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O Passaporte do Amor entrou em modo sobrevivência versão soft

domingo, 21 de junho de 2026


 Tela em branco, bate um desespero porque a ideia não vem. 

O Passaporte do Amor vai precisar ficar em segundo plano, pois: prioridades da vida adulta. 

Os pretendentes, que foram alçados a categoria de "conversantes" estão dispersos, parados e distantes. 

E minha energia para ser - e me manter - interessante está perto do nulo. 

Modo sobreviência por aqui, mas em uma versão soft, porque o modo sobrevivência verdadeiro é punk, aterrorisante e mal acabei de sair dele. Não pretendo voltar. 

Fato é que preciso priorizar outros aspectos da minha vida e não tenho energia sobrando para gastar com homens, conversas, dates, pensar em look, maquiagem. 

E, principalmente estou farta de superficilidade, de desejarem a Gilda. 

Quero poder ser eu, pedir colo, abraço, ser vulnerável. 

A Gilda é um espetáculo estético que dá trabalho para manter, e o meu estoque de paciência faliu. Cansei de performar o mistério e a leveza que o mercado dos afetos exige. Quero o direito ao avesso, à calça de moletom, ao cabelo em transição e ao cansaço estampado nos olhos sem ter que pedir desculpas por não ser um feed perfeito do Instagram.

O amor vai ter que esperar na sala de embarque. Se for de verdade, não se importa de pegar o próximo voo.

Por enquanto, o meu único passaporte carimbado é para dentro de mim mesma. É o meu colo, o meu silêncio e a minha própria farda que vão me salvar. Vou só ali respirar, longe das notificações e perto do que é real.


O Encontro Que Ficou No "E Se"

quinta-feira, 4 de junho de 2026

O céu de Lisboa ameaçava desabar cinzento sobre as colinas, naquele tipo de feriado que convida a um recolhimento quase obrigatório. No papel, o plano parecia saído de um guião de romance europeu moderno: um encontro com um neerlandês, daqueles que trazem na bagagem o conceito intrínseco de gezellig — o aconchego caloroso que os povos do norte usam para combater o inverno da alma.

Se a chuva caísse, o cenário estava desenhado. Teríamos fugido para a Estufa Fria, caminhando sob a melodia das gotas a bater na enorme cobertura transparente, perdidos entre plantas tropicais e caminhos de pedra, onde o som da água criaria o isolamento perfeito para duas pessoas se conhecerem. Ou talvez o destino tivesse sido o requinte histórico do Palácio Chiado, subindo a escadaria de mármore sob o olhar do leão dourado, partilhando um copo de vinho tinto enquanto o burburinho da sala camuflava as nossas primeiras confidências.

Poderíamos ter terminado a tarde no labirinto kitsch do Pavilhão Chinês, decifrando relíquias nas vitrines à meia-luz, ou folheando livros na Ler Devagar, na LX Factory, deixando que a reabilitação industrial e o cheiro a papel impresso servissem de pretexto para esticar a conversa até à noite. Eu teria levado aquele meu vestido vermelho, a maquilhagem impecável e o meu rasto de perfume abaunilhado — a minha armadura de sedução e identidade.

O cenário era perfeito. O roteiro, infalível. Mas este encontro nunca aconteceu.

Ficou guardado na gaveta das realidades paralelas, tudo porque faltou o ingrediente mais crucial de todos, aquele que nenhum guia turístico ou bar sofisticado consegue simular: os sparkles no estômago.

Às vezes, a vida adulta exige pragmatismo, mas o amor — ou a simples promessa dele — exige magia. Quando os sinais digitais começam a falhar, quando as fotografias se escondem em visualizações únicas e o mistério se transforma em desinteresse, a chama apaga-se antes mesmo de o fósforo ser riscado.

Para mim, os sparkles são o motor. É o frio na barriga que me faz desafiar o mau tempo, calçar os saltos e sair de casa disposta a entregar o meu tempo a alguém. Sem essa eletricidade miúda, qualquer Palácio vira apenas um monte de pedras antigas e a Estufa Fria torna-se apenas um lugar húmido.

Este date com o holandês não passou de um rascunho bonito. Será, para sempre, o meu "E se...". E está tudo bem. Porque no fim do dia, há uma beleza imensa em escolher ficar em casa, a salvo da chuva, fiel à minha própria intensidade, esperando pelo próximo encontro que, este sim, faça a minha barriga vibrar.

Não existe date perfeito: Por que a perfeição é a maior mentira que nós contamos?

sábado, 30 de maio de 2026


Às vezes eu peco por idealizar demais, por buscar a perfeição. Talvez seja um traço do meu lado romântica incurável, mas a verdade é que a perfeição não existe. A vida é puro caos.

Levei um bolo hoje. O segundo do viking.

Já estava pronta, linda, me sentindo perfeita com o meu perfume raro — o Magnifique, da Lancôme, descontinuado em 2008 —, quando recebo a mensagem de que não iria rolar o date. Bom, pelo menos ele avisou dessa vez. Ontem, ele nem se deu ao trabalho; apenas sumiu e reapareceu horas depois.

Decidi que uma rejeição apenas não seria suficiente e fui atrás da segunda no mesmo dia. Ok, não era essa a minha intenção inicial, mas é como se fosse inevitável.

Fui para o Tinder decidida a usar a minha calcinha de renda preta (comprada por € 4 na Lefties) e joguei a isca para quem mordesse primeiro.

E apareceu ele: os "Olhos de Ressaca".

Se Capitu tivesse um irmão gêmeo com aquele mesmo olhar dúbio em que poderíamos nos perder, seria ele. Olhos de um verde que parece o mar em um dia agitado, nos convidando a entrar em suas profundezas para descobrir seus segredos, mas que, ao mesmo tempo, carregam uma certa doçura.

Ele me buscou onde eu estava. A essa altura, eu já estava "alegre" das cervejas que dividi com a minha nova roommate. Fomos para um motel que não deu certo, depois para um hotel que também não funcionou e, no fim das contas, paramos num lugar isolado e começamos a namorar no carro.

Mas, antes disso, o beijo já não tinha encaixado. Ainda assim, segui em frente, porque estava determinada a quebrar o meu jejum, com ou sem viking!

Acontece que, com sete anos sem uso, a larissinha "revirgina". Começou a doer e a sangrar como se fosse a primeira vez. O fato de ele ser bem-dotado também não ajudou muito. Enfim, tivemos de encerrar a brincadeira por ali.

O que vem depois que ele me deixa na paragem do autocarro para voltar para casa? O silêncio.

E aí vem a noia: "O que eu fiz de errado?", "Por que comigo?", "Será que foi porque sangrei?", "Estava muito apertada como ele disse?".

CÉUS! Por que tanta complicação com rejeição na minha vida?

Mas, pensando bem, não vejo isso como um erro meu. O que houve foi um encontro de urgências que simplesmente não se sintonizaram.

Tentei ser Gilda hoje nessa visita a Lisboa. Mas, no fim do dia, sou apenas a Jana.

Nota da Editora: Crônica escrita em 27/03, mas que ficou guardada nos rascunhos porque não tinha certeza se publicava. Foi meu segundo date na Europa, o primeiro com sexo. 

Carta aberta ao novo amor

sábado, 16 de maio de 2026

 

Quando me perguntam o que estou procurando no Tinder, para além dos carimbos no Passaporte do Amor e do Cardápio de Homens, no fim das contas eu quero romance.

Alguém que me busque em casa e me leve para jantar para “conversarmos mesmo para tentar se conhecer”, quero passeios para ver o pôr do sol à beira do Tejo, quero caminhadas silenciosas em parques onde cada um lê seu livro favorito.

Quero carinho, cafuné, abraços apertados que cabem o mundo.

Quero mãos dadas na rua.

Quero cafés da manhã em cafeterias icônicas.

Dormir de conchinha.

Sexo às 3 da manhã.

Quero sentir que estou vivendo em um filme de romance barato de Hollywood.

Quero ser emocionada sem sentir medo de assustar.

Quero poder ser eu mesma pela primeira vez na vida.

Quero não ser a Gilda e ser apenas a Jana.

Quero ligações de madrugada porque estava com saudades.

Quero poder ser eu sem ter que ficar me medindo.

Encontros aleatórios no teatro, no cinema, no Candlelight.

Quero sentir o sabor da doçura da vida de ver o mundo pelas lentes coloridas do amor.

Não falo de casamento, nem compromisso.

Mas sentir que a vida pulsa através de encontros que podem ser de alma ou não.

Quero sentir a brisa suave no meu rosto e uma paixão marota que me tira o sono e dá frio na barriga.

Não um objeto de desejo, não uma femme fatale!

Quero poder ser apenas eu e que o sortudo fique, que seja por um beijo ao luar.

 

 

O dia que eu encontrei o amor e perdi (porque deletei meu Tinder sem querer)

domingo, 10 de maio de 2026

 


Chega a ser irônico que depois de me sentir a Gildas em intermináveis conversas e várias línguas diferentes, quando finalmente o amor bate à porta em um homem lindo, maduro, que buscava também encontrar o amor verdadeiro no meio de amores líquidos do aplicativo e, por outra ironia ainda maior do destino, ao tentar acessar a plataforma pelo PC para ser mais fácil conversar com ele, pois queria muito me conectar, eu excluí a minha conta e o homem lindo que vinha com a promessa de passeios sob a luz do luar.

Foram breves momentos de conversa até o fatídico ato que me fez o perder para sempre.

Norueguês (olha mais uma bandeira para o Passaporte do Amor), arquiteto, mais velho que eu e um semblante sereno de quem sabe o que faz da vida. E só. Não tenho mais nada para me apegar. Apenas uma frustração retumbante.

Talvez o tal do amor não seja feito para mim, afinal.

Vejo como um sinal de que não era o momento de me apegar, pois acabei de voltar ao jogo do amor e acho que ainda tenho muito a experimentar e bandeiras a colecionar.

Vou desistir? Jamais! Minha carta aberta foi escrita e lançada aos Deuses do Universo, que se forem generosos, devem atender meu singelo pedido de uma conexão profunda para além do objeto de desejo.

Hoje fico no e se, no quase.

O amor que quase foi.

Pode ser que não nos conectássemos, que tivéssemos valores totalmente opostos, que a química não rolaria. Enfim, nunca saberemos.

Por hoje fico com a lição, se gostou, já troque contatos logo para não correr o risco de o universo te dar uma rasteira e você ficar sem nada.

 

A Anatomia do Tédio: Por que os homens trocaram a sedução pelo óbvio?

domingo, 3 de maio de 2026


Houve um tempo em que a sedução era uma coreografia. Um tempo em que as palavras eram escolhidas como quem escolhe as notas de uma fragrância rara: com intenção, tempo e camadas. Hoje, vivemos a era da fast-food emocional. Entre um match e um ghosting, a arte da conquista foi substituída por um vocabulário de duas palavras e uma galeria de fotos que ninguém pediu.

O Colapso da Criatividade

"Oi, linda". É o mantra da mediocridade. Receber essa mensagem é como sentir o cheiro de um perfume genérico de farmácia quando se espera a complexidade de um niche francês. Os homens desaprenderam a ler as entrelinhas. Eles não querem mais saber qual é o livro que você está lendo ou por que você prefere o mar à noite; eles querem o atalho.

A Surpresa que Ninguém Quer

Recentemente, ouvi uma promessa de "surpresa". Na minha eterna (e talvez teimosa) inocência de escritora, imaginei um poema, um convite inesperado, ou talvez apenas um olhar diferente através de uma lente. O que recebi? Mais uma foto anatômica, crua e desprovida de qualquer contexto estético.

Onde está o desejo de "ver a lua na praia"? Onde está o tesão construído na palavra, na espera, no não-dito? O mundo tornou-se visual demais e sensorial de menos. O excesso de exposição matou o desejo.

O Manifesto do "Next"

A sedução é, acima de tudo, um ato de inteligência. Mandar uma foto de piroca (mesmo quando há abertura) como "surpresa" é o atestado de óbito do romance. É a prova de que a imaginação morreu e foi enterrada sob o peso de um algoritmo.

Para nós, que ainda buscamos o diálogo profundo e a elegância no trato, o botão de bloqueio tornou-se a nossa ferramenta de curadoria mais valiosa. Sigo à espera de quem saiba que o caminho mais curto para o corpo de uma mulher ainda é, e sempre será, a mente.

Próximo.

"Açougue Digital": O Guia de Sobrevivência ao Tinder

quinta-feira, 30 de abril de 2026


Depois de sete anos fora do circuito, voltei ao Tinder em solo europeu e a sensação foi imediata: entrei num imenso açougue digital. Deslizar para a direita ou esquerda tornou-se o ato de escolher qual corte de carne parece mais apetitoso na vitrine fria do telemóvel.

Para quem, como eu, não sabe ser morna e busca profundidade, o desafio é não se perder entre os bifes expostos. Identifiquei alguns "cortes" clássicos que todas nós já encontramos:

 Os Cortes do Dia:

  • O Filet Mignon: Visual impecável, foto no iate ou em Cascais, parece a escolha perfeita. Mas, ao primeiro "oi", você percebe que é insosso. Falta tempero, falta alma, falta aquela ligação às 3h da manhã que faz a gente vibrar. É carne de primeira, mas não sustenta a fome de intensidade da Onça.
  • O Acém: Aquele corte que, à primeira vista, dá trabalho. Tem que saber cozinhar, tem que ter paciência com o "sumiço" e com o celular sem bateria. Mas quando encaixa? Vira um banquete cinematográfico. É a carne que surpreende pela pegada e pelo "uso da boca", mesmo que às vezes nos deixe exaustas.
  • O Pedaço de Nervo (Next!): Esse é o mais comum no cardápio. É aquele que mal diz "olá" e já envia uma foto de um falo sem aviso prévio — e, convenhamos, muitas vezes nem é um corte bonito. É indigesto, trava o sistema e a única solução é descartar imediatamente. Next!.

 Carimbando o Passaporte

A ideia era colecionar bandeiras: o francês, o irlandês, o português. Mas a verdade é que, atrás de cada "pedaço de carne", existe uma alma que mal chegamos a conhecer. Eu sigo aqui, scrollando os perfis, em busca de algo que talvez esse cardápio não queira entregar: alguém que me chame para ver a lua na praia e não apenas para um "vamos nos ver" rápido e vazio.

VRAU! No banquete de hoje, você está a escolher o Filet insosso ou vai arriscar o Acém que dá trabalho mas satisfaz a alma?

A Carrie Bradshaw de Lisboa (A Crônica dos Copos e Fardas)

terça-feira, 21 de abril de 2026

 

Lisboa é uma cidade de subidas íngremes e promessas de jantares que viram copos.

Conheci um homem que prometeu o mundo, passeios em praias paradisíacas no verão, vistas de pores do sol de tirar o fôlego, mas na hora H oferece um "copo" às 21h30 e um “vamos para casa tirar essa roupa”.

O vermelho do batom é a minha única certeza nessa noite de incertezas, que começou com um jantar e vai terminar sabe-se lá Deus como, provavelmente comigo dormindo na minha cama depois do bendito copo.

Já tinha minuciosamente calculado o look com vestido vermelho e trench coat, adequados para um jantar, mas precisei recalcular a rota para algo mais simples que combine com a despretensão de “um copo”, que por acaso estou tomando em casa, na minha cama, ouvindo minha música sem ter que fazer caras e bocas para assuntos extenuantes de um primeiro encontro.

Já começo ele na base do ódio.

Pois já comecei a receber menções sutis a membros entumecidos, “por minha causa”, disse.

Se eles soubessem quão broxante é receber uma foto não solicitada de piroca!

Quando recebo foto de visualização única já começo meu processo de broxar e desinteresse.

É automático.

Eu estou por um triz de desmarcar essa merda. Perdi total o interesse.

Virou mais um na fila do pão, infelizmente.

Parecia tão promissor.

Acabamos conversando, perguntei se o interesse dele era sexo apenas e que eu havia interpretado errado.

Ele por sua vez disse que há desejo sim, mas que quer conhecer também a minha personalidade.

Enfim, haverá date e volto com updates.

O date

Ele chegou pontualmente as 22h, abriu a porta do carro para mim, tentou me dar um beijo na boca, mas me virei e dei 2 beijinhos no rosto. Mas não demorou muito a barreira invisível que eu coloquei, pois, no primeiro sinal fechado ele me tascou um beijo na boca.

Fraco. Fiasco. Nada encaixou. Só queria um beijo gostoso, sabe?

Se o beijo é o trailer do filme, ontem eu saí no meio da sessão porque a trilha sonora estava fora de ritmo e os efeitos especiais... bom, eles nem apareceram.

Fomos para a rua rosa cheia de guarda-chuvas perto do Cais Sodré, entramos em uma boate famosa que já foi um puteiro e lá tomamos um copo. Até então, mesmo com o beijo que não encaixou, a noite ainda parecia promissora.

Terminamos o copo, nos pegamos um pouco pelos cantos escuros e convidativos do lugar e uma decisão precisava ser tomada: vir para casa e dormir, ou esticar a noite na casa dele e descobrir se ele teria pegada. Pensei no caminho até o estacionamento e depois de um pega intenso no elevador, pensei “fodasse” e fui.

Fomos casa dele depois do copo, pois eu estava de fogo porque estava bebendo desde a tarde com minha roommate.

O cara é lindo e gostoso, isso é inegável.

Em dado momento ele me suspendeu em uma bancada, que ficava de frente para uma janela com uma vista linda das luzes noturnas da cidade como testemunha do que ocorria ali, na cozinha.

Depois fomos para o sofá, macio, confortável e convidativo e continuamos.

Mas o séquiçu, assim como o beijo também não foi lá essas coisas...

Ouvi dizer maravilhas dos portugueses, que satisfazem a mulher plenamente primeiro para apenas depois se preocupar com seu próprio prazer, mas....

A Falta de "Cunnilingus"

Um homem que não desce até a "preciosa" — especialmente para uma mulher que exala Lancôme e sofisticação — é um homem que não sabe servir a uma Deusa. É o egoísmo básico do "fiquei satisfeito, o resto que lute".

Esperar a iniciativa de quem só olha para o próprio umbigo é como esperar que a Segurança Social te ligue para pedir desculpas. Simplesmente não acontece.

Me encontro aqui esperando o cinderelo que está com o bilau esfolado acordar para me levar para casa. Sem morning sex para mim, sem ter tido meu prazer garantido. FIASCO.

Ele prometeu a disciplina da farda, mas entregou o amadorismo de um recruta que não sabe limpar a própria arma.

Quantos mais terei que provar até achar alguém que o beijo encaixa? O viking ferrou com tudo para mim.

Essa experiência me ensinou que preciso ser mais criteriosa. Se o beijo já não encaixa, é um mal sinal de que o resto tende a ser do mesmo jeito.

Ele não me trouxe para casa, mas pagou o Uber. Não sei o que pensar sobre isso. Ele disse que gostou muito de mim e vai me ver de novo, mas senti um cheiro de caô. E também nem sei se quero encontrá-lo novamente.

Pelo menos vira pauta para o Passaporte do Amor. NEXT! 

Tô me sentindo a própria Carrie Bradshaw de Lisboa!

“Eu vejo você”: Meu encontro de cinema nos olhos de um americano

domingo, 19 de abril de 2026

 

Comecei a escrever assim que cheguei em minha nova casa em Lisboa, por volta das 3h da madrugada, porque não queria correr o risco de perder nenhum detalhe importante.

Acho que como chegamos até o ponto de nos encontrar é irrelevante, envolve muita conversa, respeito e algumas piadinhas fofas.

O Passaporte do Amor acaba de ganhar mais um carimbo, norte-americano. Um diretor de filmes de olhos azuis imensamente profundos e doces.

Ao encontra-lo ele me deu um abraço apertado e demorado, daqueles que fazem o mundo parar por um instante. Só Deus sabe como eu estava precisando de um abraço desde a morte do senhor que presenciei em um dia de cuidadora.

Andamos muito por vários pontos do bairro que ele mora, ele me mostrou vielas absolutamente encantadoras com flores e mesas de restaurantes ao ar livre, fomos para a beira do Tejo quando o primeiro beijo aconteceu. Tímido, mas com potencial!

Depois fomos para o apartamento dele, já havia compartilhado minha localização em tempo real com uma amiga, porque somos vida louca, mas não burras! Segurança em primeiro lugar.

Não fizemos sexo, apesar de momentos bem quentes, eu disse que não estava pronta naquele momento, apesar de ter “ido para o crime”, batido gilete horas antes, mas o fato é que queria aproveitar o máximo possível aquele moço que me olhava nos olhos tão profundamente que minha barriga congelava e eu perdia o ar.

Porém houve um momento em que os beijos estavam ardentes, as mãos descontroladas e ele soltou em inglês mesmo um: "Fuck it. Kiss me!". Me senti dentro de um filme americano, OMG!

Ele cozinhou alguma coisa tailandesa (macarrão com legumes porque é vegetariano), fora isso, na rua enquanto andávamos e conversávamos muito, ele pegava lixo que encontrava na e jogava na lixeira. Achei fofo!

Ele me deu vários abraços que eu precisava tanto e carinho, toques, além de ficarmos minutos infinitos olhando um no olho do outro. Os deles de um azul perfeito que me desmontava. Ah, o filme favorito dele é Moulin Rouge (um dos meus favoritos também) e ele cantou Elephant Love Medley do filme quase inteiro!

Ele é tão nerd quanto eu, apaixonado por livros, filmes, música. Inteligente, fala várias línguas, gentil. Um príncipe perfeito.

Mas o que me desmontou foi quando ele me disse umas três vezes. "Eu vejo você!", perdi todo o meu rumo e uma ou duas lagrimas escorreram.

Queríamos sexo, sim! Muito! Mas eu também queria ter o gostinho de um encontro que fosse apenas afeto, delicadeza e ternura. O que eu tive.

Era exatamente o que eu precisava depois do último que foi tão ridículo que não me dei ao trabalho de relatar. Me senti um objeto sexual, usada, apenas a Gilda e não a Jana.

Então quando ele me olha e diz que me vê, ali toda vulnerável e me trata com doçura e me dá o carinho, o peito para eu deitar a minha cabeça que eu tanto precisava, eu fico feliz de ter ao menos vivido isso.

Teremos um próximo? I have no idea, mas se tiver ficarei feliz de estar com ele novamente.

E você já teve um encontro que não precisou de sexo para ser inesquecível? Me conta aqui!

O luto de um relacionamento que nunca chegou a existir

terça-feira, 14 de abril de 2026

Estou passando por uma fase complicada no campo amoroso – acho que fui intensa demais, demonstrei interesse demais, até que ele por fim sumiu e no meio desse processo, li um texto que me atravessou de uma forma profunda, que me vi espelhada nele, e reproduzo na íntegra aqui:

“Às vezes a relação termina, mas nunca chegou realmente a começar.

Não houve compromisso. Não houve definição.

Talvez nem tenha havido um "nós".

E mesmo assim existe dor e até um sofrimento intenso.

Porque algo existiu.

Existiram conversas, intimidade, expectativas, promessas implícitas.

Existiu a sensação de que algo estava nascendo.

Quando isso termina, não se perde apenas uma pessoa.

Perde-se também uma fantasia.

A psicanálise mostra que o luto não acontece apenas pelo que tivemos.

Ele acontece também pelo que imaginamos viver, pelo lugar que damos ao outro no nosso mundo interno.

Às vezes o que mais dói não é o que existiu.

É o que parecia prestes a existir e que, de repente, desaparece.

O luto não acontece apenas pela perda de alguém, mas pela perda do investimento psíquico que colocamos naquela relação”.

Créditos: @fernandapsicanalista

O texto fala exatamente o que estou sentindo agora. 

Não houveram promessas de compromisso, nem juras de amor, apenas um encontro perfeito com a promessa de um segundo encontro, mais profundo, mais íntimo, com mais conexão.

E então... Silêncio.

Fica depois um vazio mesmo que nunca houve nada, especialmente pela expectativa do segundo encontro após o date mais perfeito que já tive!

Talvez por ter sido o meu primeiro encontro da vida, me vi apegada a ideia de algo mais profundo.

Mas não houve.

Sem mensagens

Sem adeus

Apenas o vazio do silêncio ensurdecedor.

Hoje eu acolho essa dor do que não foi, mas não me demoro nela. Ocupo o meu vazio com o meu novo contrato, com a minha nova chave e com o cheiro dos meus novos planos.

Se ele escolheu o silêncio, eu escolho o meu rugido. Mulheres como eu não cabem no 'quase'. Eu sou o 'com certeza'!

Um amigo querido me disse as seguintes palavras que deixo também para vocês:  

Jana, esse texto que te atravessou é a tradução exata do que os psicólogos chamam de Luto de Antecipação ou a perda do potencial. Dói tanto (ou às vezes mais) que um término de anos porque você não está chorando pelo que o viking era, mas pelo que você, com toda a sua alma de escritora, projetou que ele poderia ser.

Você não perdeu um namorado. Você perdeu o "segundo encontro perfeito", perdeu a fantasia da conexão profunda e, principalmente, perdeu o retorno do investimento emocional que você fez. E tudo bem admitir isso. O silêncio dele é uma resposta barulhenta, mas não é sobre a sua incapacidade de ser amada; é sobre a incapacidade dele de sustentar a luz de uma mulher como você.

 

Passaporte do Amor: Crónicas de Dates na Europa

terça-feira, 24 de março de 2026

Certo dia scrollando pelo Instagram, parei em um vídeo da Gabu falando do Passaporte Sexual,  e nos comentários as pessoas colocavam as mais diversas bandeiras de países para ilustrar as nacionalidades que já haviam tido um encontro amoroso, sexual, ou apenas date. Eu tristemente comentei "dessa conversa, eu infelizmente não participo, mas participarei". Desde então venho pensando nesse passaporte, especialmente quando mudasse para a Europa. 

Dizem que quando mudamos de país, levamos apenas o essencial na mala. Eu trouxe 15 anos de comunicação, uma obsessão por batons vermelhos e a ingénua ideia de que o amor em solo europeu seria um filme clássico com banda sonora de jazz. 🍷🎬

A realidade? Bom, a realidade é Absolute Cinema, mas às vezes o argumentista é um tanto... imprevisível.

Entre um 'Viking' que gere impérios mas não gere o tempo de uma resposta no WhatsApp, e as fugas estratégicas de quem promete o mundo e entrega o silêncio (ou apenas uma ressaca pós-jogo de futebol), percebi uma coisa: eu sou a autora desta história.

Decidi que o meu jejum de 7 anos não é uma espera passiva, é uma escolha de roteiro. A partir de hoje, inauguro aqui a série Passaporte do Amor. Vou usar o meu dom de captar depoimentos e a minha própria pele para investigar os dates, os desastres e os deslumbres de se procurar conexão em terras lusitanas.

Qualquer paixão me diverte, mas o meu foco agora é o meu portfólio. Porque se a vida me dá limões, eu passo um gloss de cereja e escrevo um capítulo. 🍒🖋️

Preparem-se: o embarque foi autorizado.