Pressão Baixa, Parte 2: O Retorno de Quem Nunca Teve Pressa

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Hoje foi um dia especial, daqueles de comemoração pura, por ter finalmente recebido a minha Autorização de Residência!

Entre lágrimas — de felicidade — e chamadas para o Brasil para contar a boa-nova, eis que uma notificação na tela me causou estranheza: o Pressão Baixa ressurgiu das cinzas onde estava enterrado e mandou um singelo “Oi”.

Pensei imediatamente em ignorar — afinal, estou em abstinência de homens que sugam a minha energia —, mas dei conversa. Afinal, faz tempo que não troco palavras com o sexo oposto e ele, há que se reconhecer, não é do tipo indecente que envia fotos indesejadas. Pelo contrário: é um gentleman.

Só acho que o atropelei com o meu excesso de emoção e ele resolveu dar uns vinte passos para trás.

Muito lento. Muito sem emoção. Muito… pressão baixa!

Porque diabos eu ainda respondo quando você volta?

Falei que estava com saudades — sempre mando essa, tsc, tsc, tsc — e que estava imaginando quando nos veríamos novamente. Disse que domingo eu estava livre. E ele?

Ah, curtindo férias — de novo —, sei lá em qual buraco.

O que acontece com esses portugueses e essas férias de três meses? Não sabia que aqui existia a versão anual da Licença-Prêmio do Brasil.

Enfim, disse a ele que só tenho o domingo livre e que, se Deus e o Universo permitirem, nos veremos daqui a uma semana e meia.

Eu digo “Pressão Baixa” e não é à toa!

Homem lerdo.

O que esperar desse encontro?

Uns beijos gostosos, um sexo meia-boca e só.

Cansada dessa merda, honestamente.

Por isso, decidi focar em mim: aulas semanais de inglês com uma professora que não arranha uma palavra de português, aulas de francês, Pilates, cuidar do blog, finalizar os meus livros e desenhar os roteiros das viagens que quero fazer.

Dei-me conta de que, embora eu seja uma pessoa carente, esses afetos volúveis não me preenchem.

Eu quero muito mais do que isso.

E ainda não encontrei ninguém disposto a entregar.

E eu?

Estou exausta de cair nos braços errados enquanto procuro os certos.

Se é que eles existem.

Talvez existam. Talvez não.

Mas, pela primeira vez, não tenho tanta pressa para descobrir.

Tenho uma vida inteira para construir enquanto eles não aparecem.

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