Segunda-feira de manhã. Caminhando em direção ao metrô para mais um dia de trabalho, fui surpreendida por um detalhe simples: a sensação gostosa do tecido da calça social tocando as minhas pernas, recém-depiladas na véspera.
Num piscar de olhos, fui teletransportada para uma memória afetiva de quase 25 anos atrás. Lembrei-me perfeitamente do toque de uma saia de musseline de seda que eu tinha na época, roçando na pele lisa. É incrível como o corpo guarda registos tão bonitos. Bastou o toque de um tecido macio para me devolver aquela leveza longínqua.
Enquanto acelerava o passo, pensei: qualquer mulher entenderia perfeitamente este sentimento.
Essa cumplicidade silenciosa que partilhamos inspirou-me a listar aqui aquelas pequenas grandes sensações que só nós, mulheres, entendemos de verdade:
A carícia da pele: A sensação indescritível da perna recém-depilada a deslizar por um lençol limpo ou um tecido macio.
A libertação do fim do dia: Tirar o sutiã e soltar um suspiro profundo depois de horas de trabalho.
O alívio mensal: Para quem não quer ter filhos, ver a menstruação descer sem atrasos.
O milagre do traço único: O teste de gravidez dar negativo (mais uma vez, um brinde à liberdade de escolha!).
A descida do salto: Tirar o salto alto no meio da festa e sentir a sola tocar o chão frio. Paradisiaco.
O poder do esmalte: Pintar as unhas de vermelho e sentir-se instantaneamente pronta para dominar o mundo.
O ritual do banho premium: Aquele banho sem hora para acabar, com direito a esfoliante, máscara de cabelo e todas as texturas e aromas a que temos direito.
O dia de rainha: Sair do salão com o serviço completo feito — unhas, depilação e cabelo impecáveis.
A leveza do cabelo lavado: O balanço e o perfume que parecem renovar as ideias.
O charme de ser cuidada: Quando o homem faz questão de pagar a conta. Pode parecer anti-feminista para algumas, mas a sensação de ser mimada e protegida é, sim, deliciosa.


0 Comentários