Mostrando postagens com marcador crônicas e poesias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crônicas e poesias. Mostrar todas as postagens

Pequenas conquistas em um país estrangeiro

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

 

Estava a trocar ideia com o Gemini e me veio o título desse post, as coisas pequenas que me fazem sentir cada vez mais pertencente, aquelas conquistas que, para muitas pessoas já tão habituadas parecem bobas, mas que para mim são um baita desafio e mais um tijolinho do muro cultural, geográfico e da língua derrubado. Vem celebrar comigo também e exercer a gratidão nos pequenos detalhes.

1 – Pagar ônibus (aqui chamam de autocarro) sozinha.

2 – Passar a virada do ano sozinha, perder o último pôr do sol, o primeiro amanhecer, longe da família, dos meus amigos, mas ganhando em euro (foi minha forma de ressignificar).

3 – Ter aguentado uma crise de ansiedade no dia 31/12 no meio do trabalho sem surtar e conseguir chegar ao fim do turno. Depois corri para casa para chorar.

4 – Passar por uma consulta com uma médica portuguesa da saúde pública e conseguir minha receita dos medicamentos necessários.

5 – Ter atendido minha primeira cliente em inglês! Gastei meus anos de estudo para dizer que não tínhamos prato do dia, apenas menu hahaha. Mas fiquei feliz em ao menos usar o inglês que possuo em uma situação cotidiana.

6 – Responder “de rien” (mentalmente) para um cliente francês que disse “merci”.

7 – Fazer uma piada boba e todos rirem muito e falarem que “essa foi boa”, um português incluso (para quem não tinha nenhum amigo, isso é ouro puro).

8 – Ah, os incontáveis pores do sol incríveis.

9 – Ouvir o barulho do mar e poder apenas contemplar, sentir os pensamentos acalmarem e uma paz absurda interna.

10 – Tirar um café perfeito na cafeteira que mais parece uma geringonça!

11 – Ter a coragem de dizer “não” a um ambiente que me fazia mal e perceber que o mundo não acabou, ele apenas se abriu.

12 - Voltar a olhar para o teclado do computador não como uma ferramenta de trabalho pesado, mas como o pincel que pinta a minha nova história.

No final das contas, emigrar é isso: reaprender a caminhar enquanto se constrói o próprio chão. Hoje, entre um café tirado numa geringonça e um 'não' que me libertou, percebi que não estou apenas de passagem. Estou a fincar raízes!

A vida estrangeira é dura, mas quando a gente acerta a piada e o grupo ri... ah, aí a gente entende que o mundo é grande, mas a gente cabe nele.

E você, qual foi a sua pequena vitória de hoje?

Qual o limite da gratidão? Até quando temos de fazer algo pelo outro que nos machuca só porque somos gratos?

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Sabe uma questão que tenho muito latente em mim? 

Até onde vai o limite da gratidão?

Oi, meu nome é Jana.

Tenho 43 anos, sou jornalista, escritora, bipolar diagnosticada, e há anos carrego uma dúvida no peito como quem carrega uma herança emocional:
até onde vai a gratidão?
Qual é o limite entre reconhecer o que alguém fez por você…
e continuar permitindo que essa pessoa te machuque?

Será que gratidão é sinônimo de dívida eterna?
Será que por alguém ter me ajudado um dia, eu preciso seguir aceitando silêncios, descasos, julgamentos, falta de afeto, grosseria e até abandono?

Eu precisei me perguntar isso no momento mais delicado da minha vida: tentando um visto para Portugal, bancando dois empregos, segurando a barra de cuidar da minha mãe sozinha, e implorando ajuda para quem diz me amar.
E o que eu recebi?
Desculpas. Ausência. Frieza.
Mas, ah… “eu sou grata”, né? Então calei. Fiz mais. Aguentei de novo.

Até que cansei.
E escrevi isso aqui.

🧠 A dívida invisível da gratidão

Sabe o que descobri?
A gratidão é linda — quando é livre.
Quando vem com leveza, com afeto, com reconhecimento verdadeiro.

Mas quando vira moeda de troca silenciosa, ela adoece.
Ela nos faz escravos emocionais, especialmente se temos um histórico de abandono, de baixa autoestima ou de crença de que devemos sempre retribuir.
Mesmo que nos custe saúde mental.
Mesmo que nos sufoque.

E não, isso não é ingratidão.
Isso é amor-próprio.

💥 Quando a gratidão vira prisão

Eu cresci ouvindo “você tem que agradecer sua mãe por tudo”.
Mesmo quando ela me fazia mal. Mesmo quando me fazia sentir pequena.
Mesmo quando eu chorava no quarto desejando ser outra pessoa, em outra casa, com outra vida.

Hoje, adulta, entendo que ela deu o que pôde.
Mas isso não me obriga a continuar engolindo o que me faz mal.
Eu posso ser grata pelo que recebi e ainda assim dizer: chega.
Eu não aguento mais.
Eu preciso cuidar de mim agora.

💭 Então… qual o limite?

O limite da gratidão é o limite do respeito.
Quando começa a doer mais do que acolher.
Quando você se sente em dívida, mas o outro nem parece lembrar o que te deve.

Se você está fazendo algo pelo outro e isso está ferindo sua saúde emocional, seu tempo, seu sonho, sua paz, talvez já tenha passado do limite faz tempo.
E a culpa que te prende… não é amor.
É controle.

🌱 Você pode ser grato e ainda assim dizer não

Esse é o lembrete mais difícil que escrevo pra mim mesma — e pra você que está lendo:

Você pode ser profundamente grata a alguém
e ainda assim se afastar dessa pessoa.

Você pode reconhecer o bem que recebeu
e recusar o mal que está vindo agora.

Você pode amar
e ainda assim se escolher.

Gratidão não é algema.
É laço.
E laço, se aperta demais, vira nó na garganta.