Hoje foi um dia especial, daqueles de comemoração pura, por ter finalmente recebido a minha Autorização de Residência!
Entre lágrimas — de felicidade — e chamadas para o Brasil para contar a boa-nova, eis que uma notificação na tela me causou estranheza: o Pressão Baixa ressurgiu das cinzas onde estava enterrado e mandou um singelo “Oi”.
Pensei imediatamente em ignorar — afinal, estou em abstinência de homens que sugam a minha energia —, mas dei conversa. Afinal, faz tempo que não troco palavras com o sexo oposto e ele, há que se reconhecer, não é do tipo indecente que envia fotos indesejadas. Pelo contrário: é um gentleman.
Só acho que o atropelei com o meu excesso de emoção e ele resolveu dar uns vinte passos para trás.
Muito lento. Muito sem emoção. Muito… pressão baixa!
Porque diabos eu ainda respondo quando você volta?
Falei que estava com saudades — sempre mando essa, tsc, tsc, tsc — e que estava imaginando quando nos veríamos novamente. Disse que domingo eu estava livre. E ele?
Ah, curtindo férias — de novo —, sei lá em qual buraco.
O que acontece com esses portugueses e essas férias de três meses? Não sabia que aqui existia a versão anual da Licença-Prêmio do Brasil.
Enfim, disse a ele que só tenho o domingo livre e que, se Deus e o Universo permitirem, nos veremos daqui a uma semana e meia.
Eu digo “Pressão Baixa” e não é à toa!
Homem lerdo.
O que esperar desse encontro?
Uns beijos gostosos, um sexo meia-boca e só.
Cansada dessa merda, honestamente.
Por isso, decidi focar em mim: aulas semanais de inglês com uma professora que não arranha uma palavra de português, aulas de francês, Pilates, cuidar do blog, finalizar os meus livros e desenhar os roteiros das viagens que quero fazer.
Dei-me conta de que, embora eu seja uma pessoa carente, esses afetos volúveis não me preenchem.
Eu quero muito mais do que isso.
E ainda não encontrei ninguém disposto a entregar.
E eu?
Estou exausta de cair nos braços errados enquanto procuro os certos.
Se é que eles existem.
Talvez existam. Talvez não.
Mas, pela primeira vez, não tenho tanta pressa para descobrir.
Tenho uma vida inteira para construir enquanto eles não aparecem.

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