
Acho que nunca tive vontade de ter filhos...
Vendo uma foto de mesversário do filho da minha prima logo depois de ter ficado feliz de ter encontrado uma salada de bacon com nozes por € 2.30, meio que me dei conta que embora tenha muitos perrengues - as vezes a contar cêntimos - eu sou muito feliz com minha vida aqui na Europa.
Veja bem, Comer, Rezar e Amar se tornou o meu filme favorito. Via e revia inumeras vezes porque sentia que era aquilo que eu queria para minha vida, ainda mais sendo escritora!
A minha mala embaixo da cama, aquela dos sonhos que elas mencionam no filme, não tinha nada relacionado a bebês, ou coisas de noiva, família. Mas sim cartões postais, mapas e jornais de lugares que sabia que iria conhecer um dia.
Sempre sonhei em viajar e conhecer o mundo!
Vejo mamães com seus bebes e crianças no Instagram e, não me tocam como um vídeo vendo a Torre Eiffel primeira vez.
Veja bem, acho maravilhoso quem se encontra na maternidade, mas nunca me senti como alguém que gestaria, ou teria uma família.
E isso em absoluto não é triste e nem vazio, é apenas uma escolha diferente do caminho que todos consideram "natural" para uma mulher.
Uma amiga me disse algo que mexeu comigo. Que ela se lembra que desde mais jovem eu era conectada com o mundo lá fora mesmo estando em Cuiabá-MT.
Seja por filmes, pelos produtos que eu importava em uma época que os e-comerces ainda engatinhavam. Comprava dos Estados Unidos, Inglaterra, França, Coréia, China e Japão, isso tudo há 20 anos atrás.
E essa mesma amiga me disse que comigo, ela aprendeu a sonhar com um mundo além do nosso bairro, mesmo sem sair dele. Coisa que ela jamais pensou ser possível.
Me sinto orgulhosa da minha história e de onde cheguei e ainda irei chegar com essa cabecinha avoada e sonhadora.
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