Sobre Pontes, Pinheiros e o Gollum

domingo, 26 de julho de 2026

Nem um fio de ideia... E ainda tenho 30 minutos de viagem de autocarro até à minha consulta psiquiátrica.

Passo pela Ponte 25 de Abril e penso: caralho, eu moro mesmo em Lisboa! Nunca vou deixar de ficar estupefata ao cruzar este rio.

Vejo pinheiros pelo caminho, vários, espetados nos canteiros da estrada, e lembro-me da minha casa em Rosário Oeste. Da minha mãe a cultivar com amor um pinheirinho que nunca cresceu muito — chegou, no máximo, à altura dos meus nove anos, quando mudei para Cuiabá. Deu-me uma vontade súbita de passear pela memory lane e abrir finalmente aquela caixa de fotos antigas que trouxe comigo na mala. Pensei até numa ideia de foto que pode dar um bom Reels.

Toca Florence no fone. Lembro-me de não ter conseguido o credenciamento de imprensa para o show, mas não vou desistir. Esta carteira internacional de jornalista ainda me vai levar a algum lugar. É como o Gollum no Senhor dos Anéis: Frodo e Sam queriam matá-lo logo no início do primeiro livro, mas o Gandalf avisou que ele ainda tinha um papel a desempenhar — e teve.

 A minha carteira da IFJ também tem. E eu também.



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