Tela em branco, bate um desespero porque a ideia não vem.
O Passaporte do Amor vai precisar ficar em segundo plano, pois: prioridades da vida adulta.
Os pretendentes, que foram alçados a categoria de "conversantes" estão dispersos, parados e distantes.
E minha energia para ser - e me manter - interessante está perto do nulo.
Modo sobreviência por aqui, mas em uma versão soft, porque o modo sobrevivência verdadeiro é punk, aterrorisante e mal acabei de sair dele. Não pretendo voltar.
Fato é que preciso priorizar outros aspectos da minha vida e não tenho energia sobrando para gastar com homens, conversas, dates, pensar em look, maquiagem.
E, principalmente estou farta de superficilidade, de desejarem a Gilda.
Quero poder ser eu, pedir colo, abraço, ser vulnerável.
A Gilda é um espetáculo estético que dá trabalho para manter, e o meu estoque de paciência faliu. Cansei de performar o mistério e a leveza que o mercado dos afetos exige. Quero o direito ao avesso, à calça de moletom, ao cabelo em transição e ao cansaço estampado nos olhos sem ter que pedir desculpas por não ser um feed perfeito do Instagram.
O amor vai ter que esperar na sala de embarque. Se for de verdade, não se importa de pegar o próximo voo.
Por enquanto, o meu único passaporte carimbado é para dentro de mim mesma. É o meu colo, o meu silêncio e a minha própria farda que vão me salvar. Vou só ali respirar, longe das notificações e perto do que é real.
