Depois de sete anos fora do circuito, voltei ao Tinder em solo europeu e a sensação foi imediata: entrei num imenso açougue digital. Deslizar para a direita ou esquerda tornou-se o ato de escolher qual corte de carne parece mais apetitoso na vitrine fria do telemóvel.
Para
quem, como eu, não sabe ser morna e busca profundidade, o desafio é não se
perder entre os bifes expostos. Identifiquei alguns "cortes"
clássicos que todas nós já encontramos:
Os Cortes do Dia:
- O Filet Mignon: Visual impecável, foto no iate ou em Cascais, parece a escolha perfeita. Mas, ao primeiro "oi", você percebe que é insosso. Falta tempero, falta alma, falta aquela ligação às 3h da manhã que faz a gente vibrar. É carne de primeira, mas não sustenta a fome de intensidade da Onça.
- O Acém:
Aquele corte que, à primeira vista, dá trabalho. Tem que saber cozinhar,
tem que ter paciência com o "sumiço" e com o celular sem bateria.
Mas quando encaixa? Vira um banquete cinematográfico. É a carne que
surpreende pela pegada e pelo "uso da boca", mesmo que às vezes
nos deixe exaustas.
- O Pedaço de Nervo (Next!):
Esse é o mais comum no cardápio. É aquele que mal diz "olá" e já
envia uma foto de um falo sem aviso prévio — e, convenhamos, muitas vezes
nem é um corte bonito. É indigesto, trava o sistema e a única solução é
descartar imediatamente. Next!.
Carimbando o
Passaporte
A ideia
era colecionar bandeiras: o francês, o irlandês, o português. Mas a verdade é
que, atrás de cada "pedaço de carne", existe uma alma que mal
chegamos a conhecer. Eu sigo aqui, scrollando os perfis, em busca de algo que
talvez esse cardápio não queira entregar: alguém que me chame para ver a lua na
praia e não apenas para um "vamos nos ver" rápido e vazio.

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