
Fernando Pessoa dizia: "Tenho em mim todos os sonhos do mundo".
E hoje, no Chiado,
entre o cheiro de livro novo e a sombra do Mestre, eu senti a minha obra a
ganhar fôlego. Não foi apenas um café; foi um pacto com o meu destino de
escritora nestas ruas de Lisboa.
Entrei na Bertrand, a
livraria mais antiga do mundo, datada de 1732,
E não vi apenas
estantes de madeira escura.
Vi as sombras de Eça,
de Pessoa, de Saramago,
E ouvi o sussurro de gerações
que, como eu,
Ousaram sangrar tinta
sobre o papel.
Senti o peso da
história e a leveza da alma,
Uma felicidade genuína,
sem homem, sem grana,
Uma felicidade que tem
cheiro de propósito.
Eu não sou apenas uma
imigrante com um tablet na mão;
Eu sou a criadora que
encontrou o seu altar.
Bebi um café sob o
olhar de bronze do Fernando,
E em cada gole, um
verso, um capítulo, uma promessa.
O gelo na barriga não é
medo do vazio de 2016;
É a vibração da tinta
que já corre nas minhas veias.
Sesimbra fica para trás,
um porto que já não me ancora.
O mofo de Benfica? Sai
com a tinta antimofo da Deize.
O silêncio do vácuo?
Preenche-se com a minha voz.
O amor próprio? Esse já
tem o carimbo de Lisboa.
Um dia, o meu nome
estará naquelas prateleiras,
E eu saberei: eu não
sonhei sozinha. Eu realizei.
Obrigada,
Lisboa, por me dares o chão onde os meus sonhos podem caminhar. Hoje eu bebi
café com os mestres e senti que o meu nome já está escrito no futuro desta
cidade.
Eu não sou apenas uma imigrante; eu sou uma
criadora de mundos!

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