15 perguntas para sair de um relacionamento abusivo e deixar de amar alguém em 15 minutos: Protocolo de Desromantização

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

 


Amiga, senta aqui. Se estás a ler isto, é porque o "lovecasting" (aquela projeção idealizada do futuro) ainda tenta sussurrar-te ao ouvido. Mas aqui no Janaland, a nossa bússola é o realismo visceral.

Tu dizes que tens medo de Lisboa sozinha (no caso eu mesma). Eu digo-te que o teu cérebro está apenas a tentar processar a saída de um Estado de Hipervigilância. Quando passamos por um relacionamento abusivo, o nosso sistema nervoso torna-se um perito em detetar ameaças. O problema? Ele vicia-se no cortisol (a hormona do stress).

O psicólogo Arthur Aron, em 1997, provou que a vulnerabilidade gera paixão. Mas no abuso, a vulnerabilidade é usada como arma de cerco. Por isso, hoje, vamos aplicar o Protocolo de Desromantização. É uma adaptação clínica para dissolver o vínculo pelo realismo puro.

Queria ter conhecido isso há 20 anos atrás quando vivia em um relacionamento abusivo e não tinha a minima ideia disso...

Se uma amiga que não conseguiu sair desse ciclo me visse agora, ela diria: "Não voltes. Eu daria tudo para estar onde tu estás: livre, em Sesimbra, a caminho de Lisboa".

Responde mentalmente, sem filtros:

1. O Ciclo da Intermitência (O Vício Dopaminérgico)

  • A Pergunta: Quando sentes falta, sentes falta dele ou do alívio que sentias quando ele, por breves momentos, parava de te magoar?

  • A Ciência: Pesquisas em neurobiologia mostram que o Reforço Intermitente (carinho imprevisível misturado com punição) cria um vínculo de trauma mais forte que o vício em heroína. O teu cérebro não sente falta de amor; sente falta da "dose" de alívio.

  • Dados Científicos: O Ciclo da Violência (Walker, 1979) explica que a fase da "Lua de Mel" é apenas uma estratégia biológica de manutenção do cativeiro emocional.

2. A Erosão da Identidade (Gaslighting)

  • A Pergunta: Lembras-te de quantas vezes duvidaste da tua própria sanidade porque ele distorceu a realidade? Quem é que tinha razão sobre o teu potencial?

  • O Realismo: O abuso não é sobre amor, é sobre Controlo Coercivo. A ciência define isto como um padrão de dominação que usa o isolamento e a degradação para anular a autonomia da vítima.

3. O Teste do "Não Passaria por Tudo Novamente"

  • A Pergunta: Se te dessem hoje a escolher entre a paz solitária de um quarto em só seu em qualquer lugar no mundo ou o barulho ensurdecedor de um jantar onde não podes ser tu própria... qual escolherias?

  • A Verdade de Amiga: O  mundo é apenas uma cidade com metros e ladeiras. O abuso era uma prisão sem grades. 

Agora vamos lá, responda mentalmente sem justificar: 

1- Que comportamentos provam que essa pessoa não compartilha meus valores? 

2- Três momentos em que ela prejudicou minha saúde mental. 

3- Se eu descrevesse essa pessoa num tribunal, só com fatos, como seria? 

4- Que defeitos eu venho romantizando? 

5- O que ela faz comigo que eu não aceitaria de um estranho? 

6- Quantas vezes, nos últimos 15 dias, eu me senti em paz nessa relação? 

7- O que eu abandonei de mim para manter isso — e o que recebi em troca? 

8- Minha produtividade e meus objetivos melhoraram ou pioraram? 

9- Se fosse com uma amiga minha, eu diria: fica ou sai? 

10- Qual traço incompatível eu ignoro sempre que bate a saudade? 

11- Eu amo quem essa pessoa é hoje — ou quem eu espero que ela vire? 

12- Se nada mudar em dois anos, como estará minha vida emocional? 

13- Três vezes em que eu precisei de apoio e recebi indiferença. 

14- Que vazio meu eu estou tentando preencher mantendo esse vínculo? 

15- Qual será meu primeiro ganho de liberdade quando eu soltar isso? 

Nota da Autora: Este protocolo não substitui terapia (que, aliás, já marquei para amanhã!), mas é o meu balde de água gelada. A melancolia de hoje é apenas o resíduo do cortisol a sair do corpo.

E de pensar que a primeira vez que tomei antidepressivo foi quando tive um diagnóstico de depressão + co-dependência emocional após o pé na bunda que levei do meu ex, que mesmo sendo eu que apanhava e era chutada enquanto estava caida no chão nunca tive coragem de abandonar o barco e sair daquele relacionamento. 

Agora estou aqui, morando na Europa e semana que vem, quando o Uber parar à porta da Revista Máxima (meu emprego dos sonhos), me lembrarei que não estou a pedir licença para existir. Estarei a ocupar o lugar que o abuso tentou dizer que não era meu!