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O Efeito Dua Lipa: Porque é que todas queremos manifestar um Callum Turner?

domingo, 7 de junho de 2026

 


A internet entrou em polvorosa nas últimas semanas com os rumores de que a cantora Dua Lipa e o ator Callum Turner teriam oficializado a sua união numa cerimónia íntima em Londres. Casados ou não, a verdade é que o mundo não consegue parar de olhar para eles. Toda a gente quer manifestar um amor como o da Dua Lipa.

Quem é que viu as imagens deles a dançar, apaixonados e alheios ao mundo sob a Torre Eiffel, em Paris, e não suspirou por ter algo assim na vida? Ali, sob os holofotes, eles parecem viver num universo particular de cumplicidade. E a teoria que circula nas redes sociais é linda: ela teria manifestado este romance perfeito com a música Training Season, lançada em 2024, o mesmo ano em que o relacionamento se tornou público.

Eu mesma tenho os meus encontros casuais, onde apenas os contactos físicos imperam. Gosto de sexo e também gosto da liberdade do casual. Mas, no fundo, sou uma tola romântica. Já fiz, inclusive, uma Carta Aberta para o Amor confessando que quero alguém que me escolha todos os dias e me coloque em primeiro lugar na sua vida. Porque a verdade é esta: não ter alguém para abraçar no final de um dia de trabalho particularmente puxado e desafiador faz uma falta danada.

Agora mesmo, estou aqui há pelo menos três horas a ouvir Training Season em repeat, na esperança de manifestar o que a dona Dua Lipa tem. Olha só o que ela canta:

"Preciso de alguém que me abrace forte / Mais profundo do que eu jamais conheci / Cujo amor se pareça com um rodeio / Saiba exatamente como assumir o controle / Quando eu estiver vulnerável / Ele fale diretamente com a minha alma / (...) Será que você é alguém que pode ir além? / Porque não quero ter que te mostrar / Se essa pessoa não for você, então me fale / Porque a temporada de treinamento acabou."


Se eu gostaria de encontrar alguém assim? Muito!

Mas a verdade é que eu tenho um projeto de vida e um Passaporte do Amor para carimbar. Enquanto não encontro esse alguém que me cause vertigens e que saiba exatamente o que fazer sem que eu precise de lhe dar um manual de instruções, vou seguindo o meu roteiro. Vou me divertindo — e, às vezes, nem tanto — com os homens errados.

Dou o vácuo aos cretinos, coleciono histórias e sigo em frente. Afinal de contas, no meu mundo, tudo é matéria. Tudo é pela pauta!

O Encontro Que Ficou No "E Se"

quinta-feira, 4 de junho de 2026

O céu de Lisboa ameaçava desabar cinzento sobre as colinas, naquele tipo de feriado que convida a um recolhimento quase obrigatório. No papel, o plano parecia saído de um guião de romance europeu moderno: um encontro com um neerlandês, daqueles que trazem na bagagem o conceito intrínseco de gezellig — o aconchego caloroso que os povos do norte usam para combater o inverno da alma.

Se a chuva caísse, o cenário estava desenhado. Teríamos fugido para a Estufa Fria, caminhando sob a melodia das gotas a bater na enorme cobertura transparente, perdidos entre plantas tropicais e caminhos de pedra, onde o som da água criaria o isolamento perfeito para duas pessoas se conhecerem. Ou talvez o destino tivesse sido o requinte histórico do Palácio Chiado, subindo a escadaria de mármore sob o olhar do leão dourado, partilhando um copo de vinho tinto enquanto o burburinho da sala camuflava as nossas primeiras confidências.

Poderíamos ter terminado a tarde no labirinto kitsch do Pavilhão Chinês, decifrando relíquias nas vitrines à meia-luz, ou folheando livros na Ler Devagar, na LX Factory, deixando que a reabilitação industrial e o cheiro a papel impresso servissem de pretexto para esticar a conversa até à noite. Eu teria levado aquele meu vestido vermelho, a maquilhagem impecável e o meu rasto de perfume abaunilhado — a minha armadura de sedução e identidade.

O cenário era perfeito. O roteiro, infalível. Mas este encontro nunca aconteceu.

Ficou guardado na gaveta das realidades paralelas, tudo porque faltou o ingrediente mais crucial de todos, aquele que nenhum guia turístico ou bar sofisticado consegue simular: os sparkles no estômago.

Às vezes, a vida adulta exige pragmatismo, mas o amor — ou a simples promessa dele — exige magia. Quando os sinais digitais começam a falhar, quando as fotografias se escondem em visualizações únicas e o mistério se transforma em desinteresse, a chama apaga-se antes mesmo de o fósforo ser riscado.

Para mim, os sparkles são o motor. É o frio na barriga que me faz desafiar o mau tempo, calçar os saltos e sair de casa disposta a entregar o meu tempo a alguém. Sem essa eletricidade miúda, qualquer Palácio vira apenas um monte de pedras antigas e a Estufa Fria torna-se apenas um lugar húmido.

Este date com o holandês não passou de um rascunho bonito. Será, para sempre, o meu "E se...". E está tudo bem. Porque no fim do dia, há uma beleza imensa em escolher ficar em casa, a salvo da chuva, fiel à minha própria intensidade, esperando pelo próximo encontro que, este sim, faça a minha barriga vibrar.

A Moda Como Armadura Emocional: Quando o Vestido é Escudo

terça-feira, 2 de junho de 2026


Há dias em que a vida exige mais do que a nossa pele consegue suportar. Dias em que a intensidade do mundo bate de frente com a nossa própria voltagem interna — e quem é artista, intensa, ou convive com os altos e baixos de uma mente bipolar, sabe exatamente que barulho esse impacto faz.

Nesses momentos, o armário deixa de ser sobre tendências e passa a ser sobre sobrevivência. A roupa vira ritual. Vira armadura.

Se olharmos para os palcos, a própria Florence Welch (da banda Florence + The Machine) faz disso a sua grande performance existencial. Ela já falou abertamente sobre como usa os seus figurinos — aqueles vestidos longos de seda, fluidos e dramáticos — para enfrentar os seus próprios demónios diante de milhares de pessoas. No palco, a fragilidade dela transforma-se em poder através do movimento daquela seda que dança com o vento. É a beleza usada como resistência.

No quotidiano, o mecanismo é o mesmo. Quando a mente tenta desabar, a escolha de um tecido, a força de uma estampa ou a estrutura de um corte imponente funcionam como um teto que construímos sobre nós mesmas.


A Seda que Protege a Alma

Para uma mulher que sente tudo em escala máxima, vestir um longo de seda não é apenas vaidade; é criar uma barreira tátil entre o seu caos interno e o julgamento externo.

  • O Toque: A suavidade da seda acolhe a pele nos dias de sensibilidade extrema.

  • O Movimento: A fluidez do tecido cria um espaço de respeito ao redor do corpo, uma presença que diz "eu estou aqui" antes mesmo de pronunciarmos a primeira palavra.

  • A Estética: O visual imponente funciona como um lembrete visual de quem manda no castelo, mesmo quando tudo por dentro parece estar em ruínas.

Unir moda, música e saúde mental é compreender que a forma como nos apresentamos ao mundo é a nossa primeira narrativa de poder. Quando a tempestade emocional vier, não se limite a resistir: escolha a sua melhor armadura, vista a sua intensidade e faça dela a sua arte.

E você? Qual é a peça de roupa que funciona como o seu escudo nos dias mais intensos?

Não existe date perfeito: Por que a perfeição é a maior mentira que nós contamos?

sábado, 30 de maio de 2026


Às vezes eu peco por idealizar demais, por buscar a perfeição. Talvez seja um traço do meu lado romântica incurável, mas a verdade é que a perfeição não existe. A vida é puro caos.

Levei um bolo hoje. O segundo do viking.

Já estava pronta, linda, me sentindo perfeita com o meu perfume raro — o Magnifique, da Lancôme, descontinuado em 2008 —, quando recebo a mensagem de que não iria rolar o date. Bom, pelo menos ele avisou dessa vez. Ontem, ele nem se deu ao trabalho; apenas sumiu e reapareceu horas depois.

Decidi que uma rejeição apenas não seria suficiente e fui atrás da segunda no mesmo dia. Ok, não era essa a minha intenção inicial, mas é como se fosse inevitável.

Fui para o Tinder decidida a usar a minha calcinha de renda preta (comprada por € 4 na Lefties) e joguei a isca para quem mordesse primeiro.

E apareceu ele: os "Olhos de Ressaca".

Se Capitu tivesse um irmão gêmeo com aquele mesmo olhar dúbio em que poderíamos nos perder, seria ele. Olhos de um verde que parece o mar em um dia agitado, nos convidando a entrar em suas profundezas para descobrir seus segredos, mas que, ao mesmo tempo, carregam uma certa doçura.

Ele me buscou onde eu estava. A essa altura, eu já estava "alegre" das cervejas que dividi com a minha nova roommate. Fomos para um motel que não deu certo, depois para um hotel que também não funcionou e, no fim das contas, paramos num lugar isolado e começamos a namorar no carro.

Mas, antes disso, o beijo já não tinha encaixado. Ainda assim, segui em frente, porque estava determinada a quebrar o meu jejum, com ou sem viking!

Acontece que, com sete anos sem uso, a larissinha "revirgina". Começou a doer e a sangrar como se fosse a primeira vez. O fato de ele ser bem-dotado também não ajudou muito. Enfim, tivemos de encerrar a brincadeira por ali.

O que vem depois que ele me deixa na paragem do autocarro para voltar para casa? O silêncio.

E aí vem a noia: "O que eu fiz de errado?", "Por que comigo?", "Será que foi porque sangrei?", "Estava muito apertada como ele disse?".

CÉUS! Por que tanta complicação com rejeição na minha vida?

Mas, pensando bem, não vejo isso como um erro meu. O que houve foi um encontro de urgências que simplesmente não se sintonizaram.

Tentei ser Gilda hoje nessa visita a Lisboa. Mas, no fim do dia, sou apenas a Jana.

Nota da Editora: Crônica escrita em 27/03, mas que ficou guardada nos rascunhos porque não tinha certeza se publicava. Foi meu segundo date na Europa, o primeiro com sexo. 

Carta aberta ao novo amor

sábado, 16 de maio de 2026

 

Quando me perguntam o que estou procurando no Tinder, para além dos carimbos no Passaporte do Amor e do Cardápio de Homens, no fim das contas eu quero romance.

Alguém que me busque em casa e me leve para jantar para “conversarmos mesmo para tentar se conhecer”, quero passeios para ver o pôr do sol à beira do Tejo, quero caminhadas silenciosas em parques onde cada um lê seu livro favorito.

Quero carinho, cafuné, abraços apertados que cabem o mundo.

Quero mãos dadas na rua.

Quero cafés da manhã em cafeterias icônicas.

Dormir de conchinha.

Sexo às 3 da manhã.

Quero sentir que estou vivendo em um filme de romance barato de Hollywood.

Quero ser emocionada sem sentir medo de assustar.

Quero poder ser eu mesma pela primeira vez na vida.

Quero não ser a Gilda e ser apenas a Jana.

Quero ligações de madrugada porque estava com saudades.

Quero poder ser eu sem ter que ficar me medindo.

Encontros aleatórios no teatro, no cinema, no Candlelight.

Quero sentir o sabor da doçura da vida de ver o mundo pelas lentes coloridas do amor.

Não falo de casamento, nem compromisso.

Mas sentir que a vida pulsa através de encontros que podem ser de alma ou não.

Quero sentir a brisa suave no meu rosto e uma paixão marota que me tira o sono e dá frio na barriga.

Não um objeto de desejo, não uma femme fatale!

Quero poder ser apenas eu e que o sortudo fique, que seja por um beijo ao luar.

 

 

O dia que eu encontrei o amor e perdi (porque deletei meu Tinder sem querer)

domingo, 10 de maio de 2026

 


Chega a ser irônico que depois de me sentir a Gildas em intermináveis conversas e várias línguas diferentes, quando finalmente o amor bate à porta em um homem lindo, maduro, que buscava também encontrar o amor verdadeiro no meio de amores líquidos do aplicativo e, por outra ironia ainda maior do destino, ao tentar acessar a plataforma pelo PC para ser mais fácil conversar com ele, pois queria muito me conectar, eu excluí a minha conta e o homem lindo que vinha com a promessa de passeios sob a luz do luar.

Foram breves momentos de conversa até o fatídico ato que me fez o perder para sempre.

Norueguês (olha mais uma bandeira para o Passaporte do Amor), arquiteto, mais velho que eu e um semblante sereno de quem sabe o que faz da vida. E só. Não tenho mais nada para me apegar. Apenas uma frustração retumbante.

Talvez o tal do amor não seja feito para mim, afinal.

Vejo como um sinal de que não era o momento de me apegar, pois acabei de voltar ao jogo do amor e acho que ainda tenho muito a experimentar e bandeiras a colecionar.

Vou desistir? Jamais! Minha carta aberta foi escrita e lançada aos Deuses do Universo, que se forem generosos, devem atender meu singelo pedido de uma conexão profunda para além do objeto de desejo.

Hoje fico no e se, no quase.

O amor que quase foi.

Pode ser que não nos conectássemos, que tivéssemos valores totalmente opostos, que a química não rolaria. Enfim, nunca saberemos.

Por hoje fico com a lição, se gostou, já troque contatos logo para não correr o risco de o universo te dar uma rasteira e você ficar sem nada.

 

O Fenómeno Virgínia: Como construir um império de 160 milhões com base no "Vrau"

quinta-feira, 7 de maio de 2026


Enquanto muitas marcas tradicionais de luxo ainda tentam manter uma distância mística do consumidor, Virgínia Fonseca fez o caminho oposto: ela derrubou a quarta parede. O resultado? Um faturamento de 160 milhões de reais em uma única live de 12 horas. Mas engana-se quem pensa que o sucesso é fruto apenas de dancinhas no TikTok. Existe uma engenharia de proximidade que toda empreendedora (e escritora) deveria estudar.

1. A Intimidade como Mercadoria

O grande trunfo da Virgínia não é a qualidade técnica de um produto (embora isso importe), mas a narrativa de bastidor. O público não compra apenas um perfume; ele compra a participação na rotina de quem o criou. Ela transformou a própria vida em um reality show ininterrupto, onde o produto é um personagem orgânico.

A lição: Para quem escreve ou empreende, a pergunta é: quão humana é a sua marca? As pessoas conectam-se com processos, erros e o "fazer", muito mais do que com o resultado final perfeito e estático.

2. O Gatilho da Comunidade (O "Vrau" como Dialeto)

Virgínia criou um dialeto próprio. O "Vrau" e os jargões que ela usa funcionam como um aperto de mão secreto. Quem usa, sente que pertence a um grupo. É a criação de uma tribo digital que se sente validada pelo sucesso dela.

A lição: Qual é o seu "Vrau"? Qual é a linguagem única que você usa nos seus livros ou na sua consultoria que faz o seu cliente sentir: "Ela fala a minha língua"?

3. A Estratégia da "Visionária das Lives"

As lives da Virgínia são maratonas de vendas disfarçadas de entretenimento. Ela usa a urgência e a escassez de forma magistral. É o famoso: "É agora ou nunca". Ela domina a atenção do público em um mundo onde a atenção é o recurso mais escasso e caro que existe.

O que as Escritoras e Empreendedoras podem aprender?

Muitas vezes, nós, que viemos de um background mais acadêmico ou do mercado de luxo tradicional, temos medo de parecer "expostas" ou "populares demais". No entanto, Virgínia nos ensina que autoridade não precisa ser sinónimo de distância.

  • Humanize o Intelecto: Se você é escritora, mostre a folha em branco, o café frio, a dúvida.

  • Venda a Jornada: Não apareça apenas com o livro pronto; venda a história de como ele está sendo escrito.

  • Crie Urgência: Valorize o seu tempo e o seu conhecimento. Se você tem uma mentoria ou um produto, não tenha medo de dizer que ele é exclusivo.

O império de 160 milhões não foi construído apenas com curtidas, mas com uma compreensão profunda da psicologia do pertencimento. Virgínia entendeu que, no fim do dia, todos queremos fazer parte de algo que está a dar certo.

Jana Indica: Inside the Dream - A Alquimia por trás do J’adore L’Or

terça-feira, 5 de maio de 2026


Se existe algo que me fascina tanto quanto uma boa história escrita, é a narrativa invisível de um perfume. Recentemente, mergulhei no documentário "Inside the Dream" (Prime Video), e preciso compartilhar essa experiência com vocês.

A produção abre as portas da Maison Dior para nos mostrar os bastidores de um dos maiores desafios do mundo da perfumaria: como reinventar um ícone? O protagonista dessa jornada é ninguém menos que Francis Kurkdjian, o novo Diretor de Criação de Fragrâncias da casa.

Uma Viagem Sensorial

O documentário nos leva para além dos escritórios luxuosos em Paris. Acompanhamos Francis em uma busca incessante pela essência perfeita:

  • Dos jardins históricos do Château de La Colle Noire, em Grasse;

  • Aos campos vibrantes de jasmim na Índia;

  • Até o Japão, onde a milenar cerimônia Kodo revela o lado mais espiritual do olfato.

É um registro íntimo sobre pressão, dúvida e a busca pela beleza absoluta. Vemos Kurkdjian pesquisando a vida de Christian Dior para entender o passado e, assim, moldar o futuro do J’adore L’Or. A apresentação final na Escola Nacional de Belas Artes de Paris é o clímax de um ano de obsessão criativa.

O Olhar da Jana

Sendo uma apaixonada pelo J'adore (já foi meu perfume assinatura), poder acompanhar esse processo e a pressão para desenvolvimento de uma nova versão de uma fragrância que já é icônica há mais de 20 anos e poder mergulhar em um das mentes mais brilhantes da perfumaria (vou fazer um post somente sobre Kurkdjian), foi uma experiência singular! Passar pela França, India e Japão em busca de cheiros que pudessem deixar o J'adore L'Or único foi sentir a fragrância nascendo. Incrível! 

Vale a pena assistir?

Para quem trabalha com beleza, para quem ama moda ou simplesmente para quem aprecia o processo de criação de qualquer obra de arte, Inside the Dream é obrigatório. Embora o filme flerte com o storytelling publicitário da marca, a sensibilidade de Kurkdjian e a fotografia das paisagens fazem cada minuto valer a pena.

Onde assistir: Prime Video Duração: 1h 34min de pura inspiração.

A Anatomia do Tédio: Por que os homens trocaram a sedução pelo óbvio?

domingo, 3 de maio de 2026


Houve um tempo em que a sedução era uma coreografia. Um tempo em que as palavras eram escolhidas como quem escolhe as notas de uma fragrância rara: com intenção, tempo e camadas. Hoje, vivemos a era da fast-food emocional. Entre um match e um ghosting, a arte da conquista foi substituída por um vocabulário de duas palavras e uma galeria de fotos que ninguém pediu.

O Colapso da Criatividade

"Oi, linda". É o mantra da mediocridade. Receber essa mensagem é como sentir o cheiro de um perfume genérico de farmácia quando se espera a complexidade de um niche francês. Os homens desaprenderam a ler as entrelinhas. Eles não querem mais saber qual é o livro que você está lendo ou por que você prefere o mar à noite; eles querem o atalho.

A Surpresa que Ninguém Quer

Recentemente, ouvi uma promessa de "surpresa". Na minha eterna (e talvez teimosa) inocência de escritora, imaginei um poema, um convite inesperado, ou talvez apenas um olhar diferente através de uma lente. O que recebi? Mais uma foto anatômica, crua e desprovida de qualquer contexto estético.

Onde está o desejo de "ver a lua na praia"? Onde está o tesão construído na palavra, na espera, no não-dito? O mundo tornou-se visual demais e sensorial de menos. O excesso de exposição matou o desejo.

O Manifesto do "Next"

A sedução é, acima de tudo, um ato de inteligência. Mandar uma foto de piroca (mesmo quando há abertura) como "surpresa" é o atestado de óbito do romance. É a prova de que a imaginação morreu e foi enterrada sob o peso de um algoritmo.

Para nós, que ainda buscamos o diálogo profundo e a elegância no trato, o botão de bloqueio tornou-se a nossa ferramenta de curadoria mais valiosa. Sigo à espera de quem saiba que o caminho mais curto para o corpo de uma mulher ainda é, e sempre será, a mente.

Próximo.

Retorno de O Diabo Veste Prada movimenta cinema do Pantanal Shopping com sessões ampliadas

quinta-feira, 30 de abril de 2026


Uma das obras cinematográficas mais emblemáticas quando o assunto é comportamento, carreira e bastidores do poder está de volta às telonas. “O Diabo Veste Prada 2” estreia oficialmente nesta quarta-feira, 30 de abril, marcando o retorno de um enredo que ganhou projeção mundial e consolidou personagens icônicos da cultura contemporânea.

No Cine Araújo, localizado no Pantanal Shopping, a expectativa é de alta procura já nos primeiros dias. Para atender o público, o cinema ampliou a grade com horários ao longo de todo o dia, incluindo sessões à tarde, início da noite e horários mais tardios, além de opções em salas VIP e exibições dubladas. 

Segundo o gerente do cinema, Thomas Magnum, o momento é estratégico e carrega um forte apelo emocional e cultural.

“A gente percebe uma conexão imediata do público com esse retorno. Não é só um lançamento, é um reencontro com uma história que marcou época. Por isso, nos preparamos para receber esse público com uma programação mais flexível e uma experiência que esteja à altura da expectativa”, afirma.

O impacto da estreia também se estende ao ambiente do shopping, que acompanha o movimento como um dos principais polos de entretenimento da cidade. A gerente de marketing do Pantanal Shopping, Daniela Rossi, destaca o potencial de mobilização do filme.

“É uma obra que desperta interesse imediato e movimenta diferentes perfis de público. O shopping se prepara para esse tipo de momento porque entende o cinema como um espaço de conexão, lazer e experiência. Essa estreia deve impulsionar o fluxo nos próximos dias e reforça o nosso papel como ponto de encontro na cidade”, pontua.

Como parte da ativação, o Pantanal Shopping também preparou conteúdos especiais em suas redes sociais, com referências de looks inspirados no universo fashion do filme. A proposta é envolver o público antes mesmo da sessão, criando uma experiência que começa no digital e se estende para dentro da sala de cinema. 

O longa traz novamente nomes de peso no elenco, como Meryl Streep, Anne Hathaway e Emily Blunt, retomando a dinâmica intensa do universo editorial de moda, agora sob novas tensões, disputas e reposicionamentos profissionais em um mercado ainda mais competitivo e digital.

Na sequência, a história acompanha os desdobramentos da carreira de Andy Sachs e sua relação com Miranda Priestly em um cenário transformado, onde influência, imagem e poder assumem novos contornos. A narrativa mergulha em temas como ambição, liderança, reputação e escolhas pessoais, mantendo o tom crítico e sofisticado que consagrou o primeiro filme. 

Serviço

Estreia: 30 de abril

Local: Cine Araújo – Pantanal Shopping

Horários: sessões às 14h, 15h30, 15h50, 16h30, 18h, 19h, 19h30, 20h30, 21h, 21h30 e 22h, além de sessões VIP às 16h45, 19h15 e 21h20

Formatos: salas tradicionais e VIP, com exibições dubladas

"Açougue Digital": O Guia de Sobrevivência ao Tinder


Depois de sete anos fora do circuito, voltei ao Tinder em solo europeu e a sensação foi imediata: entrei num imenso açougue digital. Deslizar para a direita ou esquerda tornou-se o ato de escolher qual corte de carne parece mais apetitoso na vitrine fria do telemóvel.

Para quem, como eu, não sabe ser morna e busca profundidade, o desafio é não se perder entre os bifes expostos. Identifiquei alguns "cortes" clássicos que todas nós já encontramos:

 Os Cortes do Dia:

  • O Filet Mignon: Visual impecável, foto no iate ou em Cascais, parece a escolha perfeita. Mas, ao primeiro "oi", você percebe que é insosso. Falta tempero, falta alma, falta aquela ligação às 3h da manhã que faz a gente vibrar. É carne de primeira, mas não sustenta a fome de intensidade da Onça.
  • O Acém: Aquele corte que, à primeira vista, dá trabalho. Tem que saber cozinhar, tem que ter paciência com o "sumiço" e com o celular sem bateria. Mas quando encaixa? Vira um banquete cinematográfico. É a carne que surpreende pela pegada e pelo "uso da boca", mesmo que às vezes nos deixe exaustas.
  • O Pedaço de Nervo (Next!): Esse é o mais comum no cardápio. É aquele que mal diz "olá" e já envia uma foto de um falo sem aviso prévio — e, convenhamos, muitas vezes nem é um corte bonito. É indigesto, trava o sistema e a única solução é descartar imediatamente. Next!.

 Carimbando o Passaporte

A ideia era colecionar bandeiras: o francês, o irlandês, o português. Mas a verdade é que, atrás de cada "pedaço de carne", existe uma alma que mal chegamos a conhecer. Eu sigo aqui, scrollando os perfis, em busca de algo que talvez esse cardápio não queira entregar: alguém que me chame para ver a lua na praia e não apenas para um "vamos nos ver" rápido e vazio.

VRAU! No banquete de hoje, você está a escolher o Filet insosso ou vai arriscar o Acém que dá trabalho mas satisfaz a alma?

Manual de Estilo para Festivais: Do Boho ao Ritualístico

terça-feira, 28 de abril de 2026

Como se vestir para um festival se você é uma mulher intensa e não uma adolescente no Coachella!

Enquanto todo mundo vai de short jeans e glitter para festivais, a Florence vai de vestidos longos, pés descalços e uma aura de ninfa

Com a temporada de festivais à porta (e a minha mente já em modo headliner), é impossível não falar sobre a evolução do estilo que domina os relvados. Saímos do óbvio "Look Coachella" para algo muito mais profundo. Se o Boho era o nosso ponto de partida, o Ritualístico é o nosso destino final.

1. O Legado do Boho-Chic: Onde tudo começou

O Boho não morreu, ele apenas amadureceu. Esqueça as coroas de flores de plástico. O Boho de 2026 é sobre texturas e história.

  • A Peça-Chave: Franjas de couro (ou camurça) e crochê feito à mão.

  • O Toque de Luxo: É aqui que entra o DNA da Chloé ou da Etro. É um estilo que pede movimento — perfeito para quem, como eu, não consegue ficar parada quando a bateria começa.

2. A Ascensão do Ritualístico: A Era das "Summas Sacerdotisas"

Aqui é onde a Gucci e a Florence Welch reinam soberanas. O estilo ritualístico não é apenas uma roupa; é uma performance. É sobre vestir a sua própria mitologia.

  • Estética: Transparências dramáticas, capas fluídas, túnicas que parecem ter saído de um quadro pré-rafaelita.

  • O Detalhe: Elementos esotéricos — luas, estrelas, bordados de tarô e joalharia pesada (metais oxidados e pedras brutas).

3. Cottagecore Gótico: A Versão Noturna dos Festivais

Para quem, como eu, ama uma pitada de drama e mistério. É o estilo para os concertos que acontecem sob o luar.

  • Paleta: Pretos profundos, vinhos, verdes floresta.

  • O Contraste: Rendas delicadas usadas com botas pesadas (sim, o meu novo Adidas da Vinted ou uma bota militar para aguentar o pó do festival com dignidade).

4. Checklist Prático (Pela Onça Estrategista):

Não adianta ter o visual da Florence e os pés de uma "cuidadora exausta".

  • Conforto é Luxo: Escolha sapatos que aguentem 10 horas de pé. O estilo vem da postura, não do salto agulha.

  • Camadas Inteligentes: Em Portugal, o sol queima de dia e o vento arrefece a noite. Uma capa leve de seda ou um casaco de veludo bordado são os seus melhores amigos.

  • Acessórios com Significado: Menos bijuteria barata, mais peças que contem uma história.

Conclusão: O Festival como Catarse

No final do dia, o manual de estilo serve para uma única coisa: libertação. Seja no Coachella, no NOS Alive ou no Super Bock, a roupa é o seu traje de guerra para "sacudir o diabo das costas" (Shake It Out!).

Eu já estou a preparar o meu "figurino de transição". Afinal, a vida em Cascais exige que a gente saiba transitar entre o administrativo e o artístico com a mesma maestria com que trocamos uma sapatilha de limpeza por um Adidas de colecionador.

VRAU! Qual é a vossa tribo: a leveza do Boho ou o mistério do Ritualístico?

Entre Florence Welch, a Estética Cottagecore Gótico e o Reinado da Gucci

domingo, 26 de abril de 2026


Florence Welch é a musa absoluta da Gucci (especialmente na era Alessandro Michele). Ela transformou o estilo vitoriano, as rendas, as transparências e os tecidos fluidos em um uniforme de poder. Florence se veste para "flutuar" no palco, unindo a moda de luxo à performance teatral.

"It’s hard to dance with a devil on your back, so shake him off!"

Enquanto a voz de Florence Welch ecoava nos meus fones durante um trajeto de autocarro por Lisboa, senti o arrependimento subir pela pele. Não era apenas música; era um manifesto. E no mundo da moda, ninguém traduz esse "caos lírico" tão bem quanto a Gucci.

Quem é a Gucci e por que ela nos fascina?

Fundada em 1921 em Florença, a Gucci começou com malas de couro inspiradas na nobreza inglesa, mas transformou-se no símbolo máximo do ecletismo italiano. A marca sempre teve uma relação simbiótica com divas e arte — de Grace Kelly (para quem criaram o icônico padrão Flora) a Harry Styles e, claro, a nossa "Summa Sacerdotisa", Florence Welch.

A Gucci não vende apenas roupas; ela vende narrativas. Ela veste mulheres que não têm medo de serem excessivas, intelectuais e, por vezes, um pouco fantasmagóricas.

A Estética: Cottagecore Gótico

Se o Cottagecore tradicional é sobre campos de flores, vestidos de linho e uma vida bucólica ao sol, o Cottagecore Gótico é o seu lado sombrio e fascinante. Imagine uma camponesa que vive numa floresta enevoada, que lê clássicos de terror à luz de velas e que usa rendas vitorianas enquanto colhe ervas à meia-noite.

É a estética da vulnerabilidade que possui garras. É exatamente onde a Florence habita e onde a Gucci, especialmente sob a era de Alessandro Michele e agora evoluindo com Sabato De Sarno, encontra o seu refúgio.

  • Rendas e Transparências: O romantismo que não esconde a dor.

  • Veludos Profundos: O peso da história e do drama.

  • Motivos Botânicos: A natureza que tanto cura quanto consome.

O Vrau do Destino: Da Poeira à Passarela

Muitas vezes, a vida obriga-nos a um trabalho braçal que parece "atrofiar" a nossa mente. Mas, tal como a estética Cottagecore Gótico sugere, há beleza na sombra e força no sacrifício.

Ver a Florence no palco vestindo Gucci é lembrar-me que, mesmo quando estamos a "sacudir o diabo das costas" (ou a limpar o pó de uma prateleira em Vialonga), a nossa essência é feita de arte e luxo. O meu cérebro pode estar exausto, mas a minha visão permanece treinada para o belo.

Hoje, entre um gole de cerveja e um parágrafo escrito, eu "sacudo" as expectativas alheias. Se a Gucci é sobre a liberdade de ser estranha e maravilhosa, eu escolho ser a onça que, mesmo cansada, nunca perde o faro para a próxima capa de revista.

VRAU! Porque até para chorar no busão, a gente mantém a estética.

A Pequena-Grande Conquista que Cabe num Uniforme da Mango

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Transição de carreira em Portugal: Como um uniforme novo encerrou meu ciclo de cuidadora e resgatou minha autoestima

 

São 3h30 da manhã. O silêncio de Lisboa lá fora só é interrompido pelo barulho dos meus pensamentos e pela fome de quem está em jejum para exames, mas a verdade é que eu já me sinto alimentada. Alimentada por uma imagem que não sai da minha cabeça: eu, diante do espelho da Mango, experimentando o uniforme do meu novo trabalho.

Para quem vê de fora, é apenas uma calça e um blazer. Para mim, é um portal.

O Peso que Ficou na Paragem de Autocarro

Olhar para aquele caimento perfeito me fez lembrar, num flash, de todas as madrugadas de escuro, frio e chuva nas paragens de autocarro enquanto a cidade ainda dormia. Lembrei das mãos que, por meses, executaram um trabalho mecânico, exaustivo e que desafiava minhas habilidades todos os dias. Ser cuidadora me trouxe a Lisboa, me deu frutos e me permitiu honrar contratos até o último segundo — recebi até uma mensagem linda de despedida — mas o corpo cobra o preço de estar fora do seu lugar de direito.

O trabalho era mecânico, mas a ansiedade que ele me causava era humana demais.

Da "Shein por Menor Preço" ao Toque da Mango

No Brasil, a Mango sempre foi um horizonte distante. Num país onde a moda de qualidade é um luxo proibido, eu era a cliente que garimpava peças plus size na Shein, ordenando sempre pelo "menor preço". Se algo passava de R$ 100, já era um investimento pesado; uma peça de R$ 400 era um delírio.

Entrar naquela loja, que eu já namorava toda vez que descia para o trabalho no metrô Restauradores, sentir o toque macio do tecido e o corte que respeita o corpo não foi apenas "fazer uma prova de roupa". Foi entender que a minha realidade mudou. E o espelho ainda me deu um bônus: 10kg a menos. Não foram apenas quilos de gordura que se foram, mas o peso de uma vida que não me cabia mais.

"A moda sempre foi minha linguagem, mas por muito tempo eu só conseguia falar o básico. Hoje, eu finalmente comecei a declinar os verbos que eu sempre quis."

O Orgulho de Vestir a Si Mesma

Esta semana eu pego meu uniforme definitivo. Vou usá-lo com a certeza de que cada lágrima e cada segundo de incerteza valeram a pena. Para uma amante de moda e beleza, esse uniforme é a minha armadura de luxo para conquistar Cascais.

Encerro o ciclo de cuidadora com gratidão, mas fecho a porta com a chave de ouro de quem sabe que, finalmente, voltou para casa — não para o Brasil, mas para dentro de si mesma, para a carreira que ama e para a dignidade que o rímel e o blazer representam.

VRAU! O novo capítulo começou e ele tem um caimento impecável.

Balenciaga Motorcycle: A "It Bag" que desafiou o sistema e conquistou o tempo

segunda-feira, 20 de abril de 2026


Se você acompanha o mundo da moda, sabe que algumas peças nascem para ser tendência, enquanto outras nascem para quebrar as regras. A Motorcycle Bag (ou Lariat Bag) pertence ao segundo grupo. Criada em 2001 por Nicholas Ghesquière, ela quase nunca viu a luz do sol.

Quando o protótipo ficou pronto, a direção da Balenciaga não ficou convencida. A bolsa não tinha logo, era macia demais, sem estrutura rígida — o oposto de tudo o que era considerado "luxo" na época. Ghesquière chegou a deixá-la de lado por um ano.


O "Vrau" da Virada: O jogo mudou quando as modelos — as verdadeiras it girls como Kate Moss — viram o protótipo nos bastidores. Elas não queriam a bolsa da vitrine; elas queriam aquela peça que parecia um achado vintage, com ar de quem já tinha passado por mil concertos de rock. Ghesquière convenceu a marca a produzir apenas 25 unidades. O resultado? O resto é história.


Por que ela ainda importa? 

Quase 25 anos depois, a família Motorcycle (City, Work, Part Time) continua a ser o símbolo da mulher que tem "bossa". É uma bolsa funcional, com espelho embutido para retocar o batom entre um café e um texto, e um design que envelhece como vinho.

No meu olhar de consultora, a Motorcycle é o equilíbrio perfeito entre o luxo e o real. Ela não grita a marca, ela sussurra o estilo. É para quem sabe que o verdadeiro luxo não precisa de logos gigantes, mas de uma história que ressoe com a própria pele.

E você? Prefere o clássico imortal da Chanel ou a rebeldia histórica da Balenciaga? No Janaland, a gente fica com os dois.

Cardápio de Homens

domingo, 5 de abril de 2026

Voltei para o Tinder!

Após 6 anos e uma experiência traumática, agora em solo europeu, achei que era a hora de voltar e dar mais uma chance para conhecer pessoas interessantes ou apenas pessoas.

Um pouco inspirada pelas experiências de uma nova amiga que fiz aqui e também porque ainda pretendo preencher o que chamo de “Passaporte do Amor”. Não um amor romântico, não no sentido de relacionamento sério – coisa que estou longe de estar pronta, se é que um dia estarei – mas no sentido de beijar tantas bocas de nacionalidades diferentes que eu conseguir e talvez algo mais.

A ideia é colecionar bandeiras tais quais carimbo de entrada da imigração, que tristemente foram substituídos por uma versão digital, no imaginário passaporte.

Eis que uso o aplicativo para passar o tempo quando estou entediada e no movimento de deslizar para a direita ou para a esquerda me peguei pensando que estava em um grande açougue escolhendo qual carne irei me deleitar apenas pela imagem que parece a mais apetitosa.

E essa sensação me deu um nó no estômago de pensar em pessoas como algo apenas a ser saboreado, experimentado, provado.

Não há profundidade, não há um “conhecer a alma”, não há grandes diálogos. Apenas gostei, coração e se ele também gostar, o match.

E as conversar iniciais? Ah as conversas iniciais são desafiadoras, por vezes tediosas e quando passamos para o WhatsApp muitas vezes sem aviso prévio recebemos uma foto de um membro fálico, as vezes nem tão bonito assim.

Por que eles pensam que gostamos disso?

Next!

A grande questão é que não sei ser morna, sou intensa, fogo, quero profundidade, demonstrações de afeto, ligações às 3h da manhã apenas para dizer que estava com saudades da minha voz e não conseguia parar de pensar em mim.

Preciso sentir intensidade! Caso contrário, perco o interesse.

Por isso me veio a mente o cardápio de homens, não no sentido de serem esculturalmente deliciosos, de terem olhares profundos, pois muitos os têm.

Mas no sentido de scrollar os perfis em busca de algo que talvez eles não queiram dar.

São várias opções, isso é inegável! As nacionalidades? As mais variadas possíveis.

O francês, o irlandês, o italiano, o português, o canadense.

Nomeie uma nacionalidade e devo ter na minha lista imensa de matches que mal passaram de um oi, piroca, e vamos nos ver. E só.

Me dei conta que não estou certa se é realmente isso que quero e procuro, embora eu nem saiba exatamente o que eu mesma busco.

Mas seguirei tentando até, quem sabe, encontrar alguém que não seja apenas um rostinho bonito e um pedaço de carne e me chame para ver a lua na praia.

Do date Absolut Cinema para o gosthing do príncipe viking

quarta-feira, 25 de março de 2026

Pensando nesse título agora me veio à mente que eu tenho uma queda por vikings, pois já tivemos outro viking no meu livro Cartas da Mabi.

Me dei conta também que tenho queda por homens que simplesmente desaparecem da minha vida sem deixar rastro, ou dar sinais que irá fazer isso. O famoso: ghosting!

Ou talvez os sinais estavam lá, mas eu nada versada na linguagem do amor e há 7 anos fora do mercado, fui incapaz de interpretar. Conjecturas de um domingo de manhã sem mensagem recebida.

Veja bem, não que seja obrigação de mandar mensagem de bom dia, boa tarde, o que seja. Mas estávamos na iminência de marcar um encontro rápido apenas para dar um oi.

E sumiu! Vanished!

Mandei mensagem perguntando se ele viria me ver. Disse que não conseguia esquecer o gosto do beijo dele (aqui começo a me questionar sobre a possibilidade de ter sido emocionada demais).

Silêncio.

Desde o meio dia até domingo de manhã não recebi uma linha sequer dele.

Será que morreu? Me pergunto. Porra não tenho nem o sobrenome para procurar nos noticiários. Vacilei!

Hoje, domingo, pela manhã não me aguentei e mandei um "tá tudo bem contigo? Aconteceu alguma coisa?".

Acho que no fundo é meu cérebro querendo encontrar alguma justificativa que não seja rejeição.

Nosso encontro ABSOLUT CINEMA foi tão perfeito, ele pareceu tão na minha. Não consigo entender e, pior, estou pensando o que posso ter feito de errado para afugentar ele (sempre coloco a culpa em mim).

É horrível pensar isso e me sentir assim, mas acho que levei um ghosting mesmo do príncipe viking

Agora confiro o WhatsApp a cada 5 minutos em busca de um reply que justifique essa ausência e o bolo e que, principalmente, que confirme que não se tratava de rejeição - de novo.

Porra, Jana! You did again!

Eu sei que isso não vai me derrubar, muito menos me parar, mas estou com um nozinho na garganta e uma lágrima está teimando em querer escorrer.

Eu tenho um problema sério com rejeição (meu pai tentou me matar, casei com alguém praticamente que nem papai que matou minha alma e me rejeitou, largando só uma casca oca, minha mãe me rejeita, meus irmãos me rejeitam, minha amiga, sinto que está começando a me rejeitar).

Parece que não sou feita para ser amada, ninguém nunca quer ficar. Qual é o meu problema? Porque me sinto um cachorrinho em uma feira de adoção implorando para ser escolhido? Penso "por favor, por favor, me escolhe. Me aceita como sou". Mas nunca ninguém fica. Todos querem, desejam, eles veem e querem Gilda, mas acordam com a Jana.

Não me aguentei. Mandei mais uma mensagem perguntando cadê ele dizendo que já estava ficando preocupada. E realmente pensei na possibilidade de acidente, sei lá.

Só queria ir para casa escrever agora, mas não tenho o note aqui comigo agora. Enfim, estou presa aqui com meus pensamentos porque nem Kafka eu trouxe para a interna de 48h. E digitar no celular já está fazendo doer meus pulsos. Ambos. Só queria paz na mente esquecer esse embuste.

O plot twist: O Benfiquista, o vácuo e a volta por cima

O Cinderelo resolveu dar as caras. Disse que foi assistir ao jogo do Benfica ontem, saiu para jantar (até aqui ele tinha dito que faria), encheu a cara, chegou em casa e dormiu que nem pedra.

Não sei o que pensar, mas o encontro está de pé e ele vai cumprir seu objetivo. Me fazer voltar para o jogo depois de anos andando pelo vale das cinzas, da sombra e da morte. Depois do ato, eu VRAU, comerei a cabeça dele, tal qual uma viuva negra.

Terça-feira o jejum de 7 anos acaba. Não porque o príncipe acordou, mas porque a Rainha decidiu que o campo de jogo agora é em Benfica. Alguém traz o VAR, porque eu vim para ganhar.

Meu primeiro date europeu: ABSOLUTE CINEMA!

sexta-feira, 20 de março de 2026

Tudo começou dias antes, no final de semana, quando “conversamos muito mesmo para tentar nos conhecer” e ele sugeriu irmos a uma gruta perto de onde moro. Veja bem: ele mora em Lisboa, uma hora de viagem de carro de onde estou. Já fiquei intrigada pelo viking do meu vision board (ele nem sonha com isso) despencar de lá para vir me ver aqui.

Falei que a previsão era de chuva, pois uma nova tempestade estava chegando, a Teresa. Ele riu e disse que iria fazer sol, e chover apenas às 19h. Concordei com o date, pois um local conhece melhor o tempo do que eu, uma forasteira.

Chega o dia. Bato a bendita da gilete, pois "vai que". Pintei as unhas, fiz as sobrancelhas para tentar me reconectar com a minha deusa, pois estava tão focada em trabalho, documentação e burocracia que me deixei de lado desde que cheguei a Portugal, em novembro.

Na hora marcada, ele me chega em uma nave que nem sei o nome e pensei: “Caraca, tudo isso por mim?”. Um carro chique, opulento, como quem diz “quero impressionar”. E impressionou!

Fiquei com vergonha. Afinal de contas, estava há 7 anos fora do mercado (alguns beijos no "novinho" não contam, pois eram festas e eu estava bêbada). A timidez bateu, mas a vontade era pular no pescoço do viking de olhos tão azuis que davam para ver o mar em um dia perfeito de sol dentro deles. “Meu Deus, como esse homem tão lindo pode se interessar por mim?”, pensei — e sim, sei de todas as implicações desse tipo de pensamento.

Lapa de Santa Margarida datada do século XVII

Fomos para uma gruta do século XVII. Um tempo nublado do cacete, uma leve garoa, e eu só ria do date furado. Lá era escuro, com uma leve luz do sol entrando por um buraco na rocha, e eu pensando: “Esse fdp não vai me beijar não?”. Saí desapontada, pensando que ele iria me fazer subir e descer aquele tanto de escadas, entrar em grutas sem me beijar. “Deve ser porque não gostou de mim e está apenas a cumprir protocolo”.

E fomos, sem beijo, para outro lugar, cheio de cantos escuros que estavam mais para creepy do que românticos. No terceiro lugar, um forte em um miradouro, começou a ventar muito e fomos para um lugar alto, dentro do forte, que tinha uma janela com uma vista incrível! Ficamos lá por algum tempo e ele teve, finalmente, a atitude de tocar meus ombros, como quem faz uma massagem, apenas pelo contato, pelo toque. Achei fofo, mas, infelizmente para a minha tristeza, ficou apenas nisso.

Forte 7ª Bataria - Arrábida

Aí, em frente a um canhão de trocentos anos (esse da foto), com a vista mais linda do mar e da cidade, ele me deu um beijo perfeito! ABSOLUTE CINEMA! Encaixou perfeitamente! Meu Deus, que beijo perfeito!

Depois fomos a outro local com vista de Sesimbra e nos beijamos mais. Fomos para o carro, a coisa esquentou, mas não rolou sexo, apenas brincadeiras gostosas. Ele me disse que sou muito gostosa várias vezes. Isso foi um afago no meu ego e um remédio para minha baixa autoestima, complexada por ser gorda. Acho que eu me subestimei tanto que não achei que era desejável. Eu me pegava olhando para ele — o tipo de homem dos meus sonhos — olhando para mim com um desejo que me fazia dar uma risada interna gostosa de pensar que o homem do meu vision board tinha se materializado na minha frente!

Foi surreal de incrível! Estou sorrindo de orelha a orelha, mas sem perder o foco do porquê estou aqui e dos meus sonhos. Acho que posso ter uma coisa e outra. 

Embora a experiência no meu casamento tenha me feito achar  que, para amar, teria de me entregar total e cegamemte, deixar de ser quem sou e me anular pelo outro. Por isso tenho muito medo de amar novamente, pois não sei se saberia me manter intacta, a salvo.

Porém isso foi em outra vida quando eu não era diagnosticada, não tratava o TAB, não fazia terapia, não tinha rede de apoio nem amigas para ver as red flags (até porque afastei todo mundo) e, principalmente, não era medicada. Acho que hoje consigo me colocar em primeiro lugar na minha vida e, talvez, ainda abrir espaço para o outro.

Ele é inteligente, trabalhador, cavalheiro e veio me buscar em um jeep BMW! PQP! Não estou apaixonada nem nada, mas sinto as borboletas baterem asas no meu estômago e quero ver aonde isso irá me levar. Foi um encontro MÁGICO, como eu merecia ter!