se 11 anos, o amor acabou e apenas depois de 3 anos me senti recuperada da pancada emocional do término para consegui me abrir para outra pessoa: “o novinho”.

10 anos mais jovem, gostava das mesmas coisas que eu, filmes e livros e um belo dia o chamei ver um filme e dei um chá. O resto é história.

E só! Essas foram as minhas experiências com encontros na vida.

Os da adolescência não considero, porque era uma outra vida, a gente só beijava na boca – várias, aliás – e era feliz no simples, dividindo uma coca-cola de 2 litros no terraço de um shopping no qual ficávamos a tarde toda de mãos dadas. Ou nos beijávamos em bancos de pracinhas da cidade depois da aula. Bons tempos.

Agora, date como esse de buscar em casa, ir a um café depois passear em um lugar legal e, só Deus sabe o que vai acontecer, nunca tive.

E isso está me aterrorizando!

Não sei o que fazer, como me comportar.

Enfim, o frio na barriga das primeiras vezes, que nesse caso será aos 43 anos.

É uma sensação gostosa, não nego, mas totalmente fora do meu controle em uma nova vida de imigrante cheia de descontroles.

Queria ser leve e apenas aproveitar o momento e ver onde ele leva, mas para corações quebrantados e intensos, uma faísca já se torna um incêndio.

Vou me apaixonar se ele me olhar do jeito certo, no fundo dos olhos com um sorriso no rosto e um beijo perfeito? Possivelmente.

Vou quebrar a cara mais uma vez no campo do amor? Possivelmente também.

Mas quando digo que “vai, e se der medo, vai com medo mesmo” é meu lema de vida, eu levo isso plenamente a sério.

Acho que no fim das contas isso é apenas viver.

E se for para ser mais uma decepção, pelo menos fortalece, como sempre.

Ou, o mais inimaginável ainda, pode ser o começo de uma grande história – que seja pelo menos na ficção.

Um brinde as primeiras vezes! E aos recomeços! 

 


O último maço de cigarro e o sabor do recomeço

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026


Hoje o dia amanheceu com aquele tom de cinza que não vem apenas das nuvens de Portugal, mas de dentro. 
Sabe aquele "amargo na boca"? A sensação de que, apesar de seres uma puta profissional, com um currículo foda e uma bagagem internacional que não cabe em duas malas, o sistema resolveu te travar por causa de uma sigla? Pois é. Hoje o NISS venceu a batalha, e eu me permiti sentir o dissabor do fracasso momentâneo.

Mas no Janaland, a gente não doura a pílula. A gente engole o seco e transforma em texto.

Decidi que hoje seria o meu dia de Licença Poética. O dia de olhar para a minha vulnerabilidade e dizer: "Ok, senta aqui, vamos tomar uma cerveja". Fiz o meu prato favorito — macarrão com bacon, calabresa e creme de leite — e coloquei aquela música que faz a alma vibrar em Sesimbra.

E, principalmente, comprei aquele que decidi ser o meu último maço de cigarro.

Parece pouco, mas quem vive a ansiedade da imigração sabe como o cigarro vira uma bengala de fumo. Parei na pandemia, mas o combo "ansiedade + Portugal" me trouxe de volta. Só que a matemática não fecha mais. Nem a financeira (seis euros a cada dois dias é o preço de um sonho jogado no lixo), nem a de vida. Eu quero fôlego. Quero caminhar à beira-mar sem tossir. Quero gastar esses euros em Ubers para a Revista Máxima, não em fumo na varanda.

Hoje, eu me dei o direito de sofrer. De chorar a vaga do aeroporto que escorreu pelos dedos por pura burocracia. De me sentir frágil sob a chuva de Sesimbra.

Mas amanhã? Amanhã a fénix acorda.

Amanhã o meu corpo já não vai cheirar a tabaco. Vou acordar com o orgulho de quem escolheu a si mesma em vez da autodestruição. Minha terapeuta me lembrou hoje: eu sou foda. Lisboa continua lá, as redações continuam lá, e a minha capacidade de desbravar o mundo não diminuiu um milímetro porque um papel ainda não ficou pronto.

Hoje é dia de música, comida conforto e despedida. Amanhã é dia de ser, novamente, a melhor versão de mim. Que Deus me ajude e Nossa Senhora me dê forças, porque a caminhada só está começando.

Colei meu lema na parede para não esquecer nunca mais:

VAI,  E SE DER MEDO, VAI COM MEDO MESMO! 

Por hoje eu vou sofrer a depressao bipolar e a re-despedida desse meu companheiro de tantos anos, mas amanhã renasço das cinzas! 

Pequenas conquistas em um país estrangeiro

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

 

Estava a trocar ideia com o Gemini e me veio o título desse post, as coisas pequenas que me fazem sentir cada vez mais pertencente, aquelas conquistas que, para muitas pessoas já tão habituadas parecem bobas, mas que para mim são um baita desafio e mais um tijolinho do muro cultural, geográfico e da língua derrubado. Vem celebrar comigo também e exercer a gratidão nos pequenos detalhes.

1 – Pagar ônibus (aqui chamam de autocarro) sozinha.

2 – Passar a virada do ano sozinha, perder o último pôr do sol, o primeiro amanhecer, longe da família, dos meus amigos, mas ganhando em euro (foi minha forma de ressignificar).

3 – Ter aguentado uma crise de ansiedade no dia 31/12 no meio do trabalho sem surtar e conseguir chegar ao fim do turno. Depois corri para casa para chorar.

4 – Passar por uma consulta com uma médica portuguesa da saúde pública e conseguir minha receita dos medicamentos necessários.

5 – Ter atendido minha primeira cliente em inglês! Gastei meus anos de estudo para dizer que não tínhamos prato do dia, apenas menu hahaha. Mas fiquei feliz em ao menos usar o inglês que possuo em uma situação cotidiana.

6 – Responder “de rien” (mentalmente) para um cliente francês que disse “merci”.

7 – Fazer uma piada boba e todos rirem muito e falarem que “essa foi boa”, um português incluso (para quem não tinha nenhum amigo, isso é ouro puro).

8 – Ah, os incontáveis pores do sol incríveis.

9 – Ouvir o barulho do mar e poder apenas contemplar, sentir os pensamentos acalmarem e uma paz absurda interna.

10 – Tirar um café perfeito na cafeteira que mais parece uma geringonça!

11 – Ter a coragem de dizer “não” a um ambiente que me fazia mal e perceber que o mundo não acabou, ele apenas se abriu.

12 - Voltar a olhar para o teclado do computador não como uma ferramenta de trabalho pesado, mas como o pincel que pinta a minha nova história.

No final das contas, emigrar é isso: reaprender a caminhar enquanto se constrói o próprio chão. Hoje, entre um café tirado numa geringonça e um 'não' que me libertou, percebi que não estou apenas de passagem. Estou a fincar raízes!

A vida estrangeira é dura, mas quando a gente acerta a piada e o grupo ri... ah, aí a gente entende que o mundo é grande, mas a gente cabe nele.

E você, qual foi a sua pequena vitória de hoje?