
Fechei a porta do Passaporte do Amor e joguei a chave no Tejo. Descobri que a energia que eu gastava com encontros medíocres constrói impérios quando canalizada para o meu próprio umbigo.
Deletar as aplicações de encontros não foi um ato de drama ou desespero; foi um ato puro de higienização mental. Cansa tentar garimpar alguma humanidade no meio de uma feira livre de egos insuflados, onde homens adultos operam na lógica do fast-food emocional: querem o máximo de entrega pelo mínimo de esforço. Pedem tudo, oferecem o nada, somem depois de conseguir o que queriam ou levam-te para o meio do nada num domingo à noite achando que isso é um gesto de charme. Haja paciência, medicação e terapia para aguentar tanto amadorismo fantasiado de masculinidade.
Cansada de me desdobrar para caber na expetativa rasa de quem só quer consumir a minha energia, decidi fechar a loja. O celibato voluntário surgiu não como uma punição, mas como um refúgio. Quando tu cortas o ruído dos pretendentes de ocasião, o silêncio que fica é extraordinariamente produtivo. A matemática é simples: o tempo e a cabeça que eu gastava a descodificar mensagens ambíguas e desilusões agendadas agora pagam as minhas contas, temperam o meu peito de frango com jardineira, limpam a minha casa e constroem o caminho para a minha varanda.
Isso significa que me tornei uma freira amargurada? Longe disso. Significa apenas que a fasquia subiu tanto que só passa quem tem credencial de respeito.
Porque a vida, na sua ironia, gosta de guardar raras e preciosas exceções. O canadense fofo que sabe o que é delicadeza, ou o americano gentil que compreende o valor de uma conversa inteligente sem pressas nem segundas intenções. Homens que não tentam sugar a tua força, mas que trazem um respiro de cavalheirismo num mundo que parece ter esquecido o que é isso. Para esses pouquíssimos — e apenas quando me aprouver —, ainda há uma réstia de espaço. Não por necessidade, mas por livre escolha de quem aprendeu a gostar demais da própria companhia.
No fim das contas, a abundância e o prazer não dependem da aprovação de ninguém. Resolve-se o corpo no próprio quarto, investe-se a alma nos próprios sonhos, e guarda-se o coração para quem realmente sabe estar à altura.
O resto? O resto é só ruído de fundo. E eu já não tenho tempo a perder com ruído. Como bem diz Shakira, "mulheres não choram, mulheres faturam"!
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